O que está no coração

O que está no coração

No tempo de Jesus, os grandes mandamentos de liberdade e vida, que Deus havia deixado no Sinai por meio de Moisés, tinham se transformado num conjunto bastante complexo de regras, que os evangelhos chamam de “tradição dos antigos” ou “tradição humana”.

O que estava por trás dessas regras era a preocupação de manter-se puro diante de Deus. Não se tratava, portanto, apenas de questão de higiene. Por trás da obsessão por lavar utensílios e fazer abluções, estava o medo de contaminar-se, por exemplo, com objetos usados por quem não era judeu – e, portanto, por quem era considerado impuro.

Os entendidos de religião (mestres da lei e fariseus) criticam Jesus, pois ele parecia não se importar muito com a “tradição dos antigos”, já que não exigia dos discípulos o cumprimento daquelas regras que visavam manter a pureza religiosa. E então a resposta de Jesus revela a hipocrisia escondida em quem, para seguir uma tradição humana, acabava abandonando o mandamento de Deus.

Chamar ao mandamento de Deus é o que Jesus veio fazer. O mandamento original, do êxodo, quando um povo escravo e sem terra encontrou forças num Deus que caminhava junto rumo a uma vida nova, de justiça, liberdade e fraternidade.

Não por acaso, Jesus começou sua missão pública nos bolsões da miséria, junto aos doentes que a religião considerava impuros e malditos. E tocando os considerados impuros, Jesus os purificava com gestos e as palavras, rejeitando esquemas religiosos que separavam as pessoas. Para Jesus, nada do que vem de fora pode tornar alguém impuro. A única impureza que contamina é a que está no íntimo do ser humano, no coração, que é o centro dos sentimentos e das decisões. E não pode tornar-se impuro, ou tornar alguém impuro, quem se aproxima e acolhe por amor.

Jesus nos convida a viver uma religião sem hipocrisia. Como é importante honrar e louvar a Deus com os lábios! Igualmente importante, no entanto, é ter um coração repleto de sentimentos nobres, capaz de espalhar o bem.

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (30/08/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Festa do Peão de Barretos

Festa do Peão de Barretos

Boa tarde irmãos e irmãs em Cristo.

Agradeço a Deus por ter a oportunidade de receber mensalmente esta CARTA redigida pelo nosso amigo e irmão Pe Beraldo, para mim sem sombra de dúvida é um instrumento de reflexão e faz parte do alicerce para fomentar minha FÉ, ORAÇÃO e AÇÃO.

festa de peãoQuero partilhar com alegria os momentos que eu e a Eva minha esposa vivemos neste final de semana na Festa do Peão em Barretos. Pela primeira vez tivemos oportunidade de estar nesta festa a Convite da Diretoria do HC de Barretos.  No sábado assistimos ao Show do cantor americano e sua banda Garth Brooks, que em gesto de generosidade e caridade dou 100% da renda em prol do Hospital de Barretos, inclusive as despesas de viagens dele e sua banda por conta dele.

A GENEROSIDADE não tem fronteiras, assim como nós em encerramentos de Cursilhos, Encontros e Retiros vivemos momentos de fortes emoções, pudemos sentir como se fosse um encerramento de um Cursilho, quando ao final do Show o Presidente do HC de Barretos, que podemos dizer, um homem de DEUS,por tudo que ele vem fazendo frente ao Hospital. Motivou para que numa só voz, pudéssemos agradecer ao Garth com a oração do PAI NOSSO, mais de 50.000 pessoas ecoaram suas vozes nesta oração.

DE COLORES!

CRISTO CONTA CONTIGO!

 Miguel Weber

O silêncio

O silêncio

O Missal Romano sugere inúmeros momentos de silêncio na Missa. No ato penitencial, o sacerdote e os fiéis fazem juntos um momento de silêncio antes da oração ” Confesso…”. Na oração do dia, “todos se conservam em silêncio com o sacerdote por alguns instantes”. Convém que tais momentos de silêncio sejam observados, antes de iniciar a Liturgia da Palavra, após a primeira e segunda leitura, ao término da homilia” (IGMR 56). A recomendação ao silêncio na missa é similar ao refrão de resposta de uma ladainha. O silêncio sagrado é um dos elementos significativos da celebração (cf. IGMR 45).

A ação litúrgica com sua sequência “de breves momentos de silêncio” é um desafio para os dias atuais. Para quem está habituado ao barulho social de nossa época, é difícil perceber o silêncio da liturgia como “espaço de tempo habitado pela presença do mistério”. “Não podemos descuidar do silêncio da liturgia” apelava são João Paulo II. O silêncio com músicas ou comentários supérfluos é encobrir o essencial.

O silêncio faz parte do universo simbólico e poético da comunicação humana e litúrgica. Seu cultivo é uma arte tanto quanto o bem falar. O silêncio é parte da linguagem do mistério e do amor. É no silencio que germinam os sentimentos que transformam em palavras, gestos, atitudes, e experiências vitais de amor, alegria, paz, justiça, gratidão, fortaleza, liberdade, como também medo, tristeza e angústia. É no silêncio que se elabora a oração de louvor, de súplica e de perdão. É por meio da experiência do silêncio que as pessoas participam na inteireza do ser.

A assembleia mergulhada nos breves espaços de silêncio, previstos no ritual da celebração, experimenta a ação vigorosa e suave do Espírito, abre a mente, eleva o coração em oração e vivencia a liturgia como dom que vem do Senhor.

O silêncio orante e participativo é fruto de exercício, de abertura e acolhida do mistério de Deus. É fruto do cultivo da sensibilidade ao sagrado. O silêncio é uma atitude de espírito que inspira a missão.

Frei Faustino Paludo
Assessor de liturgia da CNBB

fonte: folheto O Domingo (09/08/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Jesus sacia a fome e a sede

Eu sou o pão da vida – Jo 6,24-35

Quando a multidão percebeu que Jesus não estava aí, nem os seus discípulos, entraram nos barcos e foram procurar Jesus em Cafarnaum. Encontrando-o do outro lado do mar, perguntaram- lhe: “Rabi, quando chegaste aqui?”. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, vos digo: estais me procurando não porque vistes sinais, mas porque comestes pão e ficastes saciados. Trabalhai não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece até à vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois a este, Deus Pai o assinalou com seu selo”. Perguntaram então: “Que devemos fazer para praticar as obras de Deus?”. Jesus respondeu: “A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou”. Eles perguntaram: “Que sinais realizas para que possamos ver e acreditar em ti? Que obras fazes? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: ‘Deu-lhes a comer o pão do céu’”. Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade, vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu. É meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do céu. Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”. Eles então pediram: “Senhor, dá-nos sempre desse pão!”. Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede”.

Jesus sacia a fome e a sede

Parece que a multidão não entendeu muito bem o gesto da multiplicação ou da partilha realizado por Jesus: foi visto apenas como saciedade da fome biológica. Por isso, o evangelho introduz o discurso de Jesus sobre o pão da vida, pronunciado na sinagoga de Carfanaum: “Trabalhem pelo alimento que dura para a vida eterna, alimento que o Filho do homem dará a vocês“. A multiplicação deve ser vista como sinal: o acesso ao pão de cada dia conduzindo com Jesus e seu projeto.

Cada um procura Jesus por um motivo ou outro. Mas devemos evitar procurá-lo apenas quando temos alguma dificuldade pessoal, par satisfazer apenas “a minha” necessidade, para resolver “o meu” problema.

Sabemos que o pão material é importante para sobrevivência e uma necessidade básica do ser humano. Mas a pessoa carece de algo mais, de outro alimento: aquele que Jesus nos oferece, que sacia a fome de vida. Não se pode investir apenas no transitório, no perecível, no que não cria raízes nem consistência e, por isso, deixa a pessoa fragilizada e prostrada diante de qualquer adversidade. É preciso investir no essencial, naquilo que humaniza, torna a pessoa firme no seguimento de Jesus e solidária com os outros em suas necessidades.

Entrar na barca significa seguimento e convivência com os outros que estão nela. Entrar na barca com Jesus não significa apenas participar de algumas celebrações semanais ou rezar o terço de vez em quando. Entrar na barca é trilhar os passos de Jesus; é alimentar-nos do alimento da vida eterna que ele nos oferece. Alimento que sacia definitivamente nossa fome de justiça, paz, esperança, solidariedade e fraternidade.

Jesus é o pão da vida eterna, o alimento que não perece, que nos comunica Deus, nos abre ao seu amor e nos leva a amar os irmãos e as irmãs. A fé é a porta de entrada nesse dinamismo.

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (02/08/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

O que é necessário para voltar a Igreja Católica?

O que é necessário para voltar a Igreja Católica?

Existe um princípio canônico que afirma que uma vez católico, sempre católico, ou seja, se a pessoa foi batizada, frequentou os sacramentos e, por alguma razão, afastou-se, mesmo assim continua católico.

Para voltar a frequentar a Igreja, aproximar-se dos sacramentos e voltar a viver plenamente a fé católica, deve fazer um bom exame de consciência, procurar um sacerdote e confessar-se. Uma vez perdoado e sabendo o que significa a Eucaristia, seu valor e importância na vida do cristão, poderá também aproximar-se desse sacramento. O Código de Direito Canônico é bem claro a esse respeito:

Cân. 912 Qualquer batizado, não proibido pelo direito, pode e deve ser admitido à sagrada comunhão.

Um ato prudente seria inserção dessa pessoa nas atividades paroquiais, pois a Igreja Católica existe na comunidade. E ainda num curso de preparação para a Confirmação (Crisma), caso ainda não tenha sido. Desta forma, terá recebido os três sacramentos da iniciação cristã.

Lembrando ainda que os sacramentos são para aquelas pessoas que querem se santificar. Os sacramentos são “para os homens”, desta forma, as portas estão abertas para receber de volta os filhos que partiram, mas que nunca deixaram de ser filhos da Santa Mãe Igreja.

fonte: https://padrepauloricardo.org/

Francisco: Amor, melhor configuração do discípulo missionário

Francisco: Amor, melhor configuração do discípulo missionário

Assunção (RV) – “Como não sonhar com uma Igreja que espelhe e repita, na vida cotidiana, a harmonia das vozes e do cantos!”, exclamou o Papa, ao dirigir-se aos bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas e movimentos católicos, reunidos para a celebração das Vésperas na Catedral de Assunção, último compromisso do Santo Padre no sábado (11/7).

papa no paraguai

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“Fazemo-lo nesta catedral que tantas vezes teve de ser começada de novo; esta catedral é sinal da Igreja e de cada um de nós: às vezes, as tempestades de fora e de dentro obrigam-nos a pôr de lado o que se construiu e começar de novo. Sempre, porém, com a esperança em Deus; e, se olharmos para este edifício, sem dúvida Ele não decepcionou os paraguaios. Porque Deus nunca desilude! E por isso O louvamos agradecidos”.

Na oração, cada um de nós quer tornar-se cada vez mais parecido com Jesus, observou o Pontífice. A oração traz à superfície aquilo que vivemos ou deveríamos viver na existência diária; pelo menos uma oração que não queira ser alienante ou apenas preciosista:

“A oração dá-nos impulso para pôr em ação ou examinar-nos sobre o que rezamos nos Salmos: nós somos as mãos de «Deus, que levanta o pobre da miséria» e somos quem trabalha para que esterilidade com a sua tristeza se transforme em campo fértil. Cantando que «muito vale aos olhos do Senhor a vida dos seus fiéis», somos os que lutam, pelejam, defendem o valor de toda a vida humana, desde o nascimento até os anos serem muitos e poucas as forças. A oração é reflexo do amor que sentimos por Deus, pelos outros, pelo mundo criado; o mandamento do amor é a melhor configuração do discípulo missionário com Jesus”.

Estar agarrados a Jesus dá profundidade à vocação cristã, que – interessada no «agir» de Jesus, que engloba muito mais do que as atividades – procura assemelhar-se a Ele em tudo o que realiza. A beleza da comunidade eclesial nasce da adesão de cada um dos seus membros à pessoa de Jesus, formando um «conjunto vocacional» na riqueza da diversidade harmônica.

“É belo ver-vos a colaborar pastoralmente, partindo sempre da natureza e função eclesial de cada uma das vocações e carismas. Quero exortar-vos a todos – sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e seminaristas – a que vos empenheis nesta colaboração eclesial, especialmente a partir dos planos de pastoral das dioceses e da Missão Continental, cooperando com toda a disponibilidade possível para o bem comum. Se a divisão entre nós provoca a esterilidade (cf. Evangelii gaudium, 98-101), não há dúvida que, da comunhão e da harmonia, surge a fecundidade, porque estão em profunda consonância com o Espírito Santo”.

“Todos temos limitações, disse o Papa. Ninguém pode reproduzir totalmente Jesus Cristo. E, embora cada vocação se conforme de maneira mais saliente com este ou aquele traço da vida e obra de Jesus, há alguns elementos comuns e indispensáveis a todas”. Não fazer alarde é uma característica de toda vocação cristã. Neste sentido, “quem foi chamado por Deus não se pavoneia, nem corre atrás de reconhecimentos ou aplausos efêmeros; não sente ter subido de categoria, nem trata os outros como se estivesse num degrau superior”.

Todo o consagrado deve estar configurado com Aquele que, na sua vida terrena, “por entre orações e súplicas, com grande clamor e lágrimas”, alcançou a perfeição quando aprendeu, sofrendo, o que significava obedecer. E isto também é parte da nossa vocação.

“Sempre que rezamos, somos feitos de novo por Deus, firmes como um campanil, felizes por divulgar as maravilhas de Deus. Partilhemos o Magnificat e deixemos o Senhor fazer, através da nossa vida consagrada, grandes coisas no Paraguai”, concluiu Francisco. (JE)

fonte: News-va – 12/07/2015
http://www.news.va/pt/news/francisco-amor-melhor-configuracao-do-discipulo-mi

Papa: Uma educação que forme espírito crítico, capaz de cuidar do mundo atual

Papa: Uma educação que forme espírito crítico, capaz de cuidar do mundo atual

Quito (RV) – Neste terceiro dia em solo equatoriano, após presidir uma missa no Parque do Bicentenário em Quito para milhares de fieis, o Papa Francisco encontrou o mundo da educação do Equador. Após uma pausa para o almoço e breve descanso na Nunciatura, o Santo Padre dirigiu-se à Pontifícia Universidade Católica do Equador, fundada em 1946, de propriedade da Arquidiocese de Quito, e confiada aos jesuítas desde sua fundação.

papa no equador

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O encontro foi realizado num campo com capacidade para acolher cerca de cinco mil pessoas. Na acolhida de Francisco, não faltaram bênçãos a crianças e doentes, selfies, abraços e muitos, muitos buquês e pétalas de flores, forma que os equatorianos têm de expressar sua afeto e carinho por uma pessoa que lhes é muito cara.

Ao som de cantos, Francisco foi acolhido pelo Reitor do Ateneu e saudado pelo Bispo de Loja e Presidente da Comissão Episcopal para a Educação e a Cultura, Dom José Espinoza Mateus. Após a entrega de dons, foi rezada uma oração de São Miguel Febres Cordero FSC, educador equatoriano falecido em 1854, seguida pelos testemunhos de uma estudante, de uma professora e do reitor da Universidade de Cuenca. Após, proferiu o seu quinto pronunciamento desta primeira etapa da viagem à América Latina.

Para ilustrar a linha de raciocínio de seu discurso, iniciado com os verbos “cultivar e cuidar” – citados no Livro do Gênesis e na Parábola do Semeador -, Francisco usou inúmeras citações contidas na sua recente Encíclica Laudato Si. As palavras “cultivar” e “cuidar”,  “andam de mãos dadas, disse ele. Não cultiva quem não cuida, não cuida quem não cultiva. Somos convidados não somente a participar na obra criadora cultivando-a, fazendo-a crescer, desenvolvendo-a, mas também a cuidá-la, protegê-la e guardá-la”.

Francisco reitera que este convite impõe-se forçosamente, “já não como uma mera recomendação, mas como uma necessidade, devido ao mal que provocamos à terra devido ao uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou”.

A relação entre a nossa vida e a da nossa mãe terra – alertou o Papa – é uma relação que encerra uma possibilidade tanto de abertura, transformação e vida, como de destruição e morte:

“Uma coisa é clara! Não podemos continuar a desinteressar-nos da nossa realidade, dos nossos irmãos, da nossa mãe terra.

Não nos é lícito ignorar o que está a acontecer ao nosso redor, como se determinadas situações não existissem ou não tivessem nada a ver com a nossa realidade.

Não cessa de ecoar, com força, esta pergunta de Deus a Caim:

«Onde está o teu irmão?»

Eu me interrogo se a nossa resposta continuará a ser:

«Sou, porventura, guarda de meu irmão?» (Gn 4, 9)”.

O Papa observou, que neste contexto universitário, seria bom se interrogar sobre a nossa educação a respeito desta terra que clama ao céu. Os nossos centros educativos – disse ele – são uma sementeira, uma possibilidade, terra fértil que devemos cuidar, estimular e proteger. Terra fértil, sedenta de vida. E perguntou aos educadores:

“Velais pelos vossos alunos, ajudando-os a desenvolver um espírito crítico, um espírito livre, capaz de cuidar do mundo atual?

Um espírito que seja capaz de procurar novas respostas para os múltiplos desafios que a sociedade nos coloca?

Sois capazes de os estimular para não se desinteressarem da realidade que os rodeia?

Como entra, nos currículos universitários ou nas diferentes áreas do trabalho educativo, a vida que nos rodeia com as suas perguntas, interpelações, controvérsias?

Como geramos e acompanhamos o debate construtivo que nasce do diálogo em prol de um mundo mais humano?

O diálogo, esta palavra ponte, que cria pontes”.

O Papa lançou outro questionamento, para uma situação que envolve a todos, famílias, centros educativos, professores:

“Como ajudamos os nossos jovens a não olhar um grau universitário como sinônimo de maior posição, dinheiro, prestígio social? Não são sinônimos. Ajudamos a ver esta preparação como sinal de maior responsabilidade perante os problemas de hoje, perante o cuidado do mais pobre, perante o cuidado do meio ambiente?”

Dirigindo-se aos jovens presentes, “semente de transformação desta sociedade equatoriana”, Francisco observou que “este tempo de estudo não é só um direito, mas um privilégio que tendes”, chamando então a atenção para o fato dos tantos “amigos, conhecidos ou desconhecidos”, que gostariam “de ter um lugar nesta casa, mas, por várias circunstâncias, não conseguiram. Em que medida o nosso estudo nos ajuda a ser solidários com eles?”, questionou.

O Santo Padre ressaltou então o papel fundamental e essencial das comunidades educativas na construção da cidadania e da cultura. “Não basta realizar análises, descrições da realidade; é necessário gerar as áreas, espaços de verdadeira pesquisa, debates que gerem alternativas para as problemáticas especialmente de hoje”, exortou.

Perante a globalização do paradigma tecnocrático que tende a “crer que toda a aquisição de poder seja simplesmente progresso, aumento de segurança, de utilidade, de bem-estar, de força vital, de plenitude de valores, como se a realidade, o bem e a verdade desabrochassem espontaneamente do próprio poder da tecnologia e da economia”, disse o Pontífice, citando a Laudato Si:  

“Nos é pedido, com urgência, que nos animemos a pensar, a debater sobre a nossa situação atual, sobre o tipo de cultura que queremos ou pretendemos não só para nós, mas também para os nossos filhos, para os nossos netos.

Esta terra, recebemo-la como herança, como um dom, como um presente. Nos fará bem interrogarmo-nos:

Como queremos deixá-la?

Qual é a orientação, o sentido que queremos dar à existência?

Com que finalidade passamos por este mundo?

Para que lutamos e trabalhamos?”

As iniciativas individuais – disse Francisco – são sempre boas e fundamentais, mas nos é pedido para dar um passo mais: animar-nos a olhar a realidade organicamente e não de forma fragmentária; a fazer perguntas que nos envolvam a todos, uma vez que «tudo está interligado».

Francisco concluiu, fazendo uma invocação ao Espírito Santo, para ser “nosso mestre e companheiro de viagem”, fazendo-se um conosco para encontrarmos caminhos de vida nova”. (JE)

fonte: NEWS.VA

http://www.news.va/pt/news/papa-uma-educacao-que-forme-espirito-critico-capaz

Papa aos jovens: seguir o exemplo dos doadores de sangue

Papa aos jovens: seguir o exemplo dos doadores de sangue

Cidade do Vaticano (RV) – Após a Oração mariana do Angelus neste domingo (14/06/2015), na Praça São Pedro, o Papa Francisco dirigiu o seu pensamento aos doadores de sangue:

Papa Francisco

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“Hoje comemora-se o Dia Mundial dos Doadores de Sangue, milhões de pessoas que contribuem, de modo silencioso, para ajudar os nossos irmãos em dificuldade. A todos os doadores manifesto o meu apreço e convido especialmente os jovens a seguirem o seu exemplo”.

“Saúdo – disse ainda – o grupo que recorda todas as pessoas desaparecidas e asseguro a minha oração. Estou também próximo, – concluiu – a todos os trabalhadores que defendem de maneira unida o direito ao trabalho, que – reafirmou – ‘é um direito à dignidade’”.

No ano de 2004 a Organização Mundial de Saúde (OMS) instituiu o dia 14 de junho como o Dia Mundial do Doador de Sangue. O objetivo é homenagear e agradecer a todos os doadores que ajudam a salvar vidas diariamente. Na data comemora-se também o aniversário de Karl Landsteiner, Prêmio Nobel pela descoberta do sistema de grupos de sangue ABO.

O tema da campanha deste ano é “Obrigado por salvar minha vida”. A campanha está focada no agradecimento aos doadores de sangue que salvam vidas todos os dias através de suas doações e encorajam mais pessoas em todo o mundo a doar sangue voluntaria e periodicamente, com o slogan “Doe voluntariamente, doe frequentemente. Doar sangue é importante.”

O tema deste ano visa resgatar histórias de pessoas cujas vidas foram salvas através da doação de sangue, como forma de motivar doadores regulares de sangue a continuar a doar e motivar pessoas saudáveis que nunca doaram a começar a fazê-lo. (SP)

fonte:

http://br.radiovaticana.va/news/2015/06/14/papa_aos_jovens_seguir_o_exemplo_dos_doadores_de_sangue/1151458

Papa no Corpus Domini: Eucaristia é força para os débeis

Papa no Corpus Domini: Eucaristia é força para os débeis

Papa no corpus christi

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Quinta-feira, dia 4 de junho: o Papa Francisco presidiu à Missa da Solenidade do Corpo de Deus celebrada no adro da Basílica de S. João de Latrão. Na sua homilia, o Santo Padre introduziu, desde logo, o verbo desagregar:

“Desagregamo-nos quando não somos dóceis à Palavra do Senhor, quando não vivemos a fraternidade entre nós, quando competimos para ocupar os primeiros lugares, quando não encontramos a coragem de testemunhar a caridade, quando não somos capazes de oferecer esperança. Assim desagregamo-nos”.

Segundo o Santo Padre “a Eucaristia permite-nos que não nos separemos, pois é o vínculo da comunhão, é o cumprimento da Aliança sinal vivo do amor de Cristo que se humilhou e aniquilou, para que permanecêssemos unidos.” Desta forma, Cristo quer que sejamos comunhão com os pobres e os fracos:

“O Cristo presente no meio de nós, no sinal do pão e do vinho, exige que a força do amor supere toda a laceração e, ao mesmo tempo, torne-se comunhão com o pobre, apoio para o fraco, atenção fraterna aos que se esforçam carregando o peso da vida quotidiana e estão em perigo de perder a fé”.

“E o que significa hoje para nós “padecermos”, ou seja,  diminuir a nossa dignidade cristã? “ – perguntou o Papa que respondeu logo de seguida:

“Significa deixarmo-nos atingir pelas idolatrias do nosso tempo: o aparecer, o consumir, o eu no centro de tudo; mas também ser competitivos, a arrogância como comportamento vencedor, o não dever nunca admitir ter errado ou ter necessidades. Tudo isto nos abate, nos torna cristãos medíocres, mornos, insípidos, pagãos”.

O Papa Francisco continuou a sua reflexão afirmando que “Jesus derramou o seu sangue como preço e como batismo, para que fôssemos purificados de todos os pecados”. Se bebermos dessa fonte, acrescentou, “o Sangue de Cristo nos libertará dos nossos pecados e restituirá a nossa dignidade”. E sublinhou que a Eucaristia não é um prémio para os bons mas força para os débeis:

“ Assim aprendemos que a Eucaristia não é um prémio para os bons, mas é a força para os débeis, para os pecadores, o perdão e o viático que nos ajuda a andar e a caminhar.”

O Santo Padre concluiu a sua homilia lembrando os cristãos oprimidos e perseguidos, pedindo para nos sentirmos “em comunhão com os nossos irmãos e irmãs que não têm a liberdade de expressar a sua fé no Senhor Jesus. Sintamo-nos unidos a eles: cantemos com eles, louvemos com eles, adoremos com eles. E veneremos no nosso coração aqueles irmãos e irmãs aos quais foi pedido o sacrifício da vida pela fidelidade a Cristo: o seu sangue, unido ao do Senhor, seja penhor de paz e de reconciliação pelo mundo inteiro.

Após a Eucaristia seguiu-se a Adoração do Santíssimo Sacramento e a procissão que percorreu a Via Merulana até à Praça de Santa Maria Maior onde foi dada a bênção final. (RS)

fonte: News-va
http://www.news.va/pt/news/papa-no-corpus-domini-eucaristia-e-forca-para-os-d

“Leigos não precisam de Bispo-piloto, mas de Bispo-pastor”

“Leigos não precisam de Bispo-piloto, mas de Bispo-pastor”

assembleia

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Cidade do Vaticano (RV) – Na tarde de segunda-feira (18/05) o Papa abriu a 68ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, CEI, na Sala do Sínodo, no Vaticano. O tema do encontro dos bispos italianos este ano é a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium.

O Papa deixou a sua residência na Casa Santa Marta e se dirigiu a pé até a Sala Paulo VI, onde foi acolhido pelo Presidente da Conferência e o Secretário, o Cardeal Angelo Bagnasco e Dom Nunzio Galantino. Depois de uma troca de abraços, os três se encaminharam  ao local dos trabalhos, no interior do edifício.

Contextualização: a realidade italiana e internacional

O Pontífice fez um discurso aos bispos de sua Diocese e de toda a Itália ressaltando que neste momento histórico desconfortante, com situações de aflição e atribulação, no país e no mundo, a vocação episcopal é ‘navegar contra a corrente’; ou seja, ser testemunhas alegres de Jesus Cristo e transmitir esta alegria e esperança aos outros.  “É-nos pedido para consolar, ajudar, encorajar sem distinção todos os nossos irmãos oprimidos pelo peso de suas ‘cruzes’, erguendo-os com a força que provém de Deus”. 

Neste sentido, visto o tema da Assembleia, Francisco disse ao grupo que gostaria de ouvir as suas ideias, as suas perguntas, e compartilhar com os presentes as suas reflexões. Mas iniciou afirmando que “é muito ruim encontrar um consagrado abatido, desmotivado ou ‘apagado’… é como um poço seco aonde as pessoas não acham água para matar a sede”.

A sensibilidade eclesial

“Minhas preocupações – disse o Papa – nascem de uma visão global dos episcopados, adquirida por ter encontrado em dois anos de Pontificado várias Conferências e observado a importância da ‘sensibilidade eclesial’ de cada uma; ou seja, a humildade, a compaixão, a misericórdia, a concretude e sabedoria, à imagem dos sentimentos de Deus.

A sensibilidade eclesial comporta não ser tímidos em condenar e derrotar a difusa mentalidade de corrupção pública e privada que empobreceu, sem alguma vergonha, famílias, aposentados, trabalhadores honestos e comunidades cristãs, descartando os jovens e marginalizando os mais carentes e frágeis. “A sensibilidade eclesial nos leva junto ao povo de Deus para defendê-lo das colonizações ideológicas que lhes roubam identidade e dignidade”. 

A sensibilidade eclesial – prosseguiu o Papa – se manifesta também nas decisões pastorais e na elaboração de Documentos, nos quais não devem prevalecer aspectos teóricos, doutrinais e abstratos, como se nossas orientações se dirigissem a estudiosos e especialistas, e não ao povo de Deus. “Temos que traduzi-los em propostas concretas e compreensíveis”, afirmou.

Prosseguindo, o Papa reiterou que a sensibilidade eclesial se concretiza também reforçando o indispensável papel dos leigos em assumir as responsabilidades que lhes competem. “Os leigos que possuem formação cristã autêntica não precisam de um ‘Bispo-piloto’, ou de um ‘monsenhor-piloto’ ou de um estímulo clerical para assumir suas tarefas em todos os níveis: político, social, econômico e legislativo! Eles precisam é de um Bispo-Pastor!” – completou.

Enfim, a sensibilidade eclesial se revela concretamente na colegialidade e na comunhão entre os Bispos e seus sacerdotes; na comunhão entre os próprios Bispos; entre as Dioceses ricas – material e vocacionalmente – e as que têm dificuldades; entre as periferias e o centro; entre as Conferências Episcopais e os Bispos com o sucessor de Pedro.

A base e a colegialidade

Em seguida, o Pontífice aprofundou o tema da colegialidade na determinação dos planos pastorais e na divisão dos compromissos programáticos, econômicos e financeiros. Por exemplo, citou que às vezes, a recepção dos programas e a atuação de certos projetos não são verificadas. “São homologadas decisões, opiniões e pessoas; narcotizadas Comunidades… ao invés de se deixar transportar aos horizontes aonde o Espírito nos pode conduzir”. 

Outra questão levantada pelo Papa: “Por que se deixam envelhecer tanto os Institutos religiosos, Mosteiros, Congregações, ao ponto que deixam de ser testemunhos fiéis ao seu carisma inicial? Por que não se incorporam, antes que seja tarde demais?”.

A este ponto, o Papa terminou seu discurso, explicando que quis apenas oferecer alguns exemplos de escassez de sensibilidade eclesial, e clamando para que “durante o Jubileu da Misericórdia, o Senhor nos conceda a alegria de redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual somos chamados a consolar todos os homens e mulheres do nosso tempo”. 

Os bispos italianos prosseguem sua Assembleia na Sala do Sínodo, no Vaticano, até o dia 21, e no âmbito dos trabalhos, serão eleitos os Presidentes das Comissões Episcopais.

fonte:
NEWS.VA http://br.radiovaticana.va/news/2015/05/18/leigos_n%C3%A3o_precisam_de_bispo-piloto,_mas_de_bispo-pastor/1145034

A Comunicação e a Família

Marcos 16,15-20

Naquele tempo: Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados’. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa notícia a toda a humanidade

A comunicação e a Família

O apelo de Jesus ressuscitado aos seus discípulos, neste domingo da Ascensão, é:”Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa notícia a toda a humanidade” (Mc 16,15). Jesus pede que a sua mensagem chegue a todos. Nenhuma realidade humana pode ser omitida do anúncio.

O para Francisco tem insistido que a evangelização precisa ser acompanhada da alegria. Reconhece que “o grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza de individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada” (Evangelii Gaudium, n. 2).

Entre os lugares singulares onde somos chamados a pôr em prática a “alegria de evangelizar” está a família, assim como a família está no centro do 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que celebramos neste domingo. O tema proposto pelo papa, “Comunicar a família: Ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor“, indica que a comunicação é fundamental na formação desta primeira comunidade da qual fazemos parte ao vir ao mundo. De fato, o “encontro” entre seus membros somente pode ocorrer onde há relações gratuitas, construídas sobre atitudes de amor, considerando que do amor nascem a acolhida, o perdão e a partilha.

A qualidade de nossas relações humanas depende da qualidade de nossa comunicação. Todos somos responsáveis por criar em nossas famílias um ambiente de escuta, que favoreça o diálogo e a compreensão, primeiro passo para uma evangelização fecunda. Jesus é a nossa primeira referência. Ele é o comunicador perfeito a nos indicar o caminho da nova humanidade construída com gesto simples, marcados pela autenticidade, cordialidade, compaixão e ternura.

Pe Valdir José de Castro, ssp

fonte: folheto O Domingo (17/05/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Feliz dia das mães

Feliz dia das mães

Amigos e amigas,

Se sua mãe está por perto, ao alcance de uma visita ou de um telefonema;

Se sua esposa-mãe está ao seu lado;

Se sua mãe é, hoje, a lembrança mais bela que se imprimiu em sua memória…

Lembrem-se de que todo dia é dia das mães…

Segunda-feira é o dia da jovem sorridente que traz em seu ventre um filho cujo rostinho anseia por conhecer… e é também o dia da jovem cuja gravidez não foi desejada, nem planejada, que só consegue pensar no serzinho, abandonado como ela, que está por vir.

Terça-feira é o dia da mãe feliz convencida de que seu filho é o bebê mais inteligente do planeta e, feliz, ajuda-o a dar os primeiros passos e ensina-lhe as primeiras palavras… e é também o dia da mãe cansada que acaba de ser informada de que não pode mais levar seu filho à casa onde trabalha como doméstica porque ele está começando a andar, a falar, a atrapalhar.

Quarta-feira é o dia da mãe que estremece ao ver seu filho escrever, pela primeira vez, o próprio nome e ler os primeiros textos… e é também o dia da mãe que apenas sonha com um filho educado, já que a única escola disponível na região é muito, muito longe do barraco em que vive.

Quinta-feira é o dia da mãe orgulhosa cujo filho passou no vestibular e vislumbra um futuro brilhante… e é também o dia da mãe que chora diante do adolescente no qual depositava tantas esperanças, mas que já vendeu a alma aos que lhe prometeram formas de ganhar dinheiro à margem da lei, pois, num país de corruptos de alto nível, a lei conta pouco.

Sexta-feira é o dia da mãe serena, cujo filho é um profissional de sucesso… e é também o dia em que a mulher, já desesperançada, sonha com um futuro em que poderá visitar seu filho em outro lugar que não seja a prisão.

nossa senhora - 14Sábado é o dia em que a mãe explode de alegria na festa de casamento do seu filho e sonha com netos que a ajudarão a experimentar de novo todas as alegrias da maternidade… e é também o dia em que lágrimas rolam no rosto daquela cujo filho acabou, como se esperava, assassinado  num beco.

