A Paixão é inevitável

A Paixão é inevitável

A Paixão é inevitável: seja você um Galileu que incomoda o poder civil e religioso do seu tempo por fazer o bem de graça; seja você um homem (ou uma mulher comum) que, indignado diante das injustiças que se desenrolam diante de seus olhos, decide não se calar. A punição é a mesma de sempre: prisão arbitrária, julgamento injusto, flagelo, humilhação, assassinato. A reação do povo é a mesma de sempre: saudação com ramos na entrada de Jerusalém, elogios rasgados que transformam o réu em celebridade, indiferença diante da condenação sem provas, mudança de opinião conforme manda a mídia – crucifiquem este e soltem aquele…

clip_image0022A Páscoa é inevitável. A Ressurreição será constatada bem cedo e será alegremente anunciada por gente a quem os bem-nascidos não devotam nenhuma consideração. Os algozes ficarão sem palavras e terão que começar a pensar em como eliminar o Ressuscitado… Os perdoados pelas fraquezas de última hora, encontrarão forças para sair em direção aos confins da terra ensinando o que tinham aprendido com Ele.

Escolher é inevitável. Acovardar-se diante da sentença, ou manter-se firme em meio da perseguição que virá. Perder-se anonimamente no meio da multidão ou pregar sobre os telhados. Comportar-se como quem simplesmente obedece à lei, ou expulsar os cambistas do templo. Agradar ao mundo ou preocupar-se com os excluídos.

Estou certa de que você está entre os que entenderam que, haja o que houver, é a verdade que liberta. Por isso desejo-lhe uma Feliz Páscoa da Ressurreição!

Maria Elisa Zanelatto
Abril de 2018

Mensagem do Papa para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2018

Mensagem do Papa para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 2018

Hoje, 24 de janeiro de 2018

Com o tema “A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32). Fake news e jornalismo de paz, o papa Francisco dirige-se a todos nós para uma mensagem sobre a comunicação humana, que ele diz ser a modalidade essencial para viver a comunhão.

O texto é constituído da saudação inicial e de mais quatro partes:

  • Que há de falso nas “notícias falsas”;
  • Como podemos reconhecê-las;
  • “A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32);
  • A paz é a verdadeira notícia.

Por fim, com inspiração na conhecida oração franciscana, diz que poderemos nos dirigir à Verdade em pessoa (Jesus Cristo), nestes termos:

Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal

que se insinua em uma comunicação

que não cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor,

fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão,

fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade,

fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão,

fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo,

fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade,

fazei que ponhamos interrogativos verdadeiros;
onde houver preconceitos,

fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade,

fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade,

fazei que levemos verdade.
Amém.

Atenta aos acontecimentos do mundo, a Igreja nos chama a conhecer os “sinais dos tempos”, a olhar com os olhos de Jesus as realidades atuais existentes, o que elas têm de bom ou de ruim. Nas situações contrárias ao Reino, devemos agir como se o próprio Jesus estivesse em nosso lugar, agir com sabedoria cristã para melhorarmos a situação.

A mensagem do papa orienta os jornalistas para a notícia verdadeira e libertadora. Também dá diretrizes para nosso comportamento diante das fake news tão presentes em nosso cotidiano.

Qual tem sido nossa postura diante das informações que recebemos todos os dias pelas redes sociais?

Sabemos discernir quais são as informações verdadeiras?

O papa nos diz que a verdade tem a ver com a vida inteira. Ainda nos diz que:

“o melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem”.

O texto pode ser acessado em:

http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html

Joaquim Benício Peruzzo
58º Cursilho para Homens da diocese de Lins – abril/1988

A febre amarela e a necessidade de vacinação em nossa região

A febre amarela e a necessidade de vacinação em nossa região

“Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpo, antes o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a Igreja, pois somos membros do seu corpo.” Carta aos Efésios 5, 29-30

Celeremente, se espalhou o tema Febre Amarela, sendo muito visto e ouvido, tanto na mídia escrita e televisiva, quanto nas redes sociais e, assim, seguiu-se nas conversas dos grupos de rápida interação, citando como exemplo o Whatsapp.

A menção das palavras de São Paulo na Carta aos Efésios continuam atualíssimas e nos conclamam: ninguém jamais odeia o seu corpo, mas o alimenta e cuida dele.

Portanto, é preciso que alimentemo-nos de alimentos saudáveis, dos alimentos que fazem bem para nosso corpo. Cuidemos de nossa saúde, não somente quando a doença aparece, mas usemos das muitas formas de prevenção que a ciência nos indica. Sem radicalismos, mas de forma natural, moderada, consciente. Tenhamos, ainda, uma mente sã e equilibrada.

Neste contexto, a equipe do blog não poderia ficar indiferente e ora visando auxiliar, traz abaixo um pouco mais de informação para ser disseminada, principalmente à região em que se encontra a diocese de Araçatuba.

FebreAmarela

Neste sentido, temos que de longa data, esta região considerada área de recomendação permanente de prevenção à febre amarela, porque vivemos numa área endêmica, ou seja, existe a possibilidade contínua de adquirir febre amarela.

Portanto, temos a necessidade de nos prevenir contra a doença. E a prevenção se dá tomando a vacina (caso nunca a tenha tomado antes). A vacina é a única forma de evitar a febre amarela.

Para aprofundar um pouco mais, segue transcrição extraída do site da Fundação Osvaldo Cruzhttps://www.bio.fiocruz.br/index.php/febre-amarela-sintomas-transmissao-e-prevencao

A febre amarela ocorre nas Américas do Sul e Central, além de em alguns países da África e é transmitida por mosquitos em áreas urbanas ou silvestres. Sua manifestação é idêntica em ambos os casos de transmissão, pois o vírus e a evolução clínica são os mesmos — a diferença está apenas nos transmissores. No ciclo silvestre, em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus. Já no meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue). A infecção acontece quando uma pessoa que nunca tenha contraído a febre amarela ou tomado a vacina contra ela circula em áreas florestais e é picada por um mosquito infectado. Ao contrair a doença, a pessoa pode se tornar fonte de infecção para o Aedes aegypti no meio urbano. Além do homem, a infecção pelo vírus também pode acometer outros vertebrados. Os macacos podem desenvolver a febre amarela silvestre de forma inaparente, mas ter a quantidade de vírus suficiente para infectar mosquitos. Uma pessoa não transmite a doença diretamente para outra.

No endereço eletrônico http://www.saude.sp.gov.br/, site do órgão oficial, no link Febre Amarela – campanha de vacinação e outras informações, podemos obter mais informações sobre a doença.

Aproveite e veja, também, o link Conheça a recomendação do Ministério da Saúde para quem for viajar dentro do Estado de São Pauloonde encontramos:

No estado de São Paulo, o Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” recomenda vacinação contra Febre Amarela, com pelo menos dez dias de antecedência, prioritariamente para indivíduos a partir de 9 meses de idade, residentes ou que se dirijam especialmente para áreas ribeirinhas e de mata dos municípios da região de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Araraquara, Bauru, Marília, Assis, Botucatu, Itapeva, São João da Boa Vista e parte da região de Sorocaba.

Agora, vamos entender um pouco mais:

Quem da nossa região nunca foi vacinado para se prevenir contra a febre amarela precisa ser vacinado, não somente por causa do surto epidemiológico da doença que está ocorrendo em Mairiporã Próximo da capital), mas porque moramos numa região endêmica, onde a recomendação é feita pelo Ministério da Saúde.

Se alguém já adquiriu a febre amarela não precisa da vacina.

O site da Secretaria Estadual de Saúde traz as informações que precisamos saber sobre a febre amarela:

  • a campanha de vacinação,
  • os municípios alvo da campanha,
  • quem vai tomar a vacina fracionada ou a dose total,
  • quem pode tomar a vacina
  • outras informações mais.

Para nós, araçatubenses e moradores das cidades da região, se nunca fomos vacinados, ela torna-se uma obrigação para não contrairmos a doença. É imprescindível cuidarmos da nossa saúde.

E mais, como moradores da cidade – na área urbana – nos compete, também, o dever de evitar a proliferação do mosquito Aedes Aegypti, transmissor das doenças dengue, chikungunya, zikavírus e da febre amarela urbana, ressaltando que esta não existindo no Brasil – felizmente – desde o ano de 1942.

Quiçá nunca mais aconteça a febre amarela urbana no Brasil e que a febre amarela silvestre seja contida e sua disseminação cerceada pelos agentes de saúde e pela vacinação das pessoas ainda não imunizadas pela vacina.

Com tantas informações científicas colocadas à nossa disposição e com os meios de comunicação – jornais, revistas, televisão, internet – que tratam o assunto com seriedade, não há que se dar atenção a diversas comunicações das mídias digitais, na maioria das vezes de cunho humorístico-anedotista ou alarmista que, ao invés de formar e informar, apenas fazendo o contrário.

Muitas são informações totalmente desprovidas de fundamentos científicos ou não correntes na medicina que cuida da saúde pública, onde o especialista é o médico sanitarista.

O médico sanitarista – cujo dia é comemorado em 02 de janeiro – é o profissional que trabalha analisando a saúde pública, apontando os problemas de uma comunidade, propondo melhorias e analisando os meios disponíveis para resolvê-los. O médico sanitarista também tem sido muito importante durante as construções públicas, pois ele tem o entendimento de compreender as consequências que essas obras podem causar em uma determinada comunidade. Com o passar do tempo, o trabalho desse profissional mudou bastante e hoje está inserida na área de saúde coletiva (cf. http://www.tratabrasil.org.br/o-medico-sanitarista-e-a-saude-publica).

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Um cientista pioneiro no Brasil foi o doutor Oswaldo Cruz. Médico, bacteriologista, epidemiologista e sanitarista brasileiro, tão importante para o povo brasileiro, dedicou sua vida ao estudo das moléstias tropicais e da medicina experimental no Brasil. Respeitado internacionalmente, em forma de homenagem seu nome é conferido a diversas instituições científicas e a um município de nosso estado.

Reconhecer o trabalho e esforço dos cientistas que muitas vezes sacrificam suas vidas para o avanço constante da ciência e da saúde pública, exige de cada um de nós a adoção de medidas de prevenção das doenças presentes, com frequência ou não, em nosso país. Medidas simples, como a vacinação para não contrair a febre amarela.

Destaca-se que é relevante nossa atenção às fontes seguras de informação sobre a febre amarela, nesse tempo em que a doença tem se manifestado em muitos pontos desse imenso Brasil e no estado de São Paulo. A mídia tem se prestado bem a nos trazer informações seguras e com fundamento nas instituições de saúde existentes no país, no estado e em nossa cidade.

É comum acharmos que certas coisas acontecem somente aos outros, nunca a nós mesmos. Cada um deve cuidar do seu ambiente, da sua casa, do seu quintal. Às vezes ouvimos pessoas que dizem “eu faço tudo isso, faço tudo certo, mas os outros não fazem a parte deles”.

Além do cuidado com a limpeza dos espaços físicos, é primordial a conscientização para uma cultura de prevenção, de medidas, posturas e cuidados abrangentes que envolvem não a uns e a outros, mas a todos.

Fazer a nossa parte implica em um trabalho constante de conscientização que envolva toda a população no combate aos criadouros do mosquito aedes aegypti e às medidas de prevenção das doenças presentes ou que possam se tornar presentes na comunidade.

Joaquim Benício Peruzzo
58º Cursilho para Homens da diocese de Lins – abril/1988

2018: um ano que a Igreja quer dedicar especialmente a você, leigo católico!

2018: um ano que a Igreja quer dedicar especialmente a você, leigo católico!

A CNBB, em 2018, propõe à Igreja um aprofundamento sobre a importância dos leigos. É uma novidade, e ao mesmo tempo não é. Novidade porque será um ano específico. Não é, porque os leigos sempre estiveram presentes na missão da Igreja e, sem eles, não haveria necessidade de pastores.

leigos

Há quem diga que, por um bom tempo, os leigos não tinham vez, mas isto não corresponde à verdade histórica, até porque nunca faltou na Igreja, associações e movimentos liderados por leigos. Basta pensar nas “Ordens Terceiras”. É claro que, nos dias atuais, o papel dos leigos é mais reconhecido, porém sempre existiu.

Primeira coisa: Quem é leigo?
Resposta: Aquele que não é clérigo.

Alguém deixa de ser leigo quando é ordenado Diácono, podendo ser no futuro um presbítero (padre) ou epíscopo (bispo). Todos os outros na comunidade, são leigos, ou seja, não exercem funções do ministério ordenado.

O Catecismo afirma que “nas comunidades eclesiais, a ação deles é tão necessária que sem ela o apostolado dos pastores não pode, a maior parte das vezes, obter seu pleno efeito” (CIC 900). Os leigos são as mãos e os pés do sacerdote. Imagine uma Paróquia com 60 comunidades, num município com 60 mil habitantes e apenas um Padre. Como o apostolado iria funcionar??? Apenas com a ajuda dos leigos.

No Novo Testamento, vemos que, tanto nos Evangelhos como nas Cartas, os leigos tiveram missões importantes. As mulheres que seguiam Jesus (Lc 8, 1-3), os amigos de São Paulo que o ajudavam nas suas andanças (2Tm 4, 19), etc. Quando Jesus nasceu, os seus primeiros adoradores foram os leigos (Lc 2, 15-20).

É comum ver nas redes sociais, um bom número de pessoas que vivem criticando os seus pastores e proclamando, do alto dos seus sofás, como a Igreja deveria agir. Seria muito mais proveitoso, se os mesmos se colocassem à disposição para visitar os hospitais, auxiliar nas catequeses, evangelizar as comunidades periféricas, ajudar na Pastoral do Dízimo, enfim. Agir é muito mais produtivo que falar.

O LEIGO, para cumprir bem a sua função, precisa ter consciência de duas coisas:

  1. Ele é um batizado, e por isso tem a obrigação de anunciar o Evangelho. Também se faz necessário o engajamento em alguma pastoral ou movimento, de acordo com o seu carisma e/ou espiritualidade.
  2. Ele não é clérigo. Portanto, não se pode colocar acima dos dos pastores, como se não dependesse dos mesmos. Até porque a Igreja vive da Eucaristia, e somente o Ministro ordenado pode consagrar as espécies eucarísticas.

Costumamos rezar para que Deus mande vocações sacerdotais, mas também devemos pedir que Ele envie bons leigos para a messe. Homens e mulheres que, antes de tudo, façam a opção pela santidade e que dediquem parte do seu tempo para a evangelização.

Arrisco-me a dizer que, vale mais a pena uma paróquia com bons leigos e um mau pastor, que um bom pastor cercado de maus leigos.

Que este Ano do Laicato, seja muito frutuoso para a Igreja do Brasil.

Pe. Gabriel Vila Verde

fonte: https://pt.aleteia.org/2018/01/07/2018-um-ano-que-a-igreja-quer-dedicar-especialmente-a-voce-leigo-catolico/

7 de janeiro: Epifania do Senhor

ACOLHER OU REJEITAR O PROJETO DE DEUS

Mateus continua a descrever, à luz da Escritura, os acontecimentos da infância de Jesus, já não focando os judeus, mas os pagãos (magos). São estes que reconhecem e anunciam a chegada do rei Messias. Diante da notícia, o tirano Herodes – sempre preocupado com possíveis pretendentes ao seu trono – e parte da população de Jerusalém ficam perturbados. O rei convoca os letrados para se informar melhor sobre o acontecimento e procura convencer os magos a dar-lhe dicas detalhadas a respeito do menino e do local do nascimento.

No relato de Mateus, percebemos claramente duas posições diante do nascimento de Jesus: o império de Herodes e a elite de Jerusalém que se opõem, tentando destruir os planos de Deus; os itinerantes magos, pagãos que não detêm o poder, abraçam os planos divinos e presenciam o amanhecer da nova era.

Desde o nascimento, Jesus manifesta-se como sinal de contradição: é fonte de alegria para seus admiradores; é motivo de perturbação e alvo de ódio para quem, fechado no próprio egoísmo, tem medo de que sua vinda acarrete a perda de privilégios. É um cenário tenso, que marca toda a atividade de Jesus, até chegar à cruz, mas sem terminar aí, pois ainda hoje os adversários dele tentam abortar suas propostas.

A palavra epifania deriva do grego e significa a “manifestação de Deus aos povos”. Sua manifestação tem como primeiras testemunhas um grupo de pagãos (os magos). O recém-nascido, frágil e indefeso, dá-se a conhecer a um grupo de desconhecidos que, guiados pela estrela, chegam até ele para adorá-lo. Temos de celebrá-lo também nós e sentir, no fundo do coração, a mesma alegria que os magos sentiram.

Deixemos que a estrela ilumine também nosso caminho e nos guie na busca do rei dos judeus. Seguindo a “estrela de Belém”, seremos capazes de enfrentar e superar os Herodes atuais que procuram impedir que o reinado de Deus se estabeleça na sociedade.

Pe. Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (07/01/2018) – Editora Paulus – Editora-Paulus

1º de janeiro: Maria, Mãe de Deus

MÃE DE DEUS E DOS PEQUENOS

O ano se abre com a solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria, quando também se celebra o dia mundial da paz. Na oitava do Natal, a festa da Mãe de Deus nos convida a voltar novamente os olhos e o coração para o menino recém-nascido em Belém. Ele é o Deus que se faz humano na pobreza, na manjedoura que supre a falta de lugar na sala. Deus se faz pequeno e pobre, é Rei que nasce longe do luxo dos palácios, é Senhor que caminha com os simples e sofredores.

Não por acaso, os primeiros que receberam o anúncio do nascimento de Jesus foram os pastores: gente marginalizada, porque não tinha condição de cumprir todas as exigências da Lei do Antigo Testamento. Aliás, desde o início, o evangelho narra a história dos pequenos e marginalizados que se alegram e ficam maravilhados com a presença e a ação de Deus, que se faz pobre como eles.

Aqueles pastores, atentos ao anúncio do anjo, encontram Jesus e ficam maravilhados. Voltam glorificando e louvando a Deus pelo que tinham visto e ouvido. Eles nos fazem pensar na importância de estar atentos ao que Deus nos fala hoje, de nos abrirmos ao encontro pessoal com Jesus e nos deixarmos transformar por ele. Afinal, como o encontro com Jesus se manifesta concretamente em nossa vida pessoal e comunitária?

Maria, por sua vez, é a mãe que guardava no coração tudo o que acontecia com Jesus e meditava sobre esses fatos. Ela nos ensina a acolher o projeto de Deus mesmo quando nem tudo é claro, mesmo quando Jesus (cujo nome significa “Deus salva”) parece estar distante, alheio aos nossos problemas.

O Deus que se faz ser humano continua vindo a nós pela via da simplicidade e do aparente fracasso. Reconhecê-lo e acolhê-lo nos pequenos de hoje é, a exemplo de Maria, recordar o que Jesus fez e falou, para então continuar dando glória a Deus e ajudar na construção da paz.

Pe. Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (01/01/2018) – Editora Paulus – Editora-Paulus

Advento – Esperar e preparar-se para aquilo que se revelou em Cristo

Vem, Senhor Jesus! Vem!

Na Igreja, o Tempo do Advento são as quatro semanas que antecedem o Natal.

É um tempo de refletir, orar e nos preparar para o feliz acontecimento que está por chegar.

manjedoura

Esse período nos convida a tocarmos no mais profundo das nossas esperanças e expectativas. Portanto, momento para estreitarmos a nossa relação com Deus e deixar nossos corações mais sensíveis com a notícia da boa nova que está por vir.

Assim, esta novidade nos transforma, pois vem do alto, do próprio Deus que nos visita e abre nossos horizontes para a salvação.

E, como uma demonstração de que estamos verdadeiramente conectados com Deus, neste período somos chamados a intensificar nossas orações.

Vale lembrar que Advento:

  • Significa preparação para a vinda do Messias na carne quente e humana de Jesus Cristo na festa do Natal.
  • Simboliza ainda a preparação da humanidade para a chegada do Salvador do Mundo.

E … Ele já veio.

Por isso não deveria em si haver mais o tempo do advento.

O tempo da espera e das trevas já passou e andamos a luz do Esperado que já irrompeu.

Porque então festejamos ainda o advento?

Não é só um rito litúrgico e um tempo que prepara o Natal?

Não.

Devemos observar que o advento faz parte de nosso tempo, depois da encarnação de Deus. É verdade que Deus veio de forma definitiva para dentro de nossa pequenez, mas, apesar disso, Ele é sempre Aquele que ainda deve vir e continua chegando para cada um e para todo o mundo.

Ao lançar um olhar para dentro si, observamos que cada pessoa vive no Antigo Testamento de si mesmo, porque vive na imperfeição e no pecado, no desejo da redenção e na ânsia do Libertador.

Os tempos messiânicos foram inaugurados com o Messias Jesus, mas não se completaram ainda.

Temos em Isaías 11,6-8:

“E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco.”

Porém, não é ainda verdade aquilo que Isaías profetizou para os tempos alegres do Messias, pois segue-se que o lobo ainda não é hóspede do cordeiro, a pantera não se deita ao pé do cabrito, nem o touro e o leão comem juntos; não é verdade ainda que a vaca e o urso confraternizam-se, e o leão come palha com o boi; não é ainda verdade que a criança de peito brinca à toca da serpente e o menino crescidinho mete a mão no buraco do escorpião.

Em outras palavras: a reconciliação do homem com o outro homem e com a natureza é ainda um suspiro dolorido.

Cremos que fomos libertados por Jesus Cristo, entretanto, nos vemos e sentimos tão pecadores como o homem pré-cristão.

Também, não se realizou a profecia de Jeremias (Jr 31,33) para o nosso tempo, de que Deus colocaria no nosso interior a sua lei santa e Ele mesmo a escreveria em nossos corações:

“Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.”

Toda esta situação nos convence: hoje é ainda advento.

Portanto, é preciso esperar a vinda de Deus que modificará este estado de dificuldades deste mundo realizando as profecias vistas nos sonhos dos antigos profetas e as nossas próprias esperanças.

Neste sentido, cada ser humano carrega dentro de si uma riqueza que não alcança ser mostrada durante nosso percurso terrestre.

É possível que não nos realizemos totalmente, por mais que nos esforcemos, porque não há testemunho de conversão completa de nosso modo de vida, assim, seguimos, permanecendo sempre no advento de nós próprios.

Mas um dia, tudo florescerá em nós quando Deus mesmo se revelar a nós próprios; então não haverá mais advento; enfim, será o Natal eterno, pois Deus terá nascido e se revelado definitivamente dentro de nosso coração.

O advento cristão professa: em alguém, em Jesus, Deus se manifestou totalmente.

N’Ele a espera expirou.

Concluindo, advento significa então: esperar e preparar-se para aquilo que se revelou em Cristo se revele também em nós.

Enquanto isso não acontecer, roguemos humildemente como os primeiros cristãos:

Vem, Senhor Jesus! Vem!

Maria, Modelo dos Evangelizadores

Maria, Modelo dos Evangelizadores

O papa Francisco, na exortação apostólica A Alegria do Evangelho propõe cinco atitudes para os evangelizadores (EG 24).

  1. Ir na frente: a comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (1 Jo 4,10). Por isso, ela vai à frente, vai ao encontro, procura os afastados e chega às encruzilhadas dos caminhos para convidar os que estão à margem.
  2. Envolver-se: com obras e gestos, os evangelizadores entram na vida diária dos outros. encurtam as distâncias, abaixam-se e assumem a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Contraem assim o “cheiro de ovelha”, e estas escutam a sua voz.
  3. Acompanhar: a comunidade acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece e suporta as longas esperas. A evangelização exige muita paciência.
  4. Frutificar: a comunidade mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. Encontra o modo de a Palavra se encarnar na situação concreta e dar frutos de vida nova.
  5. Festejar: Os evangelizadores, cheios de alegria, sabem festejar. Celebram os passos dados, cada vitória. E se alimentam da liturgia.

Essas atitudes estão antecipadas em Maria, a mãe de Jesus. Ao olhar para ela, vemos que é o modelo dos discípulos-missionários. 

  • Maria sai na frente, indo depressa ao encontro de Isabel (Lc 1, 39). Em Caná, toma a iniciativa quando percebe que falta o principal da festa (Jo 2,1-12).
  • Maria se envolve inteiramente na missão de educar Jesus. Quando este se torna adulto e parte em missão, ela acompanha discretamente seu filho.
  • Porque Maria tem fé, escuta a Palavra, medita no coração e a frutifica. Bendito é o fruto de teu ventre, diz Isabel! (Lc 1,42). Quantas coisas boas Maria plantou e colheu.
  • Por fim, ela sabe festejar. Seu cântico de louvor começa com uma explosão de alegria: “Minha alma engrandece o Se-nhor. E se alegra meu espírito em Deus, meu Salvador” (Lc 1,46).

Ir. Afonso Murad

fonte: folheto O Domingo (03/09/2017) – Editora Paulus Editora-Paulus

Sou cristão, mas não sou religioso

Sou cristão, mas não sou religioso

Desde a minha conversão à Igreja, tenho observado um movimento entre os jovens cristãos que afirmam amar Jesus, mas rejeitam a “religião”.

Eu não acho que este movimento seja de todo ruim.

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Muitos cristãos da geração millennial que rejeitam a “religião” argumentam que as pequenas diferenças entre as denominações cristãs realmente não importam no final. E eles estão certos; Há pouca diferença real entre muitas das denominações cristãs que surgiram ao longo do tempo desde a Reforma. Quando eu estou no meu estado natal de Oklahoma, eu me deparo com o número absurdo de igrejas diferentes que afirmam estar voltando às raízes do cristianismo.

Porém, a fragmentação sem fim de denominações cristãs é um escândalo para a unidade à qual Cristo nos chama (Jo 17,21). Talvez a rejeição dessas diferenças religiosas entre os jovens cristãos possa ser o início de um movimento ecumênico para a unidade no Corpo de Cristo. Neste sentido, sim, vamos rejeitar as “religiões” baseadas em diferenças superficiais e enraizadas na divisão e no pecado.

Mas, como uma ex-ateia, eu tenho que dizer que há também algumas bandeiras sérias neste movimento para rejeitar a “religião”. Em uma recente tarde de domingo, a hashtag #EuNãoVouÀIgrejaPorque estava entre os top trends no Twitter. Para minha surpresa, muitos dos tuítes foram de cristãos que, orgulhosamente, proclamaram que eles não “precisam” de religião, eles só precisam de Jesus. Parece que a mentalidade sob a rejeição dos sacramentos entre alguns cristãos evoluiu naturalmente para uma rejeição de algo tão básico como celebrar a Eucaristia semanalmente.

Além do fato óbvio de que isso acontece sempre na milenar tradição cristã, há também a preocupação válida de que esta forma de “cristianismo”, baseada em nada mais que sentimento, vai se tornar, dentro de uma geração ou duas, em ateísmo.

E como esta nova forma de “Cristianismo” evoluiu: Muitas pessoas que estão neste movimento argumentam que separar o Cristianismo da “religião” nos ajuda a voltar às raízes do Cristianismo, às reais intenções de Jesus.

Mas a Bíblia e os escritos dos padres primitivos da Igreja revelam muito pouco para sustentar essa afirmação.

Aqui estão algumas evidências da Escritura e da história antiga da Igreja:

1. Os cristãos se reúnem para adorar: Deus nos deu uma orientação clara e as Escrituras deixam evidente que os primeiros cristãos se reuniam para uma refeição eucarística todos os domingos. Reuniões de domingo nunca foram uma prática opcional para os cristãos. Se acreditamos que Jesus morreu por nós, o mínimo que podemos fazer é adorá-lo por uma hora todos os domingos.

Tome cuidado, então, muitas vezes para se reunir para dar graças a Deus, e mostrar o seu louvor. Pois quando vocês se reúnem frequentemente no mesmo lugar, os poderes de Satanás são destruídos, e a destruição a que ele se propõe é impedida pela unidade de sua fé. – Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios.

 No primeiro dia da semana, nos reunimos com a finalidade de partir o pão (Atos, 20:7)

2. Religião é o que nos liga a Deus: Há muito desdém pelas práticas exteriores de piedade nos dias de hoje. E certamente, é verdade que as práticas exteriores não levam sempre à caridade e santidade. Mas isso não é motivo para deixá-las para trás. Somos corpo e alma. A relação com Deus é alimentada por práticas exteriores; elas nos ligam a Deus e estamos ligados a ele através da nossa religião.

Estamos unidos e ligados a Deus por este vínculo de piedade. É disso que a religião toma seu nome. – Lactâncio, As Instituições Divinas

Pois assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta. – Tiago 2:26

3O cristianismo é comunidade: Nossa fé não é apenas um relacionamento individual com Jesus. O Cristianismo envolve relacionamento com Deus (que é, Ele mesmo, uma comunidade de pessoas) e relacionamento com os outros em sua Igreja. É doloroso e difícil estar em relacionamento com outros pecadores. Mas nossa fé nos chama a estar em união não apenas com Deus, mas com outras pessoas.

Somos um corpo unido como tal por uma profissão religiosa comum, pela unidade de disciplina e pelo vínculo de uma esperança comum. Nós nos reunimos como uma assembleia e congregação … Nós nos reunimos para ler nossos escritos sagrados … Em mente e alma, não hesitamos em compartilhar nossos bens terrenos um com o outro. – Tertuliano, Desculpa

Pois, como em um corpo temos muitos membros, e todos os membros não têm a mesma função, então nós, embora muitos, somos um corpo em Cristo, e membros individualmente um do outro. – Romanos 12: 4-5

4. O cristianismo tem sucessão apostólica: As Escrituras deixam claro que Paulo nomeou bispos, Timóteo e Tito, e lhes pediu que designassem presbíteros (1 Tm 2: 2). Quando as pessoas rejeitam a hierarquia e a autoridade legítima em favor do individualismo, rejeitam Jesus e a Igreja que ele fundou.

Quando nos referimos a essa tradição que se origina dos apóstolos e que é preservada por meio da sucessão de presbíteros nas Igrejas, eles se opõem à tradição, dizendo que eles mesmos são mais sábios não meramente do que os presbíteros, até mesmo os apóstolos, porque eles descobriram a verdade não adulterada. – Irineu, Contra todas as heresias

Não negligencie o dom que há em ti, que foi conferido através da palavra profética com a imposição das mãos do presbitério. –  1 Timóteo 4:14

Cristianismo é uma religião. Sempre foi. E o movimento para remover a “religião” de nossa fé é um movimento que, em última instância, poderia minar a transmissão da fé para as gerações vindouras.

Essas são apenas algumas coisas que você pode apontar da próxima vez que uma pessoa disser que ele ou ela acredita em Jesus, mas não acha que é necessário praticar a religião.

Fonte: http://pt.aleteia.org/2017/01/31/sou-cristao-mas-nao-sou-religioso/

Carta MCC Brasil – Janeiro 2017 – 209ª

logo-mcc-22Carta MCC Brasil – Janeiro 2017 – 209ª

“Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é à maneira do mundo que eu a dou. Não se perturbe nem se atemorize o vosso coração”… (Jo 14,27).

 “Eu vos disse estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições. as, tende coragem! Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Muito amados leitores e leitoras: Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo (1Cor 1,3)!

Introdução.

São as palavras de Jesus que desejo colocar como tema de nossa reflexão nesta nossa primeira Carta de 2017, apropriando-me das palavras de Paulo aos Coríntios, para saudá-los com carinho no início deste novo ano. Se é grande a instabilidade política, social e até religiosa que atravessamos neste ano, as previsões para o próximo ano parecem não indicar mudanças mais profundas e positivas para o futuro, não só em nosso país como em outras partes do nosso planeta.

  1. Algumas perspectivas para 2017.

Ao acompanhar as notícias globais, tanto em outras geografias como aqui, parece-nos que a maior ameaça que seguiremos enfrentando são as guerras, os ataques fratricidas, a exclusão sempre mais acentuada. E talvez um dos aspectos mais graves de tudo isso é que as ‘guerras’, em maior ou menor escala, acontecem na intimidade das famílias, mesmo das que se afirmam cristãs. Não seria provável que Jesus já estivesse prevendo essa dolorosa situação ao afirmar que: “…daqui em diante, numa família de cinco pessoas, três ficarão divididas contra duas e duas contra três; ficarão divididos: pai contra filho e filho contra pai; mãe contra filha e filha contra mãe; sogra contra nora e nora contra sogra” (Lc 12,52-53)? Tudo isso leva ao ódio exacerbado, à violência, ao desamor e, como insiste o nosso papa Francisco, à “globalização da indiferença”. Diante de tal realidade e, infelizmente, de tais perspectivas para o ano que se inicia, parece-me não ser nem necessário que externemos nosso sonho que é, sempre, o anseio profundo de todo ser humano medianamente sensível aos problemas e desafios. Com efeito, sonhamos com a PAZ, ansiamos pela PAZ, queremos a PAZ.

  1. Mensagem do Papa Francisco para o 50º. Dia Mundial da Paz.

Fechamos o parágrafo anterior com nossos sonhos, anseios e esperanças para 2017 com a palavra PAZ. Penso que ninguém melhor para traçar para nós, católicos, e até para homens e mulheres de boa vontade, um itinerário para a PAZ do que nosso papa Francisco. Permitam-me, pois, apresentar-lhes uma breve síntese da sua importante Mensagem para o Dia Mundial da Paz, no dia 1º. de janeiro de 2017, cujo foco se exprime no subtítulo: “A não-violência: um estilo de política para a paz”. Faço-o, embora esteja certo de que todos os católicos se empenham em conhecer as orientações do nosso Pastor, procurando conhecer por outros meios o inteiro teor dessa Mensagem que se desenvolve em sete grandes parágrafos: 1. Introdução; 2. Um mundo dilacerado; 3. A Boa Nova; 4. Mais poderosa que a violência; 5. A raiz doméstica de uma política não-violenta; 6. O meu convite; 7. Conclusão.

2.1. Introdução. Dirigindo-se aos povos e nações do mundo, chefes de Estado e Governo, o Papa “formula sinceros votos de paz”, almejando paz a cada homem, mulher, menino e menina e declarando sua oração para que “a imagem de Deus em cada pessoa humana nos permita reconhecer-nos mutuamente como dons sagrados dotados de uma dignidade imensa”.  A seguir, a proposta da Mensagem: “Nesta ocasião desejo deter-me na não-violência como estilo de uma política de paz, e peço a Deus que nos ajude, a todos nós, a inspirar na não-violência as profundezas dos nossos sentimentos e valores pessoais. Sejam a caridade e a não-violência a guiar o modo como nos tratamos uns aos outros nas relações interpessoais, sociais e internacionais. Quando sabem resistir à tentação da vingança, as vítimas da violência podem ser os protagonistas mais credíveis de processos não-violentos de construção da paz”.

2.2. Um mundo dilacerado. No segundo parágrafo, com traços fortes, o Papa sintetiza o atual estado de violência que grassa no mundo e afirma:“Não é fácil saber se o mundo de hoje é mais ou menos violento que o de ontem, nem se os meios modernos de comunicação e a mobilidade que caracteriza a nossa época nos tornam mais conscientes da violência ou mais rendidos a ela”. E faz uma referência à prática dessa violência: “Seja como for, essa violência que se exerce «aos pedaços», de maneiras diferentes e em variados níveis, provoca enormes sofrimentos de que estamos bem cientes: guerras em diferentes países e continentes; terrorismo, criminalidade e ataques armados imprevisíveis; os abusos sofridos pelos migrantes e as vítimas de tráfico humano; a devastação ambiental. E para quê?”.

2.3. A Boa Nova. Jesus nos apresenta a Boa Nova que é Ele mesmo: “O próprio Jesus viveu em tempos de violência. Ensinou que o verdadeiro campo de batalha, onde se defrontam a violência e a paz, é o coração humano: «Porque é do interior do coração dos homens que saem os maus pensamentos» (Marcos 7, 21). Mas, perante essa realidade, a resposta que oferece a mensagem de Cristo é radicalmente positiva: Ele pregou incansavelmente o amor incondicional de Deus, que acolhe e perdoa, e ensinou seus discípulos a amar os inimigos (cf. Mateus 5, 44) e a oferecer a outra face (cf. Mateus 5, 39)”. E encerra o parágrafo dizendo: “A página evangélica – amai os vossos inimigos (cf. Lucas 6, 27) – é, justamente, considerada ‘a magna carta da não-violência cristã’: esta não consiste “em render-se ao mal (…), mas em responder ao mal com o bem (cf. Romanos 12, 17-21), quebrando dessa forma a corrente da injustiça”.

2.4. Mais poderosa que a violência. A começar por Madre Teresa de Calcutá, lembra o Papa tantas personagens que, pelo seu testemunho de vida, pela sua palavra e por suas lutas pela não-violência, ajudaram a construir a paz. E termina: Este compromisso a favor das vítimas da injustiça e da violência não é um patrimônio exclusivo da Igreja Católica, mas pertence a muitas tradições religiosas, para quem “a compaixão e a não-violência são essenciais e indicam o caminho da vida”. Reitero-o aqui sem hesitação: “nenhuma religião é terrorista”. A violência é uma profanação do nome de Deus. Nunca nos cansemos de repetir: “Jamais o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa. Só a paz é santa, não a guerra”.

2.5. A raiz doméstica de uma política não-violenta. Se acompanhamos o dia a dia do Papa Francisco, entendemos que, nesta sua Mensagem para a paz, não poderia faltar uma forte referência à família: “Se a origem donde brota a violência é o coração humano, então é fundamental começar por percorrer a senda da não-violência dentro da família. Ela é parte daquela alegria do amor que apresentei na Exortação Apostólica Amoris laetitia, em março passado… A família é o espaço indispensável no qual cônjuges, pais e filhos, irmãos e irmãs aprendem a se comunicar e a cuidar uns dos outros desinteressadamente e onde os atritos, ou mesmo os conflitos, devem ser superados, não pela força, mas com o diálogo, o respeito, a busca do bem do outro, a misericórdia e o perdão”.

2.6. O meu convite.  As primeiras palavras do parágrafo já afirmam o convite do Papa: “A construção da paz por meio da não-violência ativa é um elemento necessário e coerente com os esforços contínuos da Igreja para limitar o uso da força através das normas morais, mediante a sua participação nos trabalhos das instituições internacionais e graças à competente contribuição de muitos cristãos para a elaboração da legislação em todos os níveis. O próprio Jesus nos oferece um “manual” dessa estratégia de construção da paz no chamado Sermão da Montanha. As oito Bem-aventuranças (cf. Mateus 5, 3-10) traçam o perfil da pessoa que podemos definir feliz, boa e autêntica. Felizes os mansos – diz Jesus – os misericordiosos, os pacificadores, os puros de coração, os que têm fome e sede de justiça”.

Conclusão. “Como é tradição, assino esta Mensagem no dia 8 de dezembro, festa da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nossa Senhora é a Rainha da Paz. No nascimento do seu Filho, os anjos glorificavam a Deus e almejavam paz na terra aos homens e mulheres de boa vontade (cf. Lucas 2, 14). Peçamos à Virgem Maria que nos sirva de guia. “Todos desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para a construir”. No ano de 2017, comprometamo-nos, através da oração e da ação, a tornar-nos pessoas que baniram dos seus corações, palavras e gestos a violência, e a construir comunidades não-violentas, que cuidem da casa comum. “Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz”.

Não poderia terminar sem o meu carinhoso abraço fraterno, desejando a todos e todas um fecundo e tranquilo 2017, generosamente abençoado pelo Pai Misericordioso.

Pe. José Gilberto BERALDO
Equipe Sacerdotal do Grupo Executivo Nacional do MCC do Brasil

Feliz Natal!

Feliz Natal!

“Pois nasceu para nós um menino, um filho nos foi dado. O poder de governar está nos seus ombros. Seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da Paz.” (Isaías 9, 6)

Assustaram-se os homens e mulheres de todos os tempos diante desse anúncio. Sem sequer conhecer o Anunciado, os poderosos passaram a detestá-Lo, e os pobres a concentrar n’Ele suas esperanças. Decidiram, pois, todos, ir a Belém – uns para ter certeza de que a tal criança não representava riscos; outros para buscar um rumo para a vida que não parecia ter mais sentido, sufocada que era pela arrogância dos que ditavam as normas, tomavam as decisões, ignoravam a justiça, praticavam a exploração.

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Como o caminho era longo e a viagem exaustiva, muitos desistiram e passaram a viver de modo a tornar desacreditada a profecia: descobriram novas terras e novos mundos; criaram instrumentos inimagináveis; levaram a limites impensáveis a eficiência das armas; desenvolveram tecnologias que mudaram várias vezes as convicções dos humanos e sua forma de viver e conviver; transformaram o orbe num espaço que poderia ser destruído em segundos se um pequeno grupo assim o desejasse…

Arrostando todas as dificuldades e penúrias, alguns transformaram a dor em coragem e foram adiante. Chegaram e continuam chegando a Belém. No momento em que adentram o cenário despojado onde se encontra o Anunciado, sentem-se invadidos pela força e pela paz. Sabem que é duro o caminho de volta, mas agora têm para onde voltar. Voltarão para todos os lugares e se tornarão pais e mães, irmãos e irmãs, filhos e filhas, médicos e agricultores, tarefeiros e professores… E assim construirão o Reino!

A todos os que são capazes de ir até Belém e voltar para ser reflexo d’Aquele que foram conhecer, desejo um Natal e um Ano Novo abençoados.

Maria Elisa Zanelatto 
dezembro de 2016

Mensagem – Luciano José Oliver

Mensagem – Luciano José Oliver

Conseguimos finalizar mais um vídeo, desta vez com a parte da história de minha mãe Elvira C. Oliver, falando de sua infância até dias no próprio Cursilho em Araçatuba.

Publicamos fotos, lembranças dela e assim, contamos um pouco da história. Como tudo iniciou a partir das reuniões em casa, como poderíamos arrumar um terreno e dar inicio as obras.

Acreditamos que ficou lindo a partir das recordações de minha mãe.

Muito obrigado e fiquem todos com DEUS.

Luciano José Oliver

Mensagem – Luciano José Oliver

Mensagem – Luciano José Oliver

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Jeová Oliver

Com muito amor a Deus, nós filhos, com um simples vídeo, tentamos mostrar o trabalho de nosso pai Jeová (foto ao lado) com a ajuda de grandes amigos, muita luta e determinação, os quais estiveram na construção da casa São Paulo em Araçatuba, preparada especialmente ao Cursilho.

Temos na lembrança quando conseguiram o terreno, e após alguns meses, estava construindo o alicerce, baldrames. Foi muito emoção para meu pai. 

Para quem não conheceu Jeová Oliver, na sala dos responsáveis na casa de São Paulo, existe uma foto do mesmo, entre outras pessoas, que fazem parte de história do MCC a partir da diocese de Lins e continuada na diocese de Araçatuba.

De Colores

Luciano José Oliver

Luciano José Oliver é filho de Jeová Oliver (foto acima) e participou dos primórdios da fundação do MCC de Araçatuba (Casa de São Paulo),  conta em vídeo, um pouco da história do cursilho em nossa diocese.

Convite 27/10/2016 – Palestra sobre Outubro Rosa

ACIA Araçatuba juntamente com seus parceiros estão realizando através da campanha “Outubro Rosa e Novembro Azul, o que vale é não passar em branco”, uma série de eventos direcionados a conscientização da prevenção do câncer de mama e próstata.

Wilson Marinho da Cruz – Presidente da ACIA

Tema da palestra : ORIENTAÇÃO E PREVENÇÃO CONTRA O CÂNCER

Mastologista – Dr. Paulo Gil (Unimed Araçatuba)

Advogada – Dra. Edna Pereira de Almeida (OAB – Araçatuba)

Local: OAB – ARAÇATUBA

Endereço: R. Wenceslau Braz, 5

Dia: 27/10/2016

Horário : 20 horas

Entrada: FRANCA

Clique sobre a imagem para ver a AGENDA completa

 

Convite 20/10/2016 – Palestra sobre Outubro Rosa

Conforme contato encaminho as informações sobre a palestra de prevenção ao câncer de mama que será realizada nesta quinta-feira as 9:00 h no auditório do SESCON Araçatuba.

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A entrada é franca, só é necessário a confirmação da presença através do telefone (18)3117-1777 ou e-mail: aciara@aciara.com.br

Segue  em anexo toda a programação da Campanha “Outubro Rosa e Novembro Azul” realizada pela ACIA Araçatuba (Conselho da Mulher), juntamente com os demais parceiros.

Wilson Marinho

O Papa em Assis: “só a paz é santa e não a guerra!”. Texto integral

O Papa em Assis: “só a paz é santa e não a guerra!”.

O Papa Francisco pronunciou na Praça São Francisco o discurso conclusivo do Encontro de Oração pela paz, em Assis:

“Não nos cansemos de repetir que nunca o nome de Deus pode justificar a violência. Só a paz é santa e não a guerra!”

Santidades,

Ilustres Representantes das Igrejas, Comunidades cristãs e Religiões,

Amados irmãos e irmãs!

ap3665882_lanciograndeCom grande respeito e afeto vos saúdo e agradeço a vossa presença. Viemos a Assis como peregrinos à procura de paz. Trazemos connosco e colocamos diante de Deus os anseios e as angústias de muitos povos e pessoas. Temos sede de paz, temos o desejo de testemunhar a paz, temos sobretudo necessidade de rezar pela paz, porque a paz é dom de Deus e cabe a nós invocá-la, acolhê-la e construí-la cada dia com a sua ajuda.

«Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9). Muitos de vós percorreram um longo caminho para chegar a este lugar abençoado. Sair, pôr-se a caminho, encontrar-se em conjunto, trabalhar pela paz: não são movimentos apenas físicos, mas sobretudo da alma; são respostas espirituais concretas para superar os fechamentos, abrindo-se a Deus e aos irmãos. É Deus que no-lo pede, exortando-nos a enfrentar a grande doença do nosso tempo: a indiferença. É um vírus que paralisa, torna inertes e insensíveis, um morbo que afeta o próprio centro da religiosidade produzindo um novo e tristíssimo paganismo: o paganismo da indiferença.

Não podemos ficar indiferentes. Hoje o mundo tem uma sede ardente de paz. Em muitos países, sofre-se por guerras, tantas vezes esquecidas, mas sempre causa de sofrimento e pobreza. Em Lesbos, com o querido Irmão e Patriarca Ecuménico Bartolomeu, vimos nos olhos dos refugiados o sofrimento da guerra, a angústia de povos sedentos de paz. Penso em famílias, cuja vida foi transtornada; nas crianças, que na vida só conheceram violência; nos idosos, forçados a deixar as suas terras: todos eles têm uma grande sede de paz. Não queremos que estas tragédias caiam no esquecimento. Desejamos dar voz em conjunto a quantos sofrem, a quantos se encontram sem voz e sem escuta. Eles sabem bem – muitas vezes melhor do que os poderosos – que não há qualquer amanhã na guerra e que a violência das armas destrói a alegria da vida.

Nós não temos armas; mas acreditamos na força mansa e humilde da oração. Neste dia, a sede de paz fez-se imploração a Deus, para que cessem guerras, terrorismo e violências. A paz que invocamos, a partir de Assis, não é um simples protesto contra a guerra, nem é sequer «o resultado de negociações, de compromissos políticos ou de acordos económicos, mas o resultado da oração» [João Paulo II, Discurso, Basílica de Santa Maria dos Anjos, 27 de outubro de 1986, 1: Insegnamenti IX/2 (1986), 1252]. Procuramos em Deus, fonte da comunhão, a água cristalina da paz, de que está sedenta a humanidade: essa água não pode brotar dos desertos do orgulho e dos interesses de parte, das terras áridas do lucro a todo o custo e do comércio das armas.

Diversas são as nossas tradições religiosas. Mas, para nós, a diferença não é motivo de conflito, de polémica ou de frio distanciamento. Hoje não rezamos uns contra os outros, como às vezes infelizmente sucedeu na História. Ao contrário, sem sincretismos nem relativismos, rezamos uns ao lado dos outros, uns pelos outros. São João Paulo II disse neste mesmo lugar: «Talvez nunca antes na história da humanidade, como agora, o laço intrínseco que existe entre uma atitude autenticamente religiosa e o grande bem da paz se tenha tornado evidente a todos» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 6: o. c., 1268). Continuando o caminho iniciado há trinta anos em Assis, onde permanece viva a memória daquele homem de Deus e de paz que foi São Francisco, «uma vez mais nós, aqui reunidos, afirmamos que quem recorre à religião para fomentar a violência contradiz a sua inspiração mais autêntica e profunda» [João Paulo II, Discurso aos Representantes das Religiões, Assis, 24 de janeiro de 2002, 4: Insegnamenti XXV/1 (2002), 104], que qualquer forma de violência não representa «a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição» [Bento XVI, Intervenção na jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo, Assis, 27 de outubro de 2011: Insegnamenti VII/2 (2011), 512]. Não nos cansamos de repetir que o nome de Deus nunca pode justificar a violência. Só a paz é santa; não a guerra!

Hoje imploramos o santo dom da paz. Rezamos para que as consciências se mobilizem para defender a sacralidade da vida humana, promover a paz entre os povos e salvaguardar a criação, nossa casa comum. A oração e a colaboração concreta ajudam a não ficar bloqueados nas lógicas do conflito e a rejeitar as atitudes rebeldes de quem sabe apenas protestar e irar-se. A oração e a vontade de colaborar comprometem a uma paz verdadeira, não ilusória: não a tranquilidade de quem esquiva as dificuldades e vira a cara para o lado, se os seus interesses não forem afetados; não o cinismo de quem se lava as mãos dos problemas alheios; não a abordagem virtual de quem julga tudo e todos no teclado dum computador, sem abrir os olhos às necessidades dos irmãos nem sujar as mãos em prol de quem passa necessidade. A nossa estrada é mergulhar nas situações e dar o primeiro lugar aos que sofrem; assumir os conflitos e saná-los a partir de dentro; percorrer com coerência caminhos de bem, recusando os atalhos do mal; empreender pacientemente, com a ajuda de Deus e a boa vontade, processos de paz.

Paz, um fio de esperança que liga a terra ao céu, uma palavra tão simples e ao mesmo tempo tão difícil. Paz quer dizer Perdão que, fruto da conversão e da oração, nasce de dentro e, em nome de Deus, torna possível curar as feridas do passado. Paz significa Acolhimento, disponibilidade para o diálogo, superação dos fechamentos, que não são estratégias de segurança, mas pontes sobre o vazio. Paz quer dizer Colaboração, intercâmbio vivo e concreto com o outro, que constitui um dom e não um problema, um irmão com quem tentar construir um mundo melhor. Paz significa Educação: uma chamada a aprender todos os dias a arte difícil da comunhão, a adquirir a cultura do encontro, purificando a consciência de qualquer tentação de violência e rigidez, contrárias ao nome de Deus e à dignidade do ser humano.

Nós aqui, juntos e em paz, cremos e esperamos num mundo fraterno. Desejamos que homens e mulheres de religiões diferentes se reúnam e criem concórdia em todo o lado, especialmente onde há conflitos. O nosso futuro é viver juntos. Por isso, somos chamados a libertar-nos dos fardos pesados da desconfiança, dos fundamentalismos e do ódio. Que os crentes sejam artesãos de paz na invocação a Deus e na ação em prol do ser humano! E nós, como Chefes religiosos, temos a obrigação de ser pontes sólidas de diálogo, mediadores criativos de paz. Dirigimo-nos também àqueles que detêm a responsabilidade mais alta no serviço dos povos, aos líderes das nações, pedindo-lhes que não se cansem de procurar e promover caminhos de paz, olhando para além dos interesses de parte e do momento: não caiam no vazio o apelo de Deus às consciências, o grito de paz dos pobres e os anseios bons das gerações jovens. Aqui, há trinta anos, São João Paulo II disse: «A paz é um canteiro de obras aberto a todos e não só aos especialistas, aos sábios e aos estrategistas. A paz é uma responsabilidade universal» (Discurso, Praça inferior da Basílica de São Francisco, 27 de outubro de 1986, 7: o. c., 1269). Assumamos esta responsabilidade, reafirmemos hoje o nosso sim a ser, juntos, construtores da paz que Deus quer e de que a humanidade está sedenta.

(Assis – Praça de São Francisco, 20 de setembro de 2016)

Fonte: http://www.news.va/pt/news/o-papa-em-assis-crentes-sejam-artifices-de-paz-tex

Apelo pela Paz: a oração protege e ilumina o mundo

Apelo pela Paz: a oração protege e ilumina o mundo

Cidade do Vaticano (RV) – Na cerimônia de conclusão do encontro em Assis e depois do discurso do Papa na Praça de São Francisco, no final da tarde desta terça-feira (20), foi respeitado um minuto de silêncio em memória das vítimas das guerras e do terrorismo em todo o mundo. Em seguida, um representante do budismo japonês leu o Apelo pela Paz para toda a assembleia que acompanhava o encerramento.

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Um grupo de crianças, então, recebeu uma cópia do documento que será doada para os representantes de países de todo o planeta no sentido de frutificar a mensagem de Assis no mundo. Para representar o momento, Papa Francisco fez a entrega do Apelo pela Paz envolvido num ramo de oliveira – símbolo da paz – a uma criança.

Na sequência da cerimônia, o Santo Padre foi quem começou a acender o candelabro para iluminar para a esperança e também foi o primeiro a assinar o documento. E, assim, sucessivamente, os representantes religiosos também acenderam as suas velas para compor o candelabro, e assinaram o apelo conjunto, acreditando nesse ato concreto de misericórdia, compartilhado em um grande abraço humanitário pela paz.

No texto do Apelo pela Paz, as primeiras referências remontam o ano de 1986 quando, a convite do Papa João Paulo II, o encontro inter-religioso abraçou homens e mulheres de diferentes religiões e provenientes do mundo todo para “afirmar o vínculo indivisível entre o grande bem da paz e uma autêntica atitude religiosa”.

Com a guerra, todos perdem, incluindo os vencedores

“Daquele evento histórico, teve início uma longa peregrinação que, tocando muitas cidades do mundo, envolveu inúmeros crentes no diálogo e na oração pela paz; uniu sem confundir, gerando amizades inter-religiosas sólidas e contribuindo para extinguir não poucos conflitos. Este é o espírito que nos anima: realizar o encontro no diálogo, opor-se a todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo. E todavia, nos anos intercorridos, ainda muitos povos foram dolorosamente feridos pela guerra. Nem sempre se compreendeu que a guerra piora o mundo, deixando um legado de sofrimentos e ódios. Com a guerra, todos perdem, incluindo os vencedores.”

A oração protege o mundo

O apelo, então, para que a oração pela paz seja uníssona e instrumento de conciliação e amor diante dos conflitos atuais que assolam o mundo:

“Dirigimos a nossa oração a Deus, para que dê a paz ao mundo. Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e ilumina-o. A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela estrada d’Ele: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião. Por isso, com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso.”

Um tempo novo, uma família de povos

O respeito à pluralidade para a construção de uma sociedade de paz também se faz presente no Apelo pela Paz, com pensamento especial a quem sofre por causa da guerra: os pobres, as crianças, os jovens, as mulheres. E é com eles que se clama: “Não à guerra!”, não cair no vazio o grito de dor de tantos inocentes. O Apelo implora “aos Responsáveis das nações que sejam desativados os moventes das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo pasado” e que “cresça o esforço concreto para remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana”.

“Abra-se, finalmente, um tempo novo, em que o mundo globalizado se torne uma família de povos. Implemente-se a responsabilidade de construir uma paz verdadeira, que esteja atenta às necessidades autênticas das pessoas e dos povos, que impeça os conflitos através da colaboração, que vença os ódios e supere as barreiras por meio do encontro e do diálogo. Nada se perde, ao praticar efetivamente o diálogo. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz; a partir de Assis, renovamos com convicção o nosso compromisso de o sermos, com a ajuda de Deus, juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade.” (AC)

Confira o texto na íntegra:

Apelo pela Paz (Assis, 20 de setembro de 2016)

Homens e mulheres de diferentes religiões, congregamo-nos, como peregrinos, na cidade de São Francisco. Aqui em 1986, há trinta anos, a convite do Papa João Paulo II, reuniram-se Representantes religiosos de todo o mundo, pela primeira vez de modo tão participado e solene, para afirmar o vínculo indivisível entre o grande bem da paz e uma autêntica atitude religiosa. Daquele evento histórico, teve início uma longa peregrinação que, tocando muitas cidades do mundo, envolveu inúmeros crentes no diálogo e na oração pela paz; uniu sem confundir, gerando amizades inter-religiosas sólidas e contribuindo para extinguir não poucos conflitos. Este é o espírito que nos anima: realizar o encontro no diálogo, opor-se a todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo. E todavia, nos anos intercorridos, ainda muitos povos foram dolorosamente feridos pela guerra. Nem sempre se compreendeu que a guerra piora o mundo, deixando um legado de sofrimentos e ódios. Com a guerra, todos perdem, incluindo os vencedores.

Dirigimos a nossa oração a Deus, para que dê a paz ao mundo. Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e ilumina-o. A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela estrada d’Ele: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião. Por isso, com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso.

Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra! Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes. Imploramos aos Responsáveis das nações que sejam desativados os moventes das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo passado. Cresça o esforço concreto por remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana.

Abra-se, finalmente, um tempo novo, em que o mundo globalizado se torne uma família de povos. Implemente-se a responsabilidade de construir uma paz verdadeira, que esteja atenta às necessidades autênticas das pessoas e dos povos, que impeça os conflitos através da colaboração, que vença os ódios e supere as barreiras por meio do encontro e do diálogo. Nada se perde, ao praticar efetivamente o diálogo. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz; a partir de Assis, renovamos com convicção o nosso compromisso de o sermos, com a ajuda de Deus, juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade.

Fonte: http://www.news.va/pt/news/apelo-pela-paz-pela-oracao-que-protege-e-ilumina-o

Deus faz festa quando voltamos para Ele, arrependidos

Deus faz festa quando voltamos para Ele, arrependidos

A leitura evangélica deste domingo, XXIV do tempo comum, é um trecho tirado do capítulo 15 do Evangelho de São Lucas, considerado o capítulo da misericórdia, pois que reúne três parábolas com as quais Jesus responde às murmurações dos escribas e fariseus que o criticavam por acolher e comer com os pecadores.

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E foi precisamente desta leitura que o Papa partiu para a sua breve reflexão antes da oração mariana do Ângelus, ao meio dia da Janela do Palácio Apostólico, sobre a Praça de São Pedro, que como sempre, estava repleta de fiéis e turistas…

Com essas três parábolas – disse Francisco – “Jesus nos quer fazer compreender que Deus Pai é o primeiro a ter, em relação aos pecadores, uma atitude acolhedora e misericordiosa” .

Essas parábolas são: o pastor que abandona as noventa e nove ovelhas para procurar uma que se tinha perdido; a mulher que perdeu uma moeda e a procura até a encontrar; o pai que regozija e faz festa pelo regresso a casa do filho que se tinha afastado da família.

A mulher, o pastor, o pai, os três fazem festa com amigos e vizinhos quando se resolve a situação que os preocupava.

Com efeito, o elemento comum a estas três parábolas – fez notar o Papa – é o alegrar-se juntos, fazer festa. Nas primeiras duas, a tónica é posta na alegria tão grande que quem a vive sente a necessidade de a partilhar com “os amigos e vizinhos”. Na terceira, é posta na festa que parte do coração do pai misericordioso e se expande por toda a casa. Algo que está em plena sintonia com o Ano jubilar que estamos a viver – acrescentou Francisco:

Esta festa de Deus para com os que regressam a Ele, arrependidos, está mais do que nunca em sintonia com o Ano jubilar que estamos a viver, como diz o próprio termo “jubileu, isto é júbilo!”

Jesus apresenta-se assim como “um Deus de braços abertos, que trata os pecadores com ternura e compaixão”. A terceira parábola é, no dizer do Papa – a que mais manifesta o amor infinito de Deus, pois que, se por um lado apresenta a triste história dum jovem que cai na degradação, por outro mostra a sua força de se levantar e voltar para o pai. E é isto que mais comove: “Levantar-me-ei e irei ter com o meu Pai”. O Papa vê neste regresso a casa a “via da esperança e da vida nova”. E aqui Francisco volta a sublinhar com força como tem vindo a fazer, que “Deus espera sempre o nosso pôr-se a caminho, ele nos espera com paciência, nos vê quando ainda estamos longe, corre ao nosso encontro, nos abraça, nos beija, nos perdoa. Deus é assim! Assim é o nosso Pai! E o seu perdão cancela o passado e nos regenera no amor. Esquece o passado: e esta é a fraqueza de Deus. Quando nos abraça e nos perdoa, perde a memória. Não tem memória! Esquece o passado.”

Bergoglio frisou ainda que quando “nós pecadores nos convertemos e nos deixamos encontrar por Deus, não nos espera repreensões e durezas, porque Deus salva, volta a acolhermos em casa com alegria e faz festa”.

E fazendo notar que é o próprio Jesus que diz no Evangelho deste domingo que “haverá mais alegria no Céus por um único pecador que se converte,  do que por noventa e nove justos, os quais não precisam de conversão”, o Papa lançou uma pergunta:

 “Haveis jamais pensado que de cada vez que nos aproximamos do confessionário, há alegria e festa no Céu?” Já pensastes nisso? É belo!”

Isto dá – sublinhou o Papa –  grande esperança, porque mostra que não há pecado da qual, com a graça de Deus, não podemos ressurgir; não há ninguém irrecuperável, porque Deus não cessa nunca de querer o nosso bem.

E o Papa rezou à Virgem Maria, refugio dos pecadores, para que faça brotar nos nossos corações aquela confiança que se acendeu no coração do filho pródigo que disse: “ Hei-de levantar-me e ir ter com o meu pai, e dir-lhe-ei: Pai pequei”. Empreendendo este caminho podemos dar alegria a Deus e a sua alegria pode tornar-se a sua e a nossa festa” – rematou Francisco.

Oração especial paro Gabão em crise politica

Depois do Oração mariana do Angelus, o Papa recordou a situação que se está a viver no Gabão pedindo uma oração especial para este país africano…

Caros irmãos e irmãs, gostaria de convidar a uma oração especial para o Gabão, que está a atravessar um momento de grave crise política. Confio ao Senhor as vítimas do recontros e os seus familiares. Associo-me aos Bispos daquele querido País africano, convidando as partes a recusar todas as formas de violência e a ter sempre como objectivo o bem comum. Encorajo todos, de modo particular os católicos, a ser construtores de paz no respeito da legalidade, no diálogo e na fraternidade”.

Novo Beato

O Papa recordou ainda que neste domingo 11 de Setembro, em Karaganda, no Kazakhstan, é proclamado Beato Ladislao Bukowinski, sacerdote e pároco, perseguido pela sua fé… Como sofreu esse homem! como!… Na vida demonstrou sempre grande amor pelos mais fracos e necessitados e o seu testemunho aparece como um condensado de obras de misericórdia espirituais e corporais.”

E o Papa concluiu a sua alocução saudando todos, romanos, grupos de várias partes da Itália e peregrinos vindos doutros países. A todos desejou bom domingo, despedindo com o habitual pedido de oração para ele.

fonte: http://www.news.va/pt/news/angelus-deus-faz-festa-quando-voltamos-para-ele-ar