Não existe outro caminho senão o de Jesus

Não existe outro caminho senão o de Jesus

Papa na homilia do Domingo de Ramos

O sol brilhava esta manhã sobre a Praça de São Pedro, repleta de fieis de várias partes da Itália e do mundo que assistiram à festiva celebração do Domingo de Ramos, que é também Dia Mundial da Juventude a nível das Dioceses. Daí a presença de um grande números de jovens na celebração, às quais, o Papa dirigiu uma saudação particular no final da Missa.

ramos

Clique sobre a imagem para ouvir o texto.

A cerimônia iniciou com a procissão e a bênção dos ramos, a celebração litúrgica, em que foi narrada o percurso da Semana Santa que nos conduz à Páscoa…

Na sua homilia, o Papa Francisco sublinhou que no centro de celebração festiva deste domingo está a palavra ouvida precedentemente no hino da Carta aos Filipenses:

A humilhação de si mesmo, a humilhação de Jesus”.

Uma humilhação que revela – disse o Papa – o estilo de Deus e que deve ser também o estilo do cristão: a humildade. Um estilo que nunca acaba de nos surpreender, pois nunca nos habituamos à ideia de um Deus humilde.

“Deus se humilha para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades”.

O Senhor ouve pacientemente os murmúrio, as lamentações contra Moisés, que no fundo eram contra Ele, contra o Pai que os tinha tirado da condição de escravatura e os conduzia através do deserto para a terra da liberdade.

“Nesta Semana Santa, que nos leva à Páscoa, iremos por este caminho da humilhação de Jesus. E só assim será “Santa” também para nós”

O Papa frisou que indo por esse caminho viveremos todos os momentos que caracterizam o percurso de Jesus durante a Semana Santa até à sua morte na cruz.

Este é o caminho de Deus”, o caminho da humildade.

É o caminho de Jesus, não há outro. E não existe humildade sem humilhação.

Percorrendo todo esse caminho, Deus fez-se servo – sublinhou o Papa recordando que humildade significa também serviço, significa esvaziar-se de nós mesmos para deixarmos espaço a Deus na nossa pessoa. Este esvaziar-se como diz a Sagrada Escritura – recordou o Papa Bergoglio – é a maior humilhação.

Mas há um caminho contrário ao de Cristo – fez notar o Papa: “o da mundanidade que nos leva pelas vias da vaidade, do orgulho, da procura do sucesso” …O maligno propôs esta via também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto. “Mas Jesus recusou-a sem hesitação. E com Ele, somente com a sua graça, a sua ajuda, também nós podemos vencer esta tentação da vaidade, da mundanidade, não só nas grande ocasiões, mas nas circunstâncias ordinárias da vida.”

O Papa não deixou de evocar os exemplos de humildade, silêncio de tantos homens e mulheres que sem procurar dar nas vistas procuram servir os outros: parentes doentes, anciãos sós, inválidos, sem-abrigo…

Convidou também a elevar o pensamento a quantos pela sua fidelidade ao Evangelho são discriminados, pagando com própria vida, como os cristãos perseguidos, os mártires do nosso tempo. “São tantos! Não renegam Jesus e suportam com dignidade insultos e ultrajes. Seguem-No pelo seu caminho. Podemos falar de uma “nuvem de testemunhas.”

O Papa terminou a sua homilia, convidando todos a embocarem nesta Semana Santa, este caminho “com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força. E, onde Ele estiver, estaremos também nós. Amém.

Durante a Missa rezou-se em várias línguas para diversas intenções de modo particular para os jovens. Eis a oração e língua da Indonésia:

A paixão de Jesus, vivida em obediência à vontade do Pai, torne os seus corações puros, indivisos e generosos

E foi precisamente aos jovens que no final da celebração, depois de saudar a todos, o Papa dirigiu uma palavra especial:

“Caros jovens exorto-vos a continuar o vosso caminho seja nas dioceses, seja na peregrinação através dos continentes, que vos levará no próximo ano a Cracóvia, pátria de são João Paulo II, iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude. O tema daquele grande encontro “Beatos os misericordiosos, pois que encontrarão misericórdia” entoa-se muito bem com o Santo da Misericórdia. Deixai-vos encher pela ternura do Pai para depois a difundir à vossa volta!”.

Seguiu-se a oração mariana do Angelus que o Papa convidou a dirigir a Nossa Senhora fim de que nos ajude a ser fiéis a Cristo nesta Semana Santa, Ela que estava presente quando Jesus entrou triunfante em Jerusalém, mas que como Ele estava pronta ao sacrifício.

O Papa confiou a Nossa Senhora as vítimas do desastre aéreo da companhia alemã, recordando de modo particular o grupos de jovens estudantes que nele perdeu a vida.

E concluiu desejando a todos “uma Semana Santa em contemplação do Mistério de Jesus Cristo”.

NEWS.VA http://www.news.va/pt/news/nao-existe-outro-caminho-senao-o-de-jesus-papa-na

Dia Internacional da Mulher

mulherAmigos e amigas,

Neste Dia Internacional da Mulher – exatos 30 anos depois do Ano Internacional da Mulher, declarado pela ONU para homenagear a mulher e suas lutas – façamos duas coisas: um minuto de silêncio e uma breve oração…

Pelas mulheres que adentraram a fresta de liberdade que encontraram e ampliaram a própria voz exigindo voto, melhores condições de trabalho, respeito à sua gestação e à sua maternidade, creches para seus filhos, garantia de um futuro melhor para suas ‘sucessoras’, mesmo às custas de suas próprias vidas… E pelas mulheres que, ainda hoje, são sufocadas pelos preconceitos culturais, econômicos, religiosos e mal conseguem respirar pela fresta que lhes possibilitam as burcas, as leis discriminatórias dos países ditos civilizados, a opressão decorrente da falsa interpretação religiosa dos homens, o desrespeito dos que não reconhecem seu valor, o medo estúpido da concorrência nos postos de trabalho.

Pelas mulheres que, ao longo da história, tornaram-se prova de que não se pode chamar de ‘sexo frágil’ o daquelas que, enquanto trabalham duramente, criam seus filhos, educam-se com dificuldade, fundam movimentos sociais de qualidade, engajam-se na política para a ela levar o feminino, a sensibilidade, a solidariedade, o respeito. E pelas mulheres que habitam os grotões dos países em que convivem categorias sociais profundamente distintas, pelas que fogem em desespero da perseguição de terroristas cegos por ideais espúrios, pelas que nunca conheceram nem conhecerão um livro, embora sonhem uma vida diferente para suas filhas.

Pelas mulheres que dedicaram e dedicam suas vidas ao próximo, seja na sua profissão, seja na sua opção de renúncia, e assim constroem, no anonimato, um mundo melhor no meio das agruras de hoje, semente de um mundo mais humano amanhã. E pelas que, ao tentar fazê-lo, são covardemente assassinadas pelos poderosos de plantão que temem o poder da verdade e do amor.

Mas que nosso silêncio dure, sim, apenas um minuto: no minuto seguinte, arregacemos as mangas e façamos de seu exemplo nossa escolha. E que, ao contrário, nossa oração dure para sempre, para que suas dores e batalhas não tenham sido em vão. Amém.

Maria Elisa Zanelatto

O reino de Deus chegou

Marcos 1, 14-20

“Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!’ E, passando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: ‘Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens’. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.”

O reino de Deus chegou

João é preso e assim termina sua jornada. Jesus entra em cena, dirige-se à Galileia e proclama a boa-nova da chegada do reino. Conclui-se uma etapa e inicia-se nova era. Há grande tarefa a ser cumprida, e para isso Jesus chama colaboradores. Começa convocando duas duplas de irmãos, que abandonam a profissão de pescadores e partem imediatamente para a nova missão: pescadores de gente.

Jesus não inicia sua atividade em Jerusalém, centro político, religiosos e cultural, mas na Galileia, região pouco valorizada, habitada por gente simples e pobre e próxima ao mundo pagão. Os pobres são os primeiros destinatários do reino de Deus.

O papa Francisco insiste na necessidade de a Igreja se voltar para os pobres e ir as periferias geográficas e sociais das grandes cidades. Acontece que é mais fácil e mais confortável se instalar nos centros ricos e desenvolvidos e se esquecer das enormes e pobres periferias.

Citando um documento da CNBB, o papa diz: “Desejamos assumir a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais – sem terra, sem teto, sem pão, sem saúde – lesadas em seus direitos. Vendo a sua miséria, ouvindo os seus clamores e conhecendo o seu sofrimento, escandaliza-nos saber que existe alimento suficiente para todos e que a fome se deve à má repartição dos bens e da renda” (EG191)

Ao episcopado latino-americano (Celam), por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, assim se expressa o papa Francisco: “A posição do discípulo-missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias… No anuncio evangélico, falar de ‘periferias existenciais’ descentraliza, e, habitualmente, temos medo de sair do centro. O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais”. Está aí o apelo do papa, convocando a Igreja a ir às periferias para levar o reino de Deus que chegou com Jesus   

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (25/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

O que estamos procurando?

João 1, 35-42

“No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos; E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)”.

O que estamos procurando?

A vocação é o chamado que Deus faz a cada um de nós para realizar uma missão. E realizar a própria missão, responder ao chamado de Deus, e dar sentido à própria vida.

Deus nos chama a cada instante, servindo-se de pessoas e situações. Quantos Batistas e quantos Andrés, com a própria vida, já nos apontaram Jesus e os valores do reino… Mas, ainda que a resposta ao chamado de Deus passe pelos irmãos, pela comunidade de fé, é a experiência pessoal com Jesus que nos revela a nós mesmos, como filhos amados e vocacionados a amar.

O evangelho nos mostra que, para realizar-se verdadeiramente, para abrir-se ao chamado de Deus, o caminho é “ir” e “ver” onde Jesus mora e então “permanecer” com ele.

Permanecer com Jesus é conhecê-lo melhor a cada dia , é morar onde ele mora. Jesus era mestre itinerante, sem moradia fixa. E como seu ser e seu agir são uma só coisa, ele pode ser encontrado hoje em vários gestos. Ele é pão, e está nas ações que alimentam a vida. Ele é a luz, e está nos caminhos que se iluminam. Ele é a porta, e está na liberdade das relações fraternas. Ele é o bom pastor que conduz, é a videira à qual estamos ligados como ramos. Ele é o verdadeiro caminho para vida, o Filho de Deus, Mestre e Senhor, nossa ressurreição e nossa vida….

Não é tão difícil saber onde Jesus mora hoje. Desafio maior é permanecer com ele, sabendo o que de fato buscamos nesta vida. Quem permanece com Jesus é instrumento para que outros também cheguem ao Mestre, o conheçam e permaneçam come ele.

Nossa vida, nossas ações, têm testemunhado aos outros a alegria do encontro com Jesus?

Temos ajudado outras pessoas a encontrar aquele que chama e dá sentido à vida? 

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (18/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Jesus é o filho de Deus

Marcos 1, 7-11

Naquele tempo: 7 João Batista pregava, dizendo: ‘Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo.’ 9 Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10 E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11 E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer.’

Jesus é o filho de Deus

O Evangelho de Marcos inicia-se com João Batista pregando um batismo de conversão e profetizando a chegada de alguém mais forte que ele, o Messias, salvador e filho de Deus. João não é nem digno de se abaixar aos pés do anunciado ao mundo. Deus escolheu revelar-se ao nosso coração. Ele batiza com água, mas o que virá batizará com o Espirito Santo.

Nisso aparece Jesus para ser batizado: os céus se abrem, ele vê o Espirito Santo se fazer presente em sua vida e ouve a voz do Pai, que o proclama seu Filho amado. João Batista sai de cena e entra Jesus, anunciando seu projeto.

Os céus “estavam fechados”, parecendo estar obstruída a comunicação entre o céu e a terra, entre o divino e o humano. Havia necessidade de romper essa barreira invisível e estabelecer a comunicação com o transcendente. Havia a sensação de que Deus estava isolado e longe da humanidade.

Com a vinda do Espirito Santo sobre Jesus, os céus “são rasgados” e volta a se estabelecer a comunicação do divino com o humano. Finalmente é possível o encontro e a convivência com Deus. Um homem cheio do Espírito perambula pelas terras da Palestina, anunciando o reino de Deus.

Movido pelo Espírito Santo, Jesus cura, liberta, transforma e renova as pessoas e todas as coisas. À semelhança do caos do inicio da criação que se transforma em cosmos com o sopro divino, a nova humanidade nasce com a chegada do filho de Deus, iluminado e guiado pelo Espírito.

Graças ao Espírito Santo que recebemos no batismo, também nos tornamos novas criaturas. Somos integrados a uma comunidade, a Igreja. Sem esse Espírito de Deus, nossa vida é morna, sem compromisso e sem verve, a alegria esmorece, a esperança morre, os medos tornam-se fantasmas a nos atormentar. Se não nos deixamos animar e recriar por esse Espírito, não temos como contribuir para a nossa comunidade nem apontar novo rumo para a sociedade, tão necessitada de valores que dignifiquem e defendam a vida da humanidade.

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (11/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

O importante é o quanto amamos!

O importante é o quanto amamos!

corintios 13

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.

Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face.

Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.”

Deus se revela

Deus Se Revela

Com o nascimento de Jesus, nasce também uma estrela, a indicar com seu brilho o caminho rumo a Deus. Os magos do Oriente sentem grande alegria ao segui-la. Herodes e o centro do poder, Jerusalém, ficam perturbados. os sumos sacerdotes e mestres da lei, entendidos de religião, limitam-se a repetir a Escritura sagrada. São três atitudes diante do Deus que deseja manifestar-se e chegar a todos.

Os entendidos de religião conhecem a Escritura e sabem que de Belém sairá um pastor para Israel. Transformam a palavra de Deus numa doutrina que já não toca a realidade. Não se movem, estão acomodados, não conseguem reconhecer no brilho da estrela o caminho para o recém-nascido pastor de Israel.

Herodes e Jerusalém ficam perturbados, ao pressupor que o Filho de Deus lhes tomaria o poder. Querem impedir que Deus se manifeste ao mundo, eliminando o Filho recém-nascido. Mal sabem que este menino vem para servir e mostrar que o poder de Deus está no amor que se entrega e gera vida, não no ódio que divide e mata.

Os magos, por sua vez, põem-se à procura. Vencem a escuridão seguindo o brilho da estrela guia. Eles representam todos os povos que buscam construir, juntos, a única comunidade dos filhos de Deus. E como é imensa a alegria de encontrar pessoalmente Jesus Cristo e poder entregar-lhe a própria vida, com o que tem de melhor!

E aqui está a chave: Deus se revela a nós à medida que lhe entregamos o melhor de nós. Os presentes dos magos indicam quem é o menino recém-nascido. Oferecem ouro porque ele é rei, incenso porque é Deus e mirra porque dará a vida na cruz. É fundamental a atitude de buscar a Deus na sinceridade de coração, para podermos reconhecê-lo tal como ele realmente é. E a alegria de encontrá-lo certamente nos levará a reconhecê-lo no rosto de nossos irmãos, sobretudo dos irmãos menores e indefesos. Porque, para revelar-se ao mundo, Deus escolheu revelar-se ao nosso coração.

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (04/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Maria medita sobre os fatos

Maria medita sobre os fatos

Em 1º de Janeiro a Igreja católica celebra, em todo o mundo, a MÃE DE DEUS. esse título foi atribuído a Maria no Concílio de Éfeso, em 431. Por meio de Maria, graças ao seu sim, Deus nasceu entre nós.

Proclamada Mãe de Deus, Maria é também invocada como Mãe da Igreja evangelizadora. Sem ela, diz o Papa Francisco, “não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização”.

Sendo mãe de Jesus, todos podemos nos pôr sob a sua proteção materna. Ela sempre esteve presente na vida dos povos latino-americanos. Perfeita discípula e pedagoga da evangelização, ensina-nos a ser filhos e filhas em seu Filho e a realizar a vontade do Pai. Em nome de Maria, mãe de Deus e nossa, e sob a sua proteção iniciamos novo ano civil, desejando que ela nos acompanhe ao longo dos próximos 365 dias.

Maria contempla com admiração os mistérios que nela se realizam, é mulher atenta aos fatos – sinais dos tempos, no dizer do Vaticano II. Ela nos ensina a também abrir os olhos e contemplar a realidade na qual estamos imersos. Em meio a essa realidade, deixemos que o espírito profético nos conduza.

Neste dia da Mãe de Deus, rezemos a bela oração que o papa Francisco nos oferece na exortação apostólica A Alegria do Evangelho:

“Virgem e mãe Maria, vós que, movida pelo espírito, acolhestes o Verbo da vida na profundidade da vossa fé humilde, totalmente entregue ao eterno, ajudai-nos a dizer o nosso sim perante a urgência, mais imperiosa do que nunca, de fazer ressoar a boa-nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo, levastes a alegria a João, o Batista, fazendo-o exultar no seio de sua mãe. Vós, que estremecendo de alegria, cantastes as maravilhas do Senhor. Vós, que permanecestes firme diante da cruz com uma fé inabalável e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição, reunistes os discípulos à espera do Espírito para que nasce-se a Igreja evangelizadora.

Mãe do evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amém”

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (01/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Papa: “Cristo e sua Mãe, Cristo e a Igreja são inseparáveis” – 01/01/2015

Papa: “Cristo e sua Mãe, Cristo e a Igreja são inseparáveis”

Cidade do Vaticano (RV) – Neste 1º dia de 2015, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro a Missa por ocasião da Solenidade da Mãe de Deus. Em sua homilia, o Papa recordou que “nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar”. O Papa reiterou que “assim como Cristo e sua Mãe são inseparáveis”, “igualmente são inseparáveis Cristo e a Igreja”.

papa francisco dia primeiro de 2015

Clique sobre a imagem para ouvir o texto.

Francisco observou que entre Cristo e sua Mãe existe uma relação estreitíssima, como entre cada filho e sua mãe: “ A carne de Cristo, disse ele, foi tecida no ventre de Maria”. Maria, escolhida para ser a Mãe do Redentor, compartilhou intimamente toda a sua missão, até o calvário:

“Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projetos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe”.

Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja – disse o Papa – observando que  não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja:

“Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI. Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja». Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos”.

A ação e missão da Igreja, observou o Santo Padre, exprimem a sua maternidade:

“De fato, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores”.

Maria, disse o Papa, é “aquela que abre a estrada da maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos”.

Ao concluir, o Pontífice recordou o Dia Mundial da Paz, celebrado no 1º dia do ano, pedindo que “o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações”.  Ao recordar que o tema deste ano «Já não escravos, mas irmãos», Francisco disse:

“Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo”. (JE)

Eis a homilia do Papa Francisco na íntegra:

“Hoje voltam à mente as palavras com que Isabel pronunciou a sua bênção sobre a Virgem Santa: «Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-43).

Esta bênção está em continuidade com a bênção sacerdotal que Deus sugerira a Moisés para que a transmitisse a Aarão e a todo o povo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça. O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26). Ao celebrar a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a Igreja recorda-nos que Maria é a primeira destinatária desta bênção. N’Ela tem a sua realização perfeita: na verdade, mais nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar.

E, para além de contemplar a face de Deus, podemos também louvá-Lo e glorificá-Lo como os pastores, que regressaram de Belém com um cântico de agradecimento depois de ter visto o Menino e a sua jovem mãe (cf. Lc 2, 16). Estavam juntos, como juntos estiveram no Calvário, porque Cristo e sua Mãe são inseparáveis: há entre ambos uma relação estreitíssima, como aliás entre cada filho e sua mãe. A carne de Cristo – que é charneira da nossa salvação (Tertuliano) – foi tecida no ventre de Maria (cf. Sal 139/138, 13). Tal inseparabilidade é significada também pelo facto de Maria, escolhida para ser Mãe do Redentor, ter compartilhado intimamente toda a sua missão, permanecendo junto do Filho até ao fim no calvário.

Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projectos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe.

Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja, e não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja. Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja» (Ibid., 16). Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos.

Esta acção e missão da Igreja exprimem a sua maternidade. Na verdade, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores.

Amados irmãos e irmãs! Jesus Cristo é a bênção para cada homem e para a humanidade inteira. Ao dar-nos Jesus, a Igreja oferece-nos a plenitude da bênção do Senhor. Esta é precisamente a missão do povo de Deus: irradiar sobre todos os povos a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo. E Maria, a primeira e perfeita discípula de Jesus, modelo da Igreja em caminho, é Aquela que abre esta estrada de maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos.

Que esta Mãe doce e carinhosa nos obtenha a bênção do Senhor para a família humana inteira! Hoje, Dia Mundial da Paz, invoquemos de modo especial a sua intercessão para que o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações. Este ano, a mensagem especial para o Dia Mundial da Paz reza: «Já não escravos, mas irmãos». Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo!”

fonte:
NEWS.VA http://www.news.va/pt/news/papa-cristo-e-sua-mae-sao-inseparaveis

Papa à Cúria: Catálogo de possíveis doenças – 22/12/2014

Papa à Cúria: Catálogo de possíveis doenças

Cidade do Vaticano (RV) – “A Cúria é chamada a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar plenamente a sua missão”: Foi o que disse na manhã desta segunda-feira (22), o Papa Francisco no discurso à Cúria Romana por ocasião dos tradicionais votos de Feliz Natal. “Também ela, como todo corpo, está exposta às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade”.

AFP3782901_LancioGrande

Clique sobre a imagem para ouvir o texto.

O Papa quis então mencionar algumas dessas prováveis doenças: são doenças habituais na nossa vida de Cúria, disse, acrescentando: “são doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Ajudar-nos-á o catálogo das doenças – seguindo o caminho dos Padres do deserto, que faziam esses catálogos – do qual falamos hoje, a nos preparar para o Sacramento da reconciliação, que será um bonito passo de todos nós para nos prepararmos para o Natal”.

Depois de agradecer a Deus pelo ano que está terminando, pelos eventos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar através do serviço da Santa Sé, o Papa Francisco pediu perdão a Deus pelas faltas cometidas “em pensamentos, palavras, obras e omissões”. O Pontífice fez então um elenco das doenças iniciando pela doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável”, descuidando dos necessários e habituais controles.

Uma Cúria que não faz “autocrítica”, que não se atualiza – disse o Papa – que não procura se melhorar é um corpo doente. Uma visita aos cemitérios nos poderia ajudar a ver os nomes de tantas pessoas, que talvez pensassem serem imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente, e também daqueles que se transformam em padrões e se sentem superiores a todos e não ao serviço de todos. Disso deriva a patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”.

Em seguida o Papa falou de outra doença, a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva laboriosidade: ou seja daqueles que se afundam no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a parte melhor”: sentar-se aos pés de Cristo. O tempo de repouso, para quem terminou a sua missão, – aconselhou o Papa – é necessário, devido e deve ser vivido seriamente.

Há também a doença da “petrificação” mental e espiritual: ou seja daqueles que possuem um coração de pedra e uma “pescoço duro”; daqueles que, ao longo da estrada perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem nos papéis tornando-se “maquinas de documentos” e não “homens de Deus”. É a doença daqueles que perdem “os sentimentos de Jesus”, porque os seus corações, com o passar do tempo, se endurecem se tornam incapaz de amar de modo incondicional o Pai e o próximo.

Tem também a doença do excessivo planejamento e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minunciosamente e acredita que está fazendo um perfeito planejamento das coisas, de fato progridem, tornando-se assim um contabilista ou contador. Preparar bem é necessário mas sem cair na tentação de querer fechar e pilotar a liberdade do Espírito Santo que é sempre maior e mais generosa de qualquer humano planejamento. Cai-se nesta doença porque “é sempre mais fácil e cômodo apoiar-se nas próprias posições estáticas e imutáveis”.

Outra doença – destacou o Papa Francisco – é a doença da má coordenação: quando os membros perdem a comunhão entre eles e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade e temperança, tornando-se uma orquestra que produz rumor porque os seus membros não colaboram e não vivem o espírito de comunhão e de grupo. Quando os pés dizem ao braço “não tenho necessidade de você”, ou a mão à cabeça “eu comando”, causando assim problemas e escândalo.

Há também a doença do Alzheimer espiritual: ou seja, esquecer a “história da Salvação”, da história pessoal com o Senhor, do “primeiro amor”. Trata-se de um declínio progressivo das faculdades espirituais que em certo intervalo de tempo causa graves deficiências à pessoa tornando-a incapaz de realizar atividades autônomas, vivendo em um estado de absoluta dependência de seus horizontes frequentemente imaginários.

A doença da rivalidade e da vanglória: quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra tornam-se o principal objetivo de vida, esquecendo-se das palavras de São Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada um também para o que é dos outros. É a doença que nos leva a sermos homens e mulheres falsos e viver um falso “misticismo” e um falso “quietismo”.

A doença da esquizofrenia existencial: é a doença de quem vive uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que láureas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença, que atinge frequentemente aqueles que, abandonando o serviço pastoral, limitam-se aos afazeres  burocráticos, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas reais. Criam assim um mundo paralelo, onde colocam de lado tudo o que ensinam de modo severo aos outros e iniciam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença muito grave.

A doença das fofocas, das conversas fiadas e mexericos: desta doença já falei muitas vezes, mas nunca o suficiente: é uma doença grave que começa simplesmente, talvez por causa de uma conversa fiada e toma conta da pessoa tornando-a “semeadora de discórdia” (como Satanás), e em muitos casos “assassino a sangue frio” da fama dos próprios colegas e coirmãos. É a doença de pessoas covardes que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. São Paulo nos adverte: “Fazei todas as coisas sem murmurações, para serem irrepreensíveis e puros”. Irmãos, vamos tomar cuidado do terrorismo das fofocas!

A doença de divinizar os chefes: é a doença dos que estão cortejando os Superiores, na esperança de obter a sua benevolência. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honram as pessoas e não Deus (cfr Mt 23: 8-12.). São pessoas que vivem o serviço pensando apenas no que elas desejam obter e não o que elas devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas somente pelo próprio fatal egoísmo. Esta doença também pode afetar os Superiores quando cortejando alguns de seus funcionários para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.

A doença da indiferença para com os outros: quando cada um pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos experientes. Quando se toma conhecimento de algo e você mantém só para si, em vez de compartilhá-lo com outras pessoas de forma positiva. Quando, por ciúmes ou dolo, sente alegria em ver o outro cair em vez de levantá-lo e incentivá-lo.

A doença de rosto de funeral: ou seja, das pessoas rudes e carrancudas, que consideram que para ser sérias é necessário pintar o rosto de melancolia, de severidade e tratar os outros – especialmente aquelas consideradas inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança sobre si mesmo. O apóstolo deve se esforçar para ser uma pessoa educada, serena, entusiasmada e alegre, que transmite alegria onde quer que esteja. Um coração cheio de Deus é um coração feliz que irradia alegria e contagia todos os que estão ao seu redor. Portanto, não vamos perder esse espírito alegre, cheio de humor, e até mesmo auto-irônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo em situações difíceis.

A doença do acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial em seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas apenas para se sentir seguro. Na verdade, nada de material poderemos levar conosco, porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos tesouros terrenos – mesmo se são presentes – nunca vão preencher esse vazio. Para essas pessoas, o Senhor repete: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu; sê pois zeloso, e arrepende-te”. O acúmulo somente pesa e atrasa o caminho inexorável!

A doença dos círculos fechados: onde pertencer a um pequeno grupo torna-se mais forte do que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas com o passar do tempo escraviza os membros tornando-se “um câncer” que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos – especialmente aos nossos irmãos menores. A auto-destruição ou “fogo amigo” de soldados companheiros é o perigo mais insidioso. É o mal que atinge a partir de dentro e, como disse Cristo: “Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado”.

E a última: a doença do lucro mundano, dos exibicionismos: quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em uma mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poderes. É a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e para este fim são capazes de caluniar, de difamar e desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e revistas. Naturalmente, para se exibir e se demonstrar mais capaz do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo, porque leva as pessoas a justificarem o uso de todos os meios para alcançar tal objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência!

Irmãos, – concluiu no Papa – tais doenças e tais tentações são, naturalmente, um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial… etc. e podem afetar seja o indivíduo seja a comunidade.

É preciso esclarecer que somente o Espírito Santo – a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno Constantinopolitano: “Creio … no Espírito Santo, Senhor que dá a vida” – pode curar todas as doenças. É o Espírito Santo que sustenta todos os esforços sinceros de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos fazer entender que cada membro participa da santificação do corpo e do seu enfraquecimento. Ele é o promotor da harmonia.

A cura é também o resultado da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de curar-se, sobretudo com paciência e perseverança. (SP)

fonte:
NEWS.VA http://www.news.va/pt/news/papa-a-curia-catalogo-de-possiveis-doencas

Feliz Natal

Amigos e amigas,

O caminho para Belém é longo e árduo.

deserto

O homem generoso que cuida com carinho da esposa e a mulher grávida que busca um mínimo de conforto no lombo do jumentinho perguntam-se o que teria sido feito das profecias que urgiam a humanidade a ‘preparar no deserto o caminho do Senhor, aplainando a estrada de Deus, nivelando os vales, rebaixando os montes e colinas; endireitando o que é torto e alisando as asperezas’…

O deserto, claro, continua lá, embora mais estranho que nunca: é cheio de luzes, de lojas, de ruídos, de gente apressada carregando sacolas e ignorando o semelhante que vai ao lado… mas não há nenhuma indicação do caminho do Senhor.

A estrada também está no mesmo lugar, mas não foi aplainada: não há lugar para jumentinhos, apenas para máquinas que se deslocam velozmente e roubam das pessoas a possibilidade de caminhar.

Os vales podem ser vistos ainda, mas não estão nivelados: estão cheios de choupanas, choças, choro de criança, lamentos de adultos embriagados de vinho barato, impropérios dos inconformados e nenhuma alegria.

Os montes e colinas permanecem impávidos, ninguém os rebaixou: tornaram-se reduto dos que têm posses para fugir dos vales e estão cheios de música e risadas, mas nenhuma esperança.

O que era torto e áspero segue na mesma irregularidade e na aspereza de sempre: não há mais tempo para endireitar ou alisar; todo o tempo é usado no isolamento dos inventos que a tecnologia produziu para aproximar as pessoas e, paradoxalmente, as distancia cada vez mais, até o ponto de elas se encontrarem lado a lado e não trocarem nem um olhar, nem uma palavra.

Mas o homem generoso e a mulher grávida não perdem a esperança. Seguem adiante em sua viagem secular; estão certos de que Belém está ali, um pouco adiante. Precisam chegar a tempo para que o Menino venha a esse mundo tão necessitado d’Ele!

De olhos bem abertos na Noite Santa deste ano que termina, procuremos divisar a estrela que indica o canto escuro que Ele escolheu para vir ao mundo… Esqueçamos por um momento o descumprimento das recomendações dos profetas e sigamos nos caminhos tortos e ásperos: a surpresa de conhecer o Rei dos Reis valerá a pena.

Maria Elisa Zanelatto
dezembro/2014

Las Cuatro Velas – As Quatro Velas

quatro velas

Precisa de uma tradução?                             Clique sobre a imagem…

Cuatro Velas se estaban consumiendo lentamente.
El ambiente estaba tan silencioso que se podía oír el diálogo entre ellas.

La primera dijo:
-¡Yo Soy la Paz! A pesar de mi Luz, las personas no consiguen mantenerme encendida.
Y disminuyendo su llama, se apagó totalmente.

La segunda dijo:
-¡Yo me llamo Fe! Infelizmente soy superflua para las personas, porque ellas no quieren saber de Dios, por eso no tiene sentido continuar quemándome.
Al terminar sus palabras, un viento se abatió sobre ella, y esta se apagó.

En voz baja y triste la tercera vela se manifestó:
¡Yo Soy el Amor! No tengo mas fuerzas que quemar. Las personas me dejan de lado porque solo consiguen manifestarme para ellas mismas; se olvidan hasta de aquéllos que están a su alrededor y también se apagó.

De repente entró una niña y vio las tres velas apagadas.
-¿Qué es esto? Ustedes deben estar encendidas y consumirse hasta el final.

Entonces la cuarta vela, habló:
-No tengas miedo, niña, en cuanto yo esté encendida, podemos encender las otras velas.
Entonces la niña tomó la vela de la Esperanza y encendió nuevamente las que estaban apagadas.

¡Que la vela de la Esperanza nunca se apague dentro de nosotros!
Por siempre….¡¡

DE COLORESSSS !!!!

A espiritualidade do Advento

A espiritualidade do Advento

A espiritualidade do Advento é marcada por algumas atitudes básicas: a preparação para receber o Cristo; a oração e a vivência da esperança cristã.

papa confessando

Clique sobre a imagem.

A preparação para receber o Senhor se dá na vivência da conversão e da ascese.

Precisamos ter um olhar atento sobre nós e a realidade que nos cerca e nos empenharmos para correspondermos com a ação do Espírito de Deus que quer restaurar todas as coisas.

O nosso relacionamento com o nosso corpo e os nossos afetos, com nossos familiares e pessoas íntimas, nossa participação na vida eclesial e social devem estar no foco de nossa atenção.

A preparação para celebrar o Natal demanda uma confissão sacramental bem feita e um propósito firme de renovação interior.

Muito além do tempo de Advento, sigamos o exemplo do Bispo de Roma Francisco e pratiquemos o preceito da confissão durante todo o ano.

O Penhor da Nossa Ressurreição

Evangelização e Comunicação

O Penhor da Nossa Ressurreição

Se Cristo ressuscitou, também nós haveremos de ressuscitar no último dia. Esta é nossa fé, que fundamenta a esperança escatológica. Escatológico significa que tudo o que se refere ao nosso destino último. Dizer que o tempo escatológico já se iniciou não significa que está próximo o fim dos tempos, e sim que Deus não enviará outro salvador, outro projeto de salvação e, portanto, que Jesus Cristo é o último, o salvador definitivo, e sua mensagem é a mensagem definitiva de Deus ao mundo.

Ora, no fim dos tempos Deus nos ressuscitará dos mortos, conforme a Escritura. O apóstolo Paulo o ensina em suas cartas. Aos coríntios, escreve: “É preciso que este ser corruptível (o ser humano) se vista da incorruptibilidade e este ser mortal se vista de imortalidade (…). Então estará cumprida a palavra da Escritura: ‘A morte foi tragada pela vitória; onde está, ó morte, a tua vitória?’ Graças sejam dadas a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor, Jesus Cristo” (1Cor 15,53-57). Essa vitória de Cristo é sua vitória sobre a morte, sua ressurreição dos mortos, da qual participaremos, como membros de seu corpo místico.

No tempo de paulo, havia os que duvidavam da ressurreição dos mortos. Paulo os interpela dizendo: “Se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como podem alguns dentre vós dizer que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, então também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais em vossos pecados (…). Mas, na realidade Cristo ressuscitou dos mortos” (1Cor 15,12-17.20). Essa vitória se inicia em nós pela fé e pelo batismo , mas se realiza plenamente na ressurreição final: “Pelo batismo fomos sepultados com Cristo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova” (Rm 6,4).

Cardeal Dom Cláudio Hummes

fonte: folheto O Domingo (23/11/2014) – Editora Paulus Editora-Paulus

Viver em Cristo

Evangelização e comunicação

Viver em cristo

“Viver em Cristo” é tema recorrente nas cartas do apóstolo Paulo. Indica-nos a essência da vida cristã. É Deus quem nos santifica pela fé e pelo batismo. A nós toca “viver como convém a santos” (Ef 5, 3b). Isso se concretiza à medida que vivemos em Cristo.

Viver em Cristo, segundo são Paulo, significa: Jesus Cristo morto e ressuscitado é para cada batizado o principio secreto, mas dinâmico, de sua nova existência. Assim Paulo fala aos filipenses: “Por ele (Jesus Cristo), deixei para trás todas essas coisas como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, não com uma justiça minha derivante da lei, mas com aquela que deriva da fé em Cristo, isto é, a justiça que deriva de Deus, baseada sobre a fé” (Fl 3,8-9). “‘Ser encontrado unido a ele': eis a essência! Aqui se mostra uma radical concentração de todos os valores do ser humano em Cristo. Cristo é, por assim dizer, o ambiente vital de cada cristão: Sua atmosfera, sua vida, seu fundamento e seu cume” (R. Penna). Paulo continua, explicando: “É assim que eu conheço Cristo, a força da sua ressurreição e a comunhão com os seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele na sua morte, para ver se chego até a ressurreição dentre os mortos (…). Eu já fui alcançado por Cristo(Fl 3,12).

Esse “viver em Cristo” inicia-se pela fé e pelo batismo: Acaso ignorais que todos nós batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados? Pelo batismo fomos sepultados com ele na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dos mortos pela ação gloriosa do Pai, assim também nós vivamos uma vida nova (…). Se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele” (Rm 6,3-8). Paulo conclui: “Com Cristo fui pregado na cruz. Eu vivo, mas não eu: é Cristo que vive em mim. Minha vida atual eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim(Gl 2,19-20). Eis o “viver em Cristo”.           

Cardeal Dom Cláudio Hummes

fonte: folheto O Domingo (26/10/2014) – Editora Paulus Editora-Paulus

O Perfil de Paulo, Comunicador

Evangelização e Comunicação

o PERFIL DE PAULO, cOMUNICADOR

O apóstolo Paulo é sempre referência significativa na Igreja quando o assunto é “evangelização e comunicação”, dado que foi um incansável evangelizador e animador de comunidades que utilizou as mais rápidas formas de comunicação disponíveis no seu tempo.

Entre os meios utilizados por Paulo estão as cartas, nas quais buscava, com base nos ensinamentos de Jesus, apresentar soluções para os problemas concretos das comunidades com que tinha contato. À luz do evangelho, o apóstolo ajudava os cristãos a iluminar as realidades comunitárias, motivando-as a viver o amor, a misericórdia, a solidariedade e a justiça e a ser perseverantes na oração e nos encontros comunitários.

O dinamismo incansável de são Paulo no anúncio do evangelho bem como as formas e estratégias utilizados no seu trabalho pastoral fizeram que a Igreja, no esforço de atualizá-lo, o relacionasse aos meios de comunicação social. De fato, o bem aventurado Tiago Alberione afirmava, já na década de 1950, que, se Paulo vivesse em nossa era, usaria os púlpitos mais elevados que o progresso humano ergueu: imprensa, cinema, rádio e televisão.

Com o aparecimento e o avanço da comunicação digital, podemos dizer que, se ele vivesse hoje, usaria a internet, de modo especial as redes sociais, para tornar Jesus conhecido. Neste sentido, Paulo é uma inspiração no seguimento de Jesus e uma referência  para todos os que se dedicam ao anuncio do evangelho com os meios mais rápidos e eficazes de fazer o bem.

Pe. Valdir José de Castro, ssp

fonte: folheto O Domingo (10/06/2014) – Editora Paulus Editora-Paulus

Aprender dos Pequenos

Aprender dos Pequenos

O evangelho (Mt 11,25-30) deste domingo revela um Deus humilde e misericordioso, que socorre os pequenos e empobrecidos. depois de elevar ao Pai uma oração confiante porque os pequeninos acolhem os valores do reino, Jesus nos faz três importantes apelos.

Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados.” O apelo é dirigido aos que são oprimidos pelos “sábios e inteligentes”. É um apelo a todos os que sentem o peso de uma religião moralista e permeada de normas proibitivas, a qual os impede de chegar ao cerne da mensagem de Jesus. A religião dele é uma religião da alegria. “Vinde a mim” é convite a uma vida nova que inclui a alegria da convivência, da solidariedade com os outros, da experiencia do amor gratuito do Pai que quer o bem e a felicidade de todos os seus filhos e filhas e os leva a encontrar sua presença salvífica.

Tomai sobre vós o meu jugo, que é suave e leve.” Carregar o jugo – expressão apreciada pelos rabinos – refere-se ao jugo das normas a serem assumidas pelos integrantes do grupo religioso e ao fardo pesado imposto pelo poder politico opressor. A lei, que deve ser fonte de vida, acaba tornando, nas mãos das “elites”, fardo insuportável. O jugo de Jesus é suave e não pesado porque ele propõe novo caminho de vida, liberta de todo tipo de opressão, de pesos inúteis. Ele não bloqueia nem tortura a consciência dos pobres; ao contrário, a alivia e a liberta.

Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração.” É o apelo constante que Jesus nos dirige ainda hoje. Sempre é possível e oportuno aprender dele o jeito de encarar a vida e a religião. Em Jesus, encontramos a esperança. Em Jesus, encontramos a esperança de libertação, o alivio e o descanso. Ele nunca quis complicar a vida de ninguém; ao contrário, torna-a simples, leve e despojada, não a oprime nem a estorva.

Aprendei de mim” é um alerta para não seguir “sábios e entendidos” que se fazem senhores da consciência do povo, a fim de manipulá-lo, e apresentam um Deus descomprometido com os pobres.

Pe. Nilo Lusa, ssp

fonte: folheto O Domingo (06/07/2014) – Editora Paulus Editora-Paulus

Evangelização e Comunicação

Evangelização e comunicação

As linguagens das mídias

Constatamos que o conteúdo da evangelização é importante, porém não suficiente, quando consideramos o trabalho pastoral na ótica dos meios de comunicação. Na ação evangelizadora não basta veicular conteúdo em revistas e jornais impressos, no rádio, na televisão ou mesmo na internet, mas é necessário adaptar a mensagem às características da linguagem de cada mídia. de fato, uma é a linguagem e o estilo próprios dos púlpito, ou seja, da pregação presencial na comunidade; outra é a linguagem utilizada pelos meios de comunicação, com as suas peculiaridades oriundas das técnicas e dos códigos que o caracterizam. 

O estudo nº 101 da CNBB, A comunicação na vida e missão da Igreja no Brasil (n. 9), afirma que é preciso ter presente, na pastoral, a linguagem audiovisual, que caracteriza a televisão e o cinema, ou o fluxo de palavras e músicas, que caracteriza o rádio, ou desdobramento da própria linguagem verbal em formas icônicas e figuradas, típicas da internet e de tudo o que está emergindo no campo da telefonia móvel. Sobre esses aspectos da comunicação, a V Conferência Episcopado Latino-Americano e do Caribe, realizada em Aparecida em 2007, advertiu-se de que ainda, “na evangelização, na catequese e em geral na pastoral, persistem, pouco significativas para a cultura atual, e em particular, para os jovens”. Reconheceu que “muitas vezes as linguagens utilizadas parecem não levar em consideração a mutação dos códigos existencialmente relevantes nas sociedades influenciadas pela pós modernidade e marcadas por um amplo pluralismo social e cultural” E concluiu que por isso, “não se vê uma presença importante da Igreja na geração de cultura, de modo especial no mundo universitário e nos meios de comunicação” (DAp 100d)

É um desafio, portanto, na pastoral da comunicação, dominar as linguagens das mídias para testemunhar a fé em Cristo e anunciar o evangelho de maneira compreensível, criativa e dinâmica a fim de chegar a todos, homens e mulheres, especialmente aos jovens que pertencem ao novo paradigma cultural marcado pela comunicação digital.

Pe. Valdir José de Castro, ssp

fonte: folheto O Domingo (15/06/2014) – Editora Paulus Editora-Paulus