Domingo é o dia em que, de repente, todas as mães ficam iguais… Porque o Senhor decidiu colocar diante delas a figura de sua própria Mãe que experimentou alegrias e angústias, felicidade e dores, realizações e sacrifícios, para que com Ela pudessem se identificar todas as mães. A todas elas, pois, meu respeito e minha oração.

Maria Elisa Zanelatto (maio de 2015)

Qual é a diferença entre ecumenismo, sincretismo e diálogo inter-religioso?

Qual é a diferença entre ecumenismo, sincretismo e diálogo inter-religioso?

Saiba mais sobre as relações construtivas entre a Igreja católica e os não-católicos

Ecumenismo é o processo de diálogo e cooperação voltado a promover a unidade entre os cristãos de todas as confissões. O termo vem do grego οἰκουμένη, que significa “todo o mundo habitado”; seu sentido, no cristianismo, é o de cumprir o desejo de Cristo de que todos nós sejamos “um só povo”.

O ecumenismo, tecnicamente, se refere à superação da divisão entre os cristãos. Já processo de aproximação e diálogo com religiões diferentes é chamado de diálogo inter-religioso. É o caso, por exemplo, do diálogo respeitoso e colaborativo entre cristianismo, judaísmo, islã, budismo, hinduísmo…

Também é importante diferenciar com clareza o ecumenismo e o diálogo inter-religioso do sincretismo religioso. O sincretismo é a mistura acrítica de ritos, crenças e elementos doutrinais de religiões diferentes e, em muitos aspectos, incompatíveis em conteúdo teológico.

Além do diálogo entre cristãos de confissões diferentes e entre os católicos e os seguidores de outras religiões, devemos considerar ainda a relação construtiva entre crentes e não-crentes. Entre as várias iniciativas em prol do diálogo e do intercâmbio de visões de mundo entre seguidores de diversos credos e ateus, a Igreja promove o Pátio dos Gentios, uma série de encontros internacionais em que se debate cultura, ciência, arte e fé e se procuram pontos de aproximação e convivência propositiva.

Quanto ao compromisso ecumênico assumido pela Igreja católica a partir do Concílio Vaticano II, trata-se de uma postura ativa: a Igreja não se limita à expectativa de retorno dos cristãos não-católicos ao seu seio, mas declara que “aqueles que creem em Cristo e receberam devidamente o batismo estão constituídos em uma determinada comunhão, embora imperfeita, com a Igreja católica. Os católicos, portanto, devem saber reconhecer e apreciar os valores autenticamente cristãos presentes em outras igrejas”. O ecumenismo praticado na Igreja se torna, assim, o compromisso de estudar, rezar e promover atos concretos de aproximação dos não-católicos.

As bases desta postura são estabelecidas pelo decreto conciliar “Unitatis Redintegratio“, de 1964. O texto reconhece, aliás, que as separações e algumas cisões aconteceram não sem culpa de homens de ambas as partes. O papa Paulo VI declarou que, “se alguma culpa nos é imputável por tal separação, por ela pedimos humildemente perdão a Deus”.

Em 2014, para celebrar os 40 anos desta fase do processo cristão rumo à unidade, o Centro Televisivo Vaticano (CTV) produziu o documentário “Ut Unum Sint” (“Para que todos sejam um”), preparado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Além de pedir que você reze todos os dias pela nossa unidade fraterna em Cristo, nós o convidamos a assistir ao documentário clicando no vídeo abaixo.

fonte: http://www.aleteia.org/pt/religiao/video/qual-e-a-diferenca-entre-ecumenismo-sincretismo-e-dialogo-inter-religioso-5842828584288256

Cristianismo não é teoria nem ideologia é mensagem da salvação

Cristianismo não é teoria nem ideologia é mensagem da salvação,

afirma Papa Francisco

O Papa Francisco presidiu na manhã de hoje, no Terceiro Domingo de Páscoa, a oração do Regina Coeli e comentou o Evangelho do dia, no qual Jesus ressuscitado se encontra com os apóstolos e lhes mostra as feridas dos pés e as mãos.

Papa Francisco

“Cada batizado está chamado a testemunhar, com as palavras e com a vida, que Jesus ressuscitou, que está vivo e presente em meio de nós”

Nas leituras da liturgia do dia ressoa duas vezes a palavra ‘testemunho”, indicou o Pontífice, destacando que “os apóstolos, que viram com seus próprios olhos o Cristo ressuscitado, não podiam silenciar sua extraordinária experiência”.

Continuando, o Papa recordou que a missão da Igreja consiste em que “cada batizado está chamado a testemunhar, com as palavras e com a vida, que Jesus ressuscitou, que está vivo e presente em meio de nós”.

Quem é testemunha?”, indagou o Papa: “A testemunha é alguém que viu, que recorda e conta. Ver, recordar e contar, são os três verbos que nos descrevem a identidade e a missão”.

Explicando cada um deles, disse também que “a testemunha é alguém que viu, mas não com olhos indiferentes; viu e se deixou envolver pelo acontecimento. Por isso recorda, não só porque sabe reconstruir com precisão os fatos ocorridos, mas sim porque estes fatos lhe falaram e ela captou o sentido profundo”.

A testemunha não conta “de maneira fria e individual, mas como alguém que se deixou questionar e desde aquele dia sua vida mudou”.

O conteúdo do testemunho cristão não é uma teoria, uma ideologia ou um complexo sistema de preceitos e normas, mas uma mensagem de salvação, um fato concreto, acima de tudo uma pessoa: é Cristo ressuscitado, que vive e é o único Salvador de todos”.

Assim, assinalou, “pode ser testemunhado por todos aqueles que tiveram uma experiência pessoal Dele, em sua Igreja, através de um caminho que tem seu fundamento no Batismo, nutre-se da eucaristia, tem seu selo na Confirmação e sua contínua conversão na Penitência”.

E para o cristão, “seu testemunho será mais acreditável quanto mais brilhe sua forma de viver o Evangelho, de maneira alegre, corajosa, leve, pacífica, misericordiosa”.

O Papa também advertiu que se “o cristão se deixa aprisionar pela comunidade, pela vaidade, converte-se em surdo e cego em relação à pergunta da ‘ressurreição’ de tantos irmãos. Como poderá comunicar a Jesus vivo, sua potência libertadora e sua ternura infinita?”.

Francisco pediu que a Virgem “nos sustente com sua intercessão para que possamos nos converter, com nossos limites, mas com a graça da fé, em testemunhos do Senhor ressuscitado, levando às pessoas com as quais nos encontremos os dons pascais da alegria e da paz”.

Por último o Santo Padre afirmou que hoje, na cidade italiana de Turim, começa a exposição do Santo Sudário e assinalou que no próximo 21 de junho também ele irá venerá-la. “Desejo que este ato de veneração ajude a todos a encontrar em Jesus Cristo o rosto misericordioso de Deus, e a reconhecê-lo nos rostos dos irmãos, especialmente dos que sofrem”.

Por Por Alvaro de Juana, ACI Digital

fonte: http://c3press.com/cristianismo-nao-e-teoria-nem-ideologia-e-mensagem-da-salvacao-afirma-papa-francisco.html

Dificuldade em acreditar

Lucas 24, 35-48

“E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles fora conhecido no partir do pão. E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; O que ele tomou, e comeu diante deles. E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas.”

Dificuldade em acreditar

Jesus ressuscitado continua aparecendo aos apóstolos e discípulos nesse final do evangelho de Lucas. Aos discípulos ainda medrosos e com dúvidas no coração, o Ressuscitado lhes mostra os sinais da crucificação e come com eles para tirá-los de sua incredibilidade.

Ao aparecer inesperadamente à comunidade reunida, Jesus lhe deseja a paz: “paz para vocês!” – desejo de plenitude de vida. Assustam-se e pensam ver um espírito. A resposta : “Um espírito não tem carne nem ossos como estão vendo“. As comunidades lucanas entenderam muito bem que o nosso Deus não é apenas um espírito – ou então um fantasma. O Ressuscitado tem carne e ossos e tem fome – é o Crucificado que permanece entre nós com as marcas dos cravos – não é um Deus descarnado, alguém que não tem nada a ver conosco.

As primeiras comunidades iniciaram sua caminhada na fé e no testemunho do Ressuscitado em meio a dúvidas e incertezas. Mas, aos poucos, foram crescendo na fé e no compromisso com Jesus. Aos poucos, ele foi lhes abrindo a mente para compreenderem tudo o que estava acontecendo e assim se tornarem testemunhas. Crer no Ressuscitado não é algo que acontece de forma mágica, de um dia para o outro. É um processo que nos amadurece aos poucos.

Lucas nos apresenta um método de evangelização muito caro no seu evangelho: a mesa da partilha, a comensalidade. Na partilha do pão, Jesus é reconhecido. O Ressuscitado marca uma presença na comunidade reunida que celebra, partilha a palavra e o pão; na família unida em torno da mesa farta; nos grupos organizados em defesa da vida; nas políticas públicas em prol da superação da fome e da miséria. A nona humanidade inaugurada com a Páscoa do Ressuscitado e que acredita na ressurreição é humanidade comprometida com a transformação , que busca superar a fome, a miséria, o ódio e os preconceitos.

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (19/04/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Fé para a missão

João 20,19-31

Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: “Paz seja convosco”. 

E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. 

De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: “Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. 

E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos”. 

Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: “Vimos o Senhor”.

Mas ele disse-lhes: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”. 

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: “Paz seja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. 

E Tomé respondeu, e disse-lhe: “Senhor meu, e Deus meu!”.

Disse-lhe Jesus: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”.

Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Fé para a missão

Aos discípulos que estavam trancados por medo, Jesus aparece e mostrando mãos e lado com as marcas da crucifixão, identifica-se como o Filho ressuscitado: aquele que realizara a missão confiada pelo Pai, aquele que se entregara pelos outros até a morte de cruz, aquele que agora estava vivo na comunidade.

Os episódios em que Jesus aparece após a ressurreição são sempre narrativas de missão. Vivo na comunidade, Jesus é o centro, e envia os discípulos em missão enchendo-os de alegria. Ao aparecer, deseja a paz: a plenitude da vida e dos bens que permitem às pessoas viver na dignidade filhas de Deus. E, ao desejar a paz, envia o Espírito Santo soprando sobre os discípulos, repetindo gesto de Deus ao criar o ser humano, em Gênesis.

O envio do Espirito renova a criação, pois dá a cada um de nós a vida renovada segundo a ressurreição de Jesus. É o Espirito Santo, enviado por Jesus que permite recordar hoje o que ele fez e disse e nos impulsiona na fé a continuar sua missão.

É tempo de acreditar, sem exigir provas. Fé que precisa de provas não é fé. É feliz quem tem fé, quem não exige provas para entregar-se confiante ao mistério de Deus, que é tudo em todos. Acreditar em Jesus é assumir a missão que ele nos confia. Missão de construir a paz, de construir comunidades onde se vença o medo, se viva o perdão e as pessoas sejam acolhidas e atuem como sujeitos de transformação.

Quem tem fé, de fato, não vive no medo e no fechamento. Fé é coragem e abertura, é alegria e missão. O Espírito do Ressuscitado, vencedor do sofrimento e da morte, abre portas e janelas, abre mentalidades e consciências e impulsiona à vivência comunitária da fé. Porque a fé não se vive sozinho, mas em comunidade. Em comunidade, vamos nos transformando e transformando o mundo, de acordo coma nova criação inaugurada por Jesus, de modo que ele continue sendo o centro de nossas comunidades e de nossa vida.

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (12/04/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus