O desafio do cristão

Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 6,30-34

Naquele tempo, 30os apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo o que haviam feito e ensinado. 31Ele lhes disse: “Vinde sozinhos para um lugar deserto e descansai um pouco”. Havia, de fato, tanta gente chegando e saindo, que não tinham tempo nem para comer.32Então foram sozinhos, de barco, para um lugar deserto e afastado. 33Muitos os viram partir e reconheceram que eram eles. Saindo de todas as cidades, correram a pé e chegaram lá antes deles. 34Ao desembarcar, Jesus viu uma numerosa multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas.

O desafio do cristão

Avançar, aventurar-se em “águas mais profundas” é o provocante desafio de Cristo a Pedro, como também a todos os apóstolos e a todos os seguidores de Jesus de ontem e de hoje. Pois é justamente lá, nas águas mais profundas, que nadam os peixes graúdos e a pescaria está garantida. 

Acreditamos que tal desafio jamais caiu tão oportunamente para nós como neste tempo. Pois chegou a hora de levarmos a palavra de Deus também aos lugares mais desafiadores, como parlamentos, universidades e templos do rei dinheiro.

Em outros termos, chegou a hora de evangelizar a política para que favoreça o bem comum; evangelizar a cultura para que promova a dignidade; evangelizar a riqueza para que seja partilhada.

Sabemos que isso, de um lado, pode ser visto como sonho ingênuo. De outro lado, pode ser interpretado como gesto temerário: gesto de alguém querendo cutucar o leão com vara curta.

Mas é que, querendo ou não, temos de admitir que não basta mais evangelizar apenas o que já está evangelizado, semear só lá onde a semente já foi jogada, proclamar a palavra de Deus tão somente lá onde ela já é conhecida de cor (o papa Francisco insistentemente nos convoca a ser “Igreja em saída”).

Temos de nos aventurar nas águas mais profundas “nunca dantes navegadas”, onde têm origem os pilares da sociedade: política, cultura e riqueza; fazer que elas percam sua conotação de dominadoras e opressoras dos cidadãos e adquiram o sabor evangélico do serviço, da partilha fraterna e da promoção humana.

Que o desafio a nós lançado por Cristo é difícil ninguém pode negar. Bem que ele mesmo poderia abrir uma brecha naquelas portas sempre fechadas, se não fosse o fato de que não costuma arrombar portas: prefere que lhe abram do lado de dentro. Quer dizer que cabe a nós criar coragem e desafiar as águas profundas onde a riqueza mora. E fazer que ela adquira um semblante mais humano.

Pe. Virgílio, ssp

fonte: folheto O Domingo (07/02/2016) – Editora Paulus Editora-Paulus

Carnaval e a Igreja Católica

Carnaval e a Igreja Católica

O Carnaval é uma festa que é marcada pelo “adeus a carne” que a partir dela se fazia um grande período de abstinência e jejum, como o seu próprio nome em latim “carnis levale” o indica. Para a sua preparação havia uma grande concentração de festejos populares. Cada lugar e região brincava a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, de acordo com seus costumes.

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A pintura de Hieronymus Bosch (1450 + 1516) retrata as antigas festas de carnaval. Título da obra : Hight of Carnival with Lent

Pensa-se que terá tido a sua origem na Grécia em meados dos anos 600 a 520 a.C, através da qual os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Passou a ser uma comemoração adotada pela Igreja Católica em 590 d.C. antes da quaresma.

É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O Carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XX. A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Santa cruz de Tenerife, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram no Carnaval parisiense para implantar suas novas festas carnavalescas. 

A festa carnavalesca surgiu a partir da implantação, no século XI, da Semana Santa pela Igreja Católica, antecedida por quarenta dias de jejum, a Quaresma. Esse longo período de privações acabaria por incentivar a reunião de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-feira de cinzas, o primeiro dia da Quaresma.

A palavra “Carnaval” está, desse modo, relacionada com a ideia de deleite dos prazeres da carne marcado pela expressão “carnis valles“, que, acabou por formar a palavra “Carnaval”, sendo que “carnis” em latim significa carne e “valles” significa prazeres.

Em geral, o Carnaval tem a duração de três dias, os dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas. Em contraste com a Quaresma, tempo de penitência e privação, estes dias são chamados “gordos”, em especial a terça-feira (Terça-Feira Gorda, também conhecida pelo nome francês Mardi Gras). O termo mardi gras é sinônimo de Carnaval.

Sobre a origem da palavra, não há unanimidade entre os estudiosos. Há quem defenda que a palavra Carnaval deriva de carne vale (adeus carne!) ou de carne levamen (supressão da carne).

A interpretação da origem etimológica da palavra leva-nos, indubitavelmente, para o início do período da Quaresma, uma pausa de 40 dias nos excessos cometidos durante o ano, excessos esses que incluem, segundo a religião católica, a alimentação. Assim, a Quaresma era, na sua origem, não apenas um período de reflexão espiritual como também uma época de privação de certos alimentos como a carne.

Todas as datas eclesiásticas são calculadas em função da data da Páscoa, com exceção do Natal. Como o Domingo de Páscoa ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que se verificar a partir do equinócio da primavera (no hemisfério norte) ou do equinócio do outono (no hemisfério sul), e a Sexta-feira da Paixão é a que antecede o Domingo de Páscoa, então a Terça-feira de Carnaval ocorre 47 dias antes da Páscoa.

fonte: Wikipédia

Jesus: profeta rejeitado

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 4,21-30

Naquele tempo, estando Jesus na sinagoga, começou a dizer: 21“Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. 22Todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?” 23Jesus, porém, disse: “Sem dúvida, vós me repetireis o provérbio: Médico, cura-te a ti mesmo. Faze também aqui, em tua terra, tudo o que ouvimos dizer que fizeste em Cafarnaum”. 24E acrescentou: “Em verdade eu vos digo que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria. 25De fato, eu vos digo: no tempo do profeta Elias, quando não choveu durante três anos e seis meses e houve grande fome em toda a região, havia muitas viúvas em Israel. 26No entanto, a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a uma viúva que vivia em Sarepta, na Sidônia. 27E no tempo do profeta Eliseu havia muitos leprosos em Israel. Contudo, nenhum deles foi curado, mas sim Naamã, o sírio”. 28Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos. 29Levantaram-se e o expulsaram da cidade. Levaram-no até o alto do monte sobre o qual a cidade estava construída, com a intenção de lançá-lo no precipício. 30Jesus, porém, passando pelo meio deles, continuou o seu caminho.

Jesus: profeta rejeitado

No domingo passado iniciamos o caminho com o Evangelho de Lucas, quando Jesus apresentou seu programa de vida e missão. Neste ano, ao longo do tempo comum, caminharemos iluminados por Lucas. Hoje o evangelista nos apresenta o início da missão de Jesus. Com o “hoje se cumpre”, Jesus atualiza a Escritura e a transforma em projeto de vida.

Logo na abertura do seu ministério, Jesus já encontra resistência, por causa de sua origem humilde. A rejeição acontece justamente em sua terra natal. Então ele proclama o famoso ditado: “Nenhum profeta é bem recebido em sua pátria”.

O preconceito contra as pessoas por causa de sua origem, parentesco e situação social é muito forte ainda em nossos dias. Assim aconteceu com Jesus e acontece com tantas pessoas na sociedade atual. Costuma-se dar crédito a quem tem bastante estudo, ao que tem poder econômico, ao que é de família nobre.

Não é fácil aceitar a mensagem e o ensinamento de um simples camponês; é mais fácil “lançá-lo fora e jogá-lo no precipício”. Não é fácil acolher um profeta, pois ele nos questiona e nos convida à mudança de vida. Nem sempre estamos dispostos a renunciar a nossas convicções e a nossos projetos.

É fácil aceitar Jesus como milagreiro, poderoso, curandeiro; mas não é fácil aceitá-lo como profeta. O autêntico profeta denuncia as injustiças, a miséria do povo, a concentração da riqueza, o acúmulo do poder político e econômico e convida para a conversão e para a mudança. Ele toca nas causas do sofrimento e da miséria do povo. Jesus é profeta e age como profeta, sem medo de pôr em risco a própria vida. Não está preso a nenhuma facção de influentes e poderosos. Uma Igreja sem profetas está sujeita a ficar indiferente perante o sofrimento do povo e a se acomodar na mesmice.

Pe. Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (31/01/2016) – Editora Paulus Editora-Paulus

Um prograna profético

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1,1-4; 4,14-21

Muitas pessoas já tentaram escrever a história dos acontecimentos que se realizaram entre nós, 2como nos foram transmitidos por aqueles que, desde o princípio, foram testemunhas oculares e ministros da Palavra. 3Assim sendo, após fazer um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio, também eu decidi escrever de modo ordenado para ti, excelentíssimo Teófilo.4Deste modo, poderás verificar a solidez dos ensinamentos que recebeste. Naquele tempo, 4,14Jesus voltou para a Galileia com a força do Espírito, e sua fama espalhou-se por toda a redondeza. 15Ele ensinava nas suas sinagogas e todos o elogiavam. 16E veio à cidade de Nazaré, onde se tinha criado. Conforme seu costume, entrou na sinagoga no sábado e levantou-se para fazer a leitura. 17Deram-lhe o livro do profeta Isaías. Abrindo o livro, Jesus achou a passagem em que está escrito: 18“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção para anunciar a boa-nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e aos cegos a recuperação da vista; para libertar os oprimidos 19e para proclamar um ano da graça do Senhor”. 20Depois fechou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-se. Todos os que estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. 21Então começou a dizer-lhes: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

Um prograna profético

Iniciando a atividade pública, Jesus apresenta o programa de sua missão. Depois de proclamar o texto do profeta Isaías (61,1-2) em Cafarnaum, ele faz a “homilia”, assim breve: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir”. Com poucas palavras, Jesus assume o papel do Messias-Profeta anunciado por Isaías.

O programa de ação de Jesus consiste em anunciar a boa notícia aos pobres, proclamando libertação aos que estão presos, visão aos que estão cegos, liberdade aos que estão oprimidos. Ao assumir essa missão profética, Jesus declara o ano jubilar da graça de Deus, um ano para que as dívidas e pecados sejam perdoados e as injustiças reparadas.

Jesus é consagrado, vem da parte de Deus, e vem para libertar. Ele bem sabe que não pode haver liberdade verdadeira com a fome, a miséria, a doença, a prisão. Seu programa de vida vai se tornando realidade com suas ações, acendendo e alimentando a esperança nos pobres e sofredores.

O Messias-Profeta continua entre nós e conta conosco para que o “ano da graça” de Deus seja não apenas uma esperança distante, mas realidade concreta, nas conquistas de liberdade e vida em favor dos pobres.

Jesus deixou claro que o evangelho é boa notícia de libertação para os pobres e injustiçados. Não é uma mensagem genérica que serve tanto para dar “conforto espiritual” aos que vivem na miséria quanto para apaziguar a consciência dos que exploram a miséria alheia em benefício próprio.

Jesus age com a força do Espírito Santo. O mesmo Espírito que o fortaleceu em sua missão terrena está em nós, animando e encorajando nossa missão. Qual é, afinal, nosso projeto de vida? Como e a quem estamos levando a boa notícia de Jesus?

* * *

“As reivindicações sociais, que têm a ver com (…) a inclusão social dos pobres e os direitos humanos, não podem ser sufocadas com o pretexto de construir um consenso de escritório ou uma paz efêmera para uma minoria feliz. A dignidade da pessoa humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios. Quando estes valores são afetados, é necessária uma voz profética” (A Alegria do Evangelho, n. 218).

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (24/01/2016) – Editora Paulus Editora-Paulus

Núpcias da nova aliança

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 2,1-11

Naquele tempo, 1houve um casamento em Caná da Galileia. A mãe de Jesus estava presente. 2Também Jesus e seus discípulos tinham sido convidados para o casamento. 3Como o vinho veio a faltar, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm mais vinho”. 4Jesus respondeu-lhe: “Mulher, por que dizes isso a mim? Minha hora ainda não chegou”. 5Sua mãe disse aos que estavam servindo: “Fazei o que ele vos disser”. 6Estavam seis talhas de pedra colocadas aí para a purificação que os judeus costumam fazer. Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros. 7Jesus disse aos que estavam servindo: “Enchei as talhas de água”. Encheram-nas até a boca. 8Jesus disse: “Agora tirai e levai ao mestre-sala”. E eles levaram. 9O mestre-sala experimentou a água, que se tinha transformado em vinho. Ele não sabia de onde vinha, mas os que estavam servindo sabiam, pois eram eles que tinham tirado a água. 10O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse: “Todo o mundo serve primeiro o vinho melhor e, quando os convidados já estão embriagados, serve o vinho menos bom. Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!” 11Este foi o início dos sinais de Jesus. Ele o realizou em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e seus discípulos creram nele.

Núpcias da nova aliança

O tempo comum se abre com o Evangelho de João, mas, ao longo deste Ano C, será marcado pelo Evangelho de Lucas. A transformação da água em vinho nas bodas de Caná, relatada no capítulo 2 de João, é o primeiro dos setes sinais apresentados pelo evangelista e uma das mais belas páginas que os primeiros cristãos nos deixaram. João não fala de milagres, mas de sinais que apontam para o Mestre e revelam sua força salvadora. Nessa festa de casamento, Jesus revela sua glória e se apresenta como o esposo da comunidade.

O nome Caná deriva de uma palavra hebraica que significa “comprar”. O povo de Israel tinha consciência de ser o povo que Deus “comprou” no Sinai, quando fez com ele aliança. A comunidade joanina talvez tivesse isso em mente ao falar de Jesus em uma festa de casamento em Caná.

Os símbolos da água, do vinho e das talhas de pedra são significativos para a torá, palavra de Deus dada no Sinai. Ambos, água e vinho, são símbolos da palavra de Deus: a água desce do céu, lava, purifica, fecunda a terra, faz germinar a semente; o vinho é fonte de alegria, bálsamo que cura a tristeza e a transforma em alegria e otimismo. As “talhas de pedra” lembram as “tábuas de pedra” onde foram gravadas as leis (torá); estas podem se tornar “vazias”, sem sentido, se forem colocadas acima da pessoa. O noivo é Jesus. A noiva não aparece; ela vai “se formando” pelas pessoas que vão aderindo ao projeto de Jesus. A comunidade, portanto, é a esposa que “casa com Jesus”.

Festa de casamento é festa humana por excelência, o melhor símbolo do amor entre Deus e a humanidade e das pessoas entre si. Toda festa motiva à alegria. Assim deveria ser a vida dos casais e de todos os cristãos. Vida vivida em plenitude e com otimismo.

Apesar das dificuldades, sempre precisamos beber o vinho da alegria, da esperança e do otimismo. Nossa vida cristã é chamada a se pautar pelo otimismo, transmitindo sempre mais vida, contagiando os outros com nosso jeito esperançoso de viver. Nunca deixemos de fazer o que o Mestre nos pede. Então, com certeza, nossa vida terá outro sabor.

Pe. Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (17/01/2016) – Editora Paulus Editora-Paulus

Missão de batizados

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 3,15-16.21-22

Naquele tempo, 15o povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo”. 21Quando todo o povo estava sendo batizado, Jesus também recebeu o batismo. E, enquanto rezava, o céu se abriu 22e o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma visível, como pomba. E do céu veio uma voz: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu benquerer”.

Missão de batizados

João Batista veio preparar o caminho do Messias, realizando nas águas do Jordão um batismo de penitência e conversão. Os que iam a ele aguardavam o Messias e, conscientes dos próprios pecados, buscavam o perdão de Deus.

Apesar de não ter pecados, o Filho de Deus se deixa batizar por João, fazendo-se solidário com todos os sofredores arrependidos.

Após o batismo, quando estava em oração, o Espírito Santo desce sobre Jesus em forma de pomba. E, do céu que se abre, a voz do Pai proclama Jesus seu Filho bem-amado. Toda a missão de Jesus é fruto de sua união com o Pai, a qual o Evangelho de Lucas salienta, mostrando o Mestre em frequente oração. E a imagem da pomba, entre os significados que evoca, fala da bondade e do amor de Deus pela humanidade. O Espírito, que acompanhará a missão terrena de Jesus, será novamente enviado como dom em Pentecostes e continuará acompanhando os seguidores de Jesus. Com o Espírito, portanto, os cristãos continuarão a espalhar no mundo o amor de Deus.

Diferente do batismo de João será, portanto, o batismo de Jesus. O batismo de Jesus se realizará também com fogo, e é com línguas de fogo que o Espírito virá aos discípulos reunidos em Pentecostes. Pois se a água limpa, purifica dos pecados, o fogo queima, transforma nosso ser. O batismo de Jesus, no Espírito e no fogo, indicando sua missão, indica também a missão de cada cristão, batizado para espalhar o amor de Deus, para solidarizar-se com os pecadores e sofredores, para transformar as situações segundo o projeto de Deus.

Hoje é festa para reavivarmos nossa missão de batizados! Reavivemos em nós a presença do Espírito Santo, dom de Deus que nos impele como fogo a transformar o mundo. A nós, batizados, Jesus deixa o grande desafio de crescer na caminhada de fé e ajudar tantos outros irmãos a unirem-se na mesma missão.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (10/01/2016) – Editora Paulus Editora-Paulus

Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai

Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti; Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus jornaleiros.

E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 

jesus e a terra

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; 

Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se. (Lc 15, 18-24)

Em vídeo, Francisco pede oração pelo diálogo inter-religioso

Cidade do Vaticano (RV) – Em seu primeiro vídeo dedicado a divulgação de suas intenções de oração mensais, o Papa pediu ao Apostolado de Oração e a todos os homens e mulheres de boa vontade que rezem pelo diálogo inter-religioso.

A maioria dos habitantes do planeta declara-se crente. Isto deveria ser motivo para o diálogo entre as religiões, diz o Pontífice no início do vídeo ao ressaltar que a diversidade é uma riqueza.

Não devemos deixar de rezar por isso e colaborar com quem pensa de modo diferente, afirmou o Papa.

Confio em Buda. Creio em Deus. Creio em Jesus Cristo. Creio em Deus, Alá”, dizem os representantes budistas, hebreus, católicos e muçulmanos e, a seguir, o Papa recorda:

Muitos pensam de modo diferente, sentem de modo diferente, procuram Deus ou encontram Deus de muitos modos; Nesta multidão, nesta variedade de religiões, só há uma certeza que temos para todos: somos todos filhos de Deus”.

Creio no amor. Foi o que afirmaram todos os sacerdotes das diferentes religiões para que Francisco, então, confiasse as suas intenções.

Confio em vocês para difundir a minha intenção deste mês: Que o diálogo sincero entre homens e mulheres de diferentes religiões produza frutos de paz e de justiça; Confio na tua oração”.

(from Vatican Radio)

Notícia que alegra e perturba

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 2, 1-12

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, 2perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. 3Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado, assim como toda a cidade de Jerusalém. 4Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer. 5Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 6‘E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo’”.7Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. 8Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. 9Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. 10Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. 11Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. 12Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

Notícia que alegra e perturba

A festa da Epifania é a manifestação ou a revelação de Deus, por meio de Jesus, ao mundo inteiro. O Messias, nascido do seio de Maria, é a concretização das profecias do Antigo Testamento. Na Igreja primitiva, essa festa foi considerada mais importante que o próprio Natal, por trazer o anúncio de que Jesus será conhecido por todos os povos, do Ocidente e do Oriente. É o sentido da universalidade da salvação. Fixada em 6 de janeiro ou no domingo entre 2 e 8 de janeiro (como no caso do Brasil), já aponta para o fim do ciclo natalino, que se encerra com o Batismo de Jesus. 

Mateus, depois de apresentar o nascimento de Jesus em Belém, faz o relato (exclusivo desse evangelista) da visita dos magos pagãos e itinerantes que, movidos pela estrela, respondem positivamente às ações de Deus. Enquanto eles se alegram com a boa notícia, Herodes e as autoridades de Jerusalém ficam perturbados. Para estes foi uma má notícia. Ao longo de sua vida, Jesus vai encontrar rejeição dos que detêm o poder político, incredulidade dos dirigentes religiosos e acolhida dos que buscam o reino de Deus.  

Diz são Leão Magno: “Quando os três magos foram conduzidos pelo esplendor de uma nova estrela para virem adorar a Jesus, eles não o viram expulsando demônios, ressuscitando mortos, dando vista a cegos, curando aleijados, dando faculdade de falar a mudos, ou qualquer outro ato que revelava seu poder divino; mas viram um menino que guardava silêncio, confiado aos cuidados de sua mãe. Não aparecia nele nenhum sinal de seu poder, mas lhes ofereceu a visão de um grande espetáculo: sua humildade”.

A assembleia reunida e celebrante, com a pluralidade e diversidade de pessoas, reflete a universalidade da salvação proposta pela festa de hoje. Em cada celebração dominical somos envolvidos pela alegria e esperança dos magos ao verem a estrela que os orientava e conduzia. Procuremos nos deixar sempre conduzir e iluminar pela estrela Jesus, que nunca se apaga.

Pe. Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (03/01/2016) – Editora Paulus Editora-Paulus

A família não é mais aquela

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2, 22-40

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém, para a festa da Páscoa. 42Quando ele completou doze anos, subiram para a festa, como de costume. 43Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais o notassem. 44Pensando que ele estivesse na caravana, caminharam um dia inteiro. Depois começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos. 45Não o tendo encontrado, voltaram para Jerusalém à sua procura.46Três dias depois, o encontraram no templo. Estava sentado no meio dos mestres, escutando e fazendo perguntas. 47Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados com sua inteligência e suas respostas. 48Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados e sua mãe lhe disse: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura”. 49Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?” 50Eles, porém, não compreenderam as palavras que lhes dissera.51Jesus desceu então com seus pais para Nazaré e era-lhes obediente. Sua mãe, porém, conservava no coração todas estas coisas. 52E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e diante dos homens.

A família não é mais aquela

Não adianta se iludir: a família cristã não é mais aquela. E, talvez, nunca mais ela volte a ser a mesma de outrora. À semelhança da liturgia e da catequese, a família também percorre o caminho da renovação, em busca de um novo modo de ser.

Firmes precisam permanecer os valores fundamentais, como o amor, a fidelidade, a indissolubilidade – enquanto outros serão fatalmente substituídos. De maneira que a obediência dos filhos passará a ser “colaboração”. A autoridade paterna cederá o lugar ao “serviço”. Os filhos deixarão de ser propriedade da família, para se tornarem membros da comunidade.

A profissão dos filhos não será imposta pelos pais, de acordo com seus pontos de vista ou suas ambições. Os filhos é que vão optar, de acordo com suas aspirações.

A formação e a orientação dos filhos já não ocorrerão à base de sermões, preceitos e imposições, e sim de exemplos e de testemunho. Nos casos em que o testemunho de vida vier a faltar, os pais perderão toda credibilidade e os filhos acabarão tomando rumos traiçoeiros.

Os limites e os confins da nova família não serão constituídos pelas paredes domésticas; serão ampliados, segundo as aspirações exigidas pela solidariedade humana – que faz ver em cada pessoa um membro da grande família de Deus.

A coragem para se renovar e assim sobreviver, a família vai encontrá-la no exemplo da Família de Nazaré. Maria jamais considerou seu Filho como propriedade exclusiva – e nunca interferiu na perigosa missão que ele livremente assumiu. Ainda que, por causa disso, ela acabasse com o coração traspassado por uma espada de dor, ao encontrá-lo lá onde mãe nenhuma gostaria de encontrar seu filho: suspenso numa cruz.

Mas a vida cristã, do serviço e do amor, também é uma cruz. E nós vamos abraçá-la, assim como Jesus, Maria e José.

Pe. Virgílio, ssp

fonte: folheto O Domingo (27/12/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Feliz Natal!

Feliz Natal!

“Ele não recuará, apascentará com a força do Senhor e com a majestade do nome do Senhor seu Deus; os homens viverão em paz, pois ele agora estenderá o poder até aos confins da terra, e ele mesmo será a Paz.” (Mq 5,3)

feliz natalMesmo determinado a fazer com que os homens vivam em paz em toda a terra, Ele ainda é uma criança. Quietinho, repousa no berço improvisado no estábulo. Mas, na verdade, fala claramente com todos os que O visitam… É só chegar a Belém percorrendo o único caminho: aquele no qual havia um profeta reverberando contra as injustiças, insistindo em que se aplainassem os montes e se endireitassem os caminhos… Os que fizeram sua parte e tornaram menos árida a caminho para os outros que virão depois, chegam e se aproximam. Olham-no e falam com Ele no próprio coração. E, se forem homens e mulheres de boa vontade, levarão, também no coração Suas palavras…

Ao primeiro Ele diz: ‘Meu Pai fez os rios para que toda sede fosse saciada; pôs nele os peixes para servir ao sustento de todos; providenciou as margens para que elas se enchessem de plantas… mas não era para colocar a ganância e a irresponsabilidade em primeiro lugar e estragar os rios com lama tóxica.”

Ao segundo Ele diz: “Meu Pai fez a terra bem grande para que os homens e mulheres de todos os tempos nela pudessem plantar e colher. Permitiu que cada grupo falasse sua língua e vestisse suas roupas para que o mundo fosse cheio de sons e de cores… mas não era para separar os grupos com muralhas, nem com guardas armados, principalmente quando os pequenos, impotentes diante dos poderosos, precisassem sair do seu lugar e ir para outro a fim de continuar a vida.”

Ao terceiro Ele diz: “Meu Pai achou bom que uns governassem os outros para que pusessem a serviço sua sabedoria e guiassem os que precisam encontrar seu caminho… mas não era para que se tornassem usurpadores, corruptos, cruéis e amealhassem para seus cofres o que falta à mesa dos governados.”

Ao quarto Ele diz: “Meu Pai permitiu que a inteligência desenvolvesse artefatos e que o gênio frutificasse em inventos que revelassem as inúmeras faces da imagem e semelhança d’Ele na humanidade… mas não era para construir armas poderosas capazes de destruir em segundos o que levou séculos para ser construído”.

A todos, sem exceção, Ele diz: “Meu Pai não se cansa de sonhar e esperar que todo mal se acabe e a terra e seus habitantes voltem a ser bons… E, se for preciso, não hesitará em sacrificar-Me por isso… Mas deverá isso repetir-se, ininterruptamente, até o fim dos tempos? Ou poderei contar com os que se encantam com a minha vinda para construir a paz?”

A quem ouve cada uma dessas palavras e as guarda no seu coração, um Feliz Natal!

Maria Elisa Zanelatto 
dezembro 2015

A alegria do encontro

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 1,39-45

Naqueles dias, Maria partiu para a região montanhosa, dirigindo-se, apressadamente, a uma cidade da Judéia. 40Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel. 41Quando Isabel ouviu a saudação de Maria,
a criança pulou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo. 42Com um grande grito, exclamou: ‘Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!’ 43Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? 44Logo que a tua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança pulou de alegria no meu ventre. 45Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu.’

A alegria do encontro

A liturgia, na proximidade do Natal, propõe-nos o episódio da visita de Maria a Isabel, convidando-nos a participar, em certo sentido, deste encontro marcado pela alegria de duas mulheres maravilhosamente grávidas: uma idosa e estéril e a outra virgem.

O encontro nos permite olhar a figura de Isabel, mulher humilde que reconhece não ser digna de receber a visita daquela que trazia no ventre o Salvador. Humildade e fé que nos levam a perguntar: “Como podemos merecer que a mãe do Salvador venha, ainda hoje, nos visitar?”

Maria, nas palavras de Isabel, é a mulher bem-aventurada porque acreditou. Porque acreditou, Maria permitiu que Deus agisse nela e por meio dela enviasse seu Filho ao mundo. E nos perguntamos se nossa fé está sendo, como a de Maria, fé ativa que nos transforma em instrumentos de Deus para que Jesus continue a visitar o mundo com sua paz.

Mas o encontro das duas mulheres é também o encontro de dois filhos ainda no ventre materno. Encontro preparado por Deus, santificado pela presença do Espírito Santo, que traz grande alegria a Isabel; encontro no qual João Batista, mesmo sem voz, anuncia profeticamente a vinda e a presença de Jesus com um pulo de alegria no ventre da mãe.

E o que é este tempo que vivemos, às portas do Natal, senão o tempo para reconhecer a presença de Deus entre nós, revelando-se sobretudo no meio da gente mais simples, numa idosa que se alegra ou numa jovem que parte pelas montanhas no desejo de um encontro?

O Salvador não nasceu em palácio de rei, não veio a nós em cortejo triunfante, mas encarnou-se na pobreza humana, contando com gente simples como Maria de Nazaré.

Continuar a missão de Jesus é ajudar a transformar a realidade segundo o plano de Deus, assumindo a fé, a humildade e a simplicidade de Maria e Isabel.

Que alegria poder encontrar em cada ser humano o rosto do menino filho de Maria!

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (20/12/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Que devemos fazer?

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 3,10-18

Naquele tempo, 10as multidões perguntavam a João: “Que devemos fazer?” 11João respondia: “Quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem; e quem tiver comida faça o mesmo!” 12Foram também para o batismo cobradores de impostos e perguntaram a João: “Mestre, que devemos fazer?” 13João respondeu: “Não cobreis mais do que foi estabelecido”. 14Havia também soldados que perguntavam: “E nós, que devemos fazer?” João respondia: “Não tomeis à força dinheiro de ninguém nem façais falsas acusações; ficai satisfeitos com o vosso salário!” 15O povo estava na expectativa e todos se perguntavam no seu íntimo se João não seria o Messias. 16Por isso, João declarou a todos: “Eu vos batizo com água, mas virá aquele que é mais forte do que eu. Eu não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. 17Ele virá com a pá na mão: vai limpar sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas a palha, ele a queimará no fogo que não se apaga”. 18E ainda de muitos outros modos João anunciava ao povo a boa-nova.

Que devemos fazer?

João Batista anuncia a vinda de Jesus e aponta uma maneira prática de recebê-lo. A pergunta dirigida também a nós e que nunca podemos esquecer é esta: o que devemos fazer? João propõe um compromisso a cada grupo que o procura. Não exige de todos a mesma atitude. Em seu entender, a melhor maneira de preparar o caminho para Jesus é empenhar-se por uma sociedade solidária, justa e não violenta.

Ao povo que vem até ele, diz que é necessário ser solidário com os necessitados: quem tem deve repartir com quem não tem. A partilha é fundamental para que se estabeleça a justiça divina e todos tenham condições de vida digna.

Aos cobradores de impostos, João os convida a praticar a justiça: não cobrar além do estabelecido. A honestidade e a ética não podem ser esquecidas em nenhuma administração, pública ou privada.

Aos soldados, responde que é preciso evitar agir com violência: não mal-tratar nem fa­zer acusações falsas. A violência e a força opressora nunca foram so­lução para a paz. Abuso de poder e acusação falsa destroem a fraternidade comunitária e corroem a democracia.

Como podemos ver, João não se dirige às vítimas da realidade opressora, mas dirige-se antes “aos que têm duas túnicas e podem comer, aos que enriquecem de maneira injusta à custa de outros, aos que abusam do poder e da força” (Pagola). As respostas do Batista, bem claras e concretas, questionam também a sociedade contemporânea. Por trás da proposta do profeta está a questão do uso da riqueza e do poder. João convoca as pessoas à conversão pessoal, sim, mas principalmente à conversão social, de modo que tenham fim as injustiças praticadas contra os direitos dos pobres e dos indefesos. A conversão desejada não elimina apenas os vícios pessoais, mas também os pecados sociais.

E a nós, o que João nos responderia ao perguntarmos: o que devemos fazer?

Essa pergunta sempre deve permanecer em nosso horizonte pessoal e comunitário.

Pe. Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (13/12/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Papa: Ano da Misericórdia para caminhar na estrada da salvação

Papa: Ano da Misericórdia para caminhar na estrada da salvação

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco rezou o oração mariana do Angelus deste domingo (06/12), com os fieis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

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Na alocução que precedeu a oração, o pontífice disse que:

“neste II Domingo de Advento a liturgia nos insere na escola de João Batista que pregava um batismo de conversão para o perdão dos pecados.

Nós talvez nos perguntamos:

Por que devemos nos converter?

A conversão diz respeito a quem era ateu e passou a crer, quem era pecador e se tornou justo, mas nós não precisamos, pois já somos cristãos?

Pensando assim, não percebemos que devemos nos converter desta presunção”.

O Papa nos convidou a fazer a seguinte pergunta:

É verdade que nas várias situações e circunstâncias da vida temos em nós os mesmos sentimentos de Jesus?

Por exemplo, quando sofremos uma injustiça ou uma afronta, conseguimos reagir sem ressentimento e perdoar de coração a quem nos pede desculpa?

Quanto é difícil perdoar!, frisou Francisco.

“A voz de João Batista grita ainda nos desertos atuais da humanidade, que são as mentes fechadas e os corações endurecidos, e nos leva a nos perguntar se efetivamente estamos percorrendo o caminho justo, vivendo uma vida segundo o Evangelho?

Hoje, como naquela tempo, ele nos adverte com as palavras do Profeta Isaías: ‘Preparem o caminho do Senhor’, disse o Papa acrescentando:

“É um convite urgente a abrir o coração e acolher a salvação que Deus nos oferece incessantemente, quase com teimosia, porque nos quer livres da escravidão do pecado.

Mas o texto do profeta dilata aquela voz, preanunciando que todo homem verá a salvação de Deus.

A salvação é oferecida a toda pessoa, a todo povo, ninguém está excluído. Nenhum de nós pode dizer: Eu sou santo, sou perfeito, já estou salvo

Devemos sempre receber esta oferta da salvação.

É para isso o Ano da Misericórdia: para caminhar nesta estrada da salvação, estrada que Jesus nos ensinou.

Deus quer que todos os homens sejam salvos por meio de Jesus Cristo, único mediador.” 

Segundo Francisco,

cada um de nós é chamado a anunciar Jesus aos que ainda não o conhecem.

Isso não é proselitismo. É abrir uma porta.

Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!, dizia São Paulo”.

Se o Senhor Jesus mudou a nossa vida, como não sentir o desejo de anunciá-lo a quem encontramos no trabalho, na escola, no bairro, no hospital, nos lugares de encontro?

Se olhamos ao nosso redor, encontramos pessoas que estão dispostas a começar ou a recomeçar um caminho de fé, se encontram cristãos apaixonados por Jesus.”

O Papa nos convidou a fazer a pergunta:

Sou apaixonado por Jesus?

Estou convencido de que Jesus me oferece e me dá a salvação?

Se sou apaixonado devo anunciá-lo, mas temos de ser corajosos e abaixar as montanhas do orgulho e da rivalidade, encher os poços cavados pela indiferença e apatia, endireitar os caminhos de nossas preguiças e de nossos compromissos.”

Francisco concluiu pedindo à “Virgem Maria para que nos ajude a quebrar as barreiras e os obstáculos que impedem a nossa conversão, o nosso caminho rumo ao Senhor. Só Ele pode realizar todas as esperanças do ser humano”. (MJ)

fonte: Vatican Radio

http://www.news.va/pt/news/papa-ano-da-misericordia-para-caminhar-na-estrada

Construir o Reino: Nossa Responsabilidade!

Evangelho de Jesus Cristo segundo João 18,33-37

Naquele tempo, 33Pilatos chamou Jesus e perguntou-lhe: “Tu és o rei dos judeus?” 34Jesus respondeu: “Estás dizendo isso por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?” 35Pilatos falou: “Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?” 36Jesus respondeu: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui”. 37Pilatos disse a Jesus: “Então tu és rei?” Jesus respondeu: “Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz”.

Construir o Reino: Nossa responsabilidade!

O meu reino não é deste mundo.” Eis uma afirmação de Jesus que, por séculos, levou a práticas de fuga das responsabilidades. Afinal, se o reino de Cristo é para o outro mundo, depois da nossa morte, não há razão para perder tempo com este, dar-lhe algum valor, procurar modificá-lo. Com base nessa interpretação, ainda hoje cristãos e cristãs se fecham em práticas devocionais desligadas da realidade, considerando o que é “deste mundo” como pecado. Nada mais distante das palavras e do ensinamento de Jesus.

O reino de Deus, do qual Cristo é o rei, é um reino onde imperam valores originados no amor, que é o próprio Deus. Ao longo de sua presença no mundo, Jesus anunciou e viveu tais valores. As bem-aventuranças são um manancial de buscas e práticas, de valores que se contrapõem aos impérios sob os quais ainda vivemos hoje.

E o que dizer de Jesus, sob cuja palavra assumimos o serviço ao outro como precondição de nossa vida? Nada mais contraditório ao império do eu, tão buscado na sociedade contemporânea, onde o outro deve ser derrubado para que o eu chegue ao poder.

É quase unânime a ideia de que estamos vivendo uma crise final nesta civilização e caminhando rumo a outro modelo civilizacional a ser construído. Entretanto, até mesmo alguns pensadores não cristãos afimam que a nova civilização tem de vir acompanhada pelos valores cristãos da caridade, do amor, da dedicação, da busca da justiça, na humildade. E caso tais valores não estejam presentes, teremos mais barbárie que civilização. Eis então a imensa responsabilidade dos cristãos e cristãs: buscar fazer que os valores do reino sejam os distintivos da nova civilização, daquela que pode e deve ser a Civilização do Amor.

E aí se incluem os cristãos leigos e leigas que, pelo batismo, são chamados a ser cidadãos, tanto na Igreja como no mundo.

Que os cristãos leigos e leigas assumam, cada vez mais, a função de serem a Igreja no coração do mundo e o mundo no coração da Igreja.

Carlos Signorelli

fonte: folheto O Domingo (22/11/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Vivermos como “benditos do Pai”

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,1-12

Naquele tempo, 1vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2e Jesus começou a ensiná-los: 3“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. 4Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.5Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. 12Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Vivermos como “benditos do Pai”

A celebração da memória dos falecidos é grande oportunidade para séria e profunda autorreflexão sobre o que estamos fazendo com a nossa vida, como estamos conduzindo os nossos dias e, portanto, como estamos vivendo a nossa relação com Deus e com as pessoas. É no encontro com cada uma das pessoas que se joga o nosso destino final ou eterno: usamos ou não de caridade e misericórdia com elas? Será essa a única matéria em exame no juízo final. Seremos julgados pela nossa atitude diante da pessoa de Jesus, que se identifica com os pequeninos de Deus: “Foi a mim que o fizestes” ou “foi a mim que não o fizestes”.

E quais são as nossas atitudes, segundo Jesus, que decidirão se iremos “para o castigo eterno” ou “para a vida eterna”? Ei-las: “Eu estava com fome e me destes de comer, eu estava com sede e me destes de beber, eu era estrangeiro e me recebestes em casa, eu estava nu e me vestistes, eu estava doente e cuidastes de mim, eu estava na prisão e fostes me visitar”.

Estejamos atentos, pois os pecados de omissão e indiferença também serão objeto de juízo. E, também, não bastará praticarmos tudo isso apenas por medo do juízo implacável de Deus que poderá resultar em nossa condenação eterna. O amor, a caridade, a compaixão e a misericórdia para com as pessoas é que devem nos mover para a prática do bem. Nesse sentido, são sábias e oportunas as palavras da bem-aventurada Madre Teresa de Calcutá:

“Não sei ao certo como é o paraíso, mas sei que, quando morrermos e chegar o tempo de Deus nos julgar, ele não perguntará: Quantas coisas boas você fez em sua vida? Antes, ele perguntará: Quanto amor você colocou naquilo que fez?”

Aproveitemos de todas as oportunidades que o Senhor nos concede vida afora para vivermos, aqui e depois daqui, como “benditos do Pai” e para merecermos a “coroa da vitória” destinada àqueles que lhe são sempre fiéis.

Pe Antônio Lúcio, ssp 

fonte: folheto O Domingo (02/11/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Felicidade

Mateus 5,1-12

Naquele tempo,1 vendo Jesus as multidões, subiu ao monte e sentou-se. Os discípulos aproximaram-se, 2 e Jesus começou a ensiná-los: 3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. 4 Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados. 5 Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra. 6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. 7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. 8  Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. 9 Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. 10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. 11 Bem-aventurados sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. 12 Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus”.

Felicidade

Na solenidade de Todos os Santos são proclamadas as bem-aventuranças de Jesus, pois aqueles que chegaram à santidade são para nós inspiração e modelo de felicidade.

As pessoas, hoje como sempre, infelizmente valem pelas riquezas que têm, pelos cargos que ocupam. A felicidade é anunciada e buscada a todo custo, pela lei do menor esforço, sobretudo como prosperidade econômica. E isso acontece também em igrejas que se dizem cristãs, mesmo depois de Jesus ter proclamado o Sermão da Montanha, que vai exatamente no sentido contrário. Jesus diz que felizes são os pobres em espírito, os que sentem a pobreza na pele, os que renunciam à cobiça, os simples e pequenos, os que estão vazios de tudo e só têm a Deus como defensor.

Renunciando à busca da felicidade que se identifica com comodidade ou mero bem-estar, os pobres entram em outra dinâmica: a lógica do reino de Deus. Neste reino, felicidade é buscar a justiça divina, que supera em tudo o legalismo e a hipocrisia humana. A felicidade do reino é a que dura pela eternidade, mas necessariamente começa neste mundo. Ela consiste em se desgastar pelos outros, em sofrer e chorar com os outros e pelos outros, em construir juntos a paz. É a felicidade que se identifica com o perdão, porque a graça de Deus é infinita diante de nossos erros. Que se identifica com a perseverança em face das calúnias, tribulações e perseguições. Que se identifica com a solidariedade, quando um mendigo nos interpela na calçada e nos recorda que, diante de Deus, somos todos mendigos.

Na dinâmica do reino, a felicidade é algo que se conquista seguindo o exemplo do Mestre: doando a própria vida por amor, em tudo o que isso comporta de sofrimento. Olhando para todos os santos, renovamos hoje a esperança de que o amor que vivemos e doamos aqui seja aceito por Deus. Pois só levaremos para a eternidade o amor que tivermos deixado aqui. Que ele torne plena nossa vida e eternize nossa felicidade.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (01/11/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Deixai vir os meninos a mim

coração x cerebro

Evangelho de Jesus segundo Marcos 10,13-16

“E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhos traziam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele. E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.”

O Bem que nos une

Marcos 9, 38-43.45,47-48

Naquele tempo: 38 João disse a Jesus: ‘Mestre, vimos um homem expulsar demônios em teu nome. Mas nós o proibimos, porque ele não nos segue’. 39 Jesus disse: ‘Não o proibais, pois ninguém faz milagres em meu nome para depois falar mal de mim. 40 Quem não é contra nós é a nosso favor. 41 Em verdade eu vos digo: quem vos der a beber um copo de água, porque sois de Cristo, não ficará sem receber a sua recompensa. 42 E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço. 43 Se tua mão te leva a pecar, corta-a! É melhor entrar na Vida sem uma das mãos, do que, tendo as duas, ir para o inferno, para o fogo que nunca se apaga. 45 Se teu pé te leva a pecar, corta-o! É melhor entrar na Vida sem um dos pés, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno. 47 Se teu olho te leva a pecar, arranca-o! É melhor entrar no Reino de Deus com um olho só, do que, tendo os dois, ser jogado no inferno, 48 ‘onde o verme deles não morre, e o fogo não se apaga”

O Bem que nos une

Ao proibir alguém de fazer o bem em nome de Jesus, João imaginava que o grupo dos seguidores possuía o monopólio das boas ações propostas pelo Mestre. A resposta de Jesus, porém, convida os discípulos a rever tal atitude de fechamento, a fim de abrir-se a todos os que estavam a favor dele, para acolher e apoiar todas as ações de bondade que se faziam em seu nome.

Ninguém, nenhum grupo, tem o monopólio da missão de Jesus. Pois o Mestre não veio formar um grupo fechado, mas propor a todos um caminho diferente, que leva a fazer o bem e a reconhecer o bem, não importa de onde venha. Jesus garante, aliás, que não ficarão sem recompensa aqueles que, com os menores gestos, fizerem o bem aos que se declararem a favor dele.

As palavras de Jesus – “quem não é contra nós é a nosso favor” – pedem então séria revisão de nossa caminhada cristã. Será que a Igreja, concretamente nossas comunidades, em seus planos pastorais e nas opções que faz, tem acolhido as boas ações de quem está fora? Antes disso, aliás, vale perguntar por que tantos hoje estão “fora”, dizendo que “descobriram Jesus” apenas quando trocaram a Igreja católica por outra denominação ou religião.

São duras as palavras de Jesus para quem escandaliza “um destes pequeninos que creem”. Provocar escândalo é fazer o outro tropeçar e cair. E nos perguntamos se a atitude de fechamento, que não aceita a bondade que vem de fora, que imagina um grupo seleto de bons e privilegiados, não seria uma pedra de tropeço para os pequeninos, os menores pelos quais Jesus manifestou amor sem igual.

Daí o convite a cortar o que em nós impede a caminhada rumo à vida do reino de Deus. Não se trata, literalmente, de cortar mão, pé e olho, mas de eliminar pela raiz mentalidades e atitudes egocêntricas, mesquinhas e excludentes.

Uma Igreja que se fecha em si, que não se deixa interpelar pelos problemas e sofrimentos dos menores, é uma Igreja que trai a missão de Jesus. São tantos hoje a nosso favor, a quem acolher e apoiar e de quem aprender.

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (02/11/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus