“Leigos não precisam de Bispo-piloto, mas de Bispo-pastor”

“Leigos não precisam de Bispo-piloto, mas de Bispo-pastor”

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Cidade do Vaticano (RV) – Na tarde de segunda-feira (18/05) o Papa abriu a 68ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, CEI, na Sala do Sínodo, no Vaticano. O tema do encontro dos bispos italianos este ano é a Exortação Apostólica Evangelii Gaudium.

O Papa deixou a sua residência na Casa Santa Marta e se dirigiu a pé até a Sala Paulo VI, onde foi acolhido pelo Presidente da Conferência e o Secretário, o Cardeal Angelo Bagnasco e Dom Nunzio Galantino. Depois de uma troca de abraços, os três se encaminharam  ao local dos trabalhos, no interior do edifício.

Contextualização: a realidade italiana e internacional

O Pontífice fez um discurso aos bispos de sua Diocese e de toda a Itália ressaltando que neste momento histórico desconfortante, com situações de aflição e atribulação, no país e no mundo, a vocação episcopal é ‘navegar contra a corrente’; ou seja, ser testemunhas alegres de Jesus Cristo e transmitir esta alegria e esperança aos outros.  “É-nos pedido para consolar, ajudar, encorajar sem distinção todos os nossos irmãos oprimidos pelo peso de suas ‘cruzes’, erguendo-os com a força que provém de Deus”. 

Neste sentido, visto o tema da Assembleia, Francisco disse ao grupo que gostaria de ouvir as suas ideias, as suas perguntas, e compartilhar com os presentes as suas reflexões. Mas iniciou afirmando que “é muito ruim encontrar um consagrado abatido, desmotivado ou ‘apagado’… é como um poço seco aonde as pessoas não acham água para matar a sede”.

A sensibilidade eclesial

“Minhas preocupações – disse o Papa – nascem de uma visão global dos episcopados, adquirida por ter encontrado em dois anos de Pontificado várias Conferências e observado a importância da ‘sensibilidade eclesial’ de cada uma; ou seja, a humildade, a compaixão, a misericórdia, a concretude e sabedoria, à imagem dos sentimentos de Deus.

A sensibilidade eclesial comporta não ser tímidos em condenar e derrotar a difusa mentalidade de corrupção pública e privada que empobreceu, sem alguma vergonha, famílias, aposentados, trabalhadores honestos e comunidades cristãs, descartando os jovens e marginalizando os mais carentes e frágeis. “A sensibilidade eclesial nos leva junto ao povo de Deus para defendê-lo das colonizações ideológicas que lhes roubam identidade e dignidade”. 

A sensibilidade eclesial – prosseguiu o Papa – se manifesta também nas decisões pastorais e na elaboração de Documentos, nos quais não devem prevalecer aspectos teóricos, doutrinais e abstratos, como se nossas orientações se dirigissem a estudiosos e especialistas, e não ao povo de Deus. “Temos que traduzi-los em propostas concretas e compreensíveis”, afirmou.

Prosseguindo, o Papa reiterou que a sensibilidade eclesial se concretiza também reforçando o indispensável papel dos leigos em assumir as responsabilidades que lhes competem. “Os leigos que possuem formação cristã autêntica não precisam de um ‘Bispo-piloto’, ou de um ‘monsenhor-piloto’ ou de um estímulo clerical para assumir suas tarefas em todos os níveis: político, social, econômico e legislativo! Eles precisam é de um Bispo-Pastor!” – completou.

Enfim, a sensibilidade eclesial se revela concretamente na colegialidade e na comunhão entre os Bispos e seus sacerdotes; na comunhão entre os próprios Bispos; entre as Dioceses ricas – material e vocacionalmente – e as que têm dificuldades; entre as periferias e o centro; entre as Conferências Episcopais e os Bispos com o sucessor de Pedro.

A base e a colegialidade

Em seguida, o Pontífice aprofundou o tema da colegialidade na determinação dos planos pastorais e na divisão dos compromissos programáticos, econômicos e financeiros. Por exemplo, citou que às vezes, a recepção dos programas e a atuação de certos projetos não são verificadas. “São homologadas decisões, opiniões e pessoas; narcotizadas Comunidades… ao invés de se deixar transportar aos horizontes aonde o Espírito nos pode conduzir”. 

Outra questão levantada pelo Papa: “Por que se deixam envelhecer tanto os Institutos religiosos, Mosteiros, Congregações, ao ponto que deixam de ser testemunhos fiéis ao seu carisma inicial? Por que não se incorporam, antes que seja tarde demais?”.

A este ponto, o Papa terminou seu discurso, explicando que quis apenas oferecer alguns exemplos de escassez de sensibilidade eclesial, e clamando para que “durante o Jubileu da Misericórdia, o Senhor nos conceda a alegria de redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus, com a qual somos chamados a consolar todos os homens e mulheres do nosso tempo”. 

Os bispos italianos prosseguem sua Assembleia na Sala do Sínodo, no Vaticano, até o dia 21, e no âmbito dos trabalhos, serão eleitos os Presidentes das Comissões Episcopais.

fonte:
NEWS.VA http://br.radiovaticana.va/news/2015/05/18/leigos_n%C3%A3o_precisam_de_bispo-piloto,_mas_de_bispo-pastor/1145034

A Comunicação e a Família

Marcos 16,15-20

Naquele tempo: Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados’. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa notícia a toda a humanidade

A comunicação e a Família

O apelo de Jesus ressuscitado aos seus discípulos, neste domingo da Ascensão, é:”Vão pelo mundo inteiro e anunciem a boa notícia a toda a humanidade” (Mc 16,15). Jesus pede que a sua mensagem chegue a todos. Nenhuma realidade humana pode ser omitida do anúncio.

O para Francisco tem insistido que a evangelização precisa ser acompanhada da alegria. Reconhece que “o grande risco do mundo atual, com sua múltipla e avassaladora oferta de consumo, é uma tristeza de individualista que brota do coração comodista e mesquinho, da busca desordenada de prazeres superficiais, da consciência isolada” (Evangelii Gaudium, n. 2).

Entre os lugares singulares onde somos chamados a pôr em prática a “alegria de evangelizar” está a família, assim como a família está no centro do 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que celebramos neste domingo. O tema proposto pelo papa, “Comunicar a família: Ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor“, indica que a comunicação é fundamental na formação desta primeira comunidade da qual fazemos parte ao vir ao mundo. De fato, o “encontro” entre seus membros somente pode ocorrer onde há relações gratuitas, construídas sobre atitudes de amor, considerando que do amor nascem a acolhida, o perdão e a partilha.

A qualidade de nossas relações humanas depende da qualidade de nossa comunicação. Todos somos responsáveis por criar em nossas famílias um ambiente de escuta, que favoreça o diálogo e a compreensão, primeiro passo para uma evangelização fecunda. Jesus é a nossa primeira referência. Ele é o comunicador perfeito a nos indicar o caminho da nova humanidade construída com gesto simples, marcados pela autenticidade, cordialidade, compaixão e ternura.

Pe Valdir José de Castro, ssp

fonte: folheto O Domingo (17/05/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Feliz dia das mães

Feliz dia das mães

Amigos e amigas,

Se sua mãe está por perto, ao alcance de uma visita ou de um telefonema;

Se sua esposa-mãe está ao seu lado;

Se sua mãe é, hoje, a lembrança mais bela que se imprimiu em sua memória…

Lembrem-se de que todo dia é dia das mães…

Segunda-feira é o dia da jovem sorridente que traz em seu ventre um filho cujo rostinho anseia por conhecer… e é também o dia da jovem cuja gravidez não foi desejada, nem planejada, que só consegue pensar no serzinho, abandonado como ela, que está por vir.

Terça-feira é o dia da mãe feliz convencida de que seu filho é o bebê mais inteligente do planeta e, feliz, ajuda-o a dar os primeiros passos e ensina-lhe as primeiras palavras… e é também o dia da mãe cansada que acaba de ser informada de que não pode mais levar seu filho à casa onde trabalha como doméstica porque ele está começando a andar, a falar, a atrapalhar.

Quarta-feira é o dia da mãe que estremece ao ver seu filho escrever, pela primeira vez, o próprio nome e ler os primeiros textos… e é também o dia da mãe que apenas sonha com um filho educado, já que a única escola disponível na região é muito, muito longe do barraco em que vive.

Quinta-feira é o dia da mãe orgulhosa cujo filho passou no vestibular e vislumbra um futuro brilhante… e é também o dia da mãe que chora diante do adolescente no qual depositava tantas esperanças, mas que já vendeu a alma aos que lhe prometeram formas de ganhar dinheiro à margem da lei, pois, num país de corruptos de alto nível, a lei conta pouco.

Sexta-feira é o dia da mãe serena, cujo filho é um profissional de sucesso… e é também o dia em que a mulher, já desesperançada, sonha com um futuro em que poderá visitar seu filho em outro lugar que não seja a prisão.

nossa senhora - 14Sábado é o dia em que a mãe explode de alegria na festa de casamento do seu filho e sonha com netos que a ajudarão a experimentar de novo todas as alegrias da maternidade… e é também o dia em que lágrimas rolam no rosto daquela cujo filho acabou, como se esperava, assassinado  num beco.

Domingo é o dia em que, de repente, todas as mães ficam iguais… Porque o Senhor decidiu colocar diante delas a figura de sua própria Mãe que experimentou alegrias e angústias, felicidade e dores, realizações e sacrifícios, para que com Ela pudessem se identificar todas as mães. A todas elas, pois, meu respeito e minha oração.

Maria Elisa Zanelatto (maio de 2015)

Qual é a diferença entre ecumenismo, sincretismo e diálogo inter-religioso?

Qual é a diferença entre ecumenismo, sincretismo e diálogo inter-religioso?

Saiba mais sobre as relações construtivas entre a Igreja católica e os não-católicos

Ecumenismo é o processo de diálogo e cooperação voltado a promover a unidade entre os cristãos de todas as confissões. O termo vem do grego οἰκουμένη, que significa “todo o mundo habitado”; seu sentido, no cristianismo, é o de cumprir o desejo de Cristo de que todos nós sejamos “um só povo”.

O ecumenismo, tecnicamente, se refere à superação da divisão entre os cristãos. Já processo de aproximação e diálogo com religiões diferentes é chamado de diálogo inter-religioso. É o caso, por exemplo, do diálogo respeitoso e colaborativo entre cristianismo, judaísmo, islã, budismo, hinduísmo…

Também é importante diferenciar com clareza o ecumenismo e o diálogo inter-religioso do sincretismo religioso. O sincretismo é a mistura acrítica de ritos, crenças e elementos doutrinais de religiões diferentes e, em muitos aspectos, incompatíveis em conteúdo teológico.

Além do diálogo entre cristãos de confissões diferentes e entre os católicos e os seguidores de outras religiões, devemos considerar ainda a relação construtiva entre crentes e não-crentes. Entre as várias iniciativas em prol do diálogo e do intercâmbio de visões de mundo entre seguidores de diversos credos e ateus, a Igreja promove o Pátio dos Gentios, uma série de encontros internacionais em que se debate cultura, ciência, arte e fé e se procuram pontos de aproximação e convivência propositiva.

Quanto ao compromisso ecumênico assumido pela Igreja católica a partir do Concílio Vaticano II, trata-se de uma postura ativa: a Igreja não se limita à expectativa de retorno dos cristãos não-católicos ao seu seio, mas declara que “aqueles que creem em Cristo e receberam devidamente o batismo estão constituídos em uma determinada comunhão, embora imperfeita, com a Igreja católica. Os católicos, portanto, devem saber reconhecer e apreciar os valores autenticamente cristãos presentes em outras igrejas”. O ecumenismo praticado na Igreja se torna, assim, o compromisso de estudar, rezar e promover atos concretos de aproximação dos não-católicos.

As bases desta postura são estabelecidas pelo decreto conciliar “Unitatis Redintegratio“, de 1964. O texto reconhece, aliás, que as separações e algumas cisões aconteceram não sem culpa de homens de ambas as partes. O papa Paulo VI declarou que, “se alguma culpa nos é imputável por tal separação, por ela pedimos humildemente perdão a Deus”.

Em 2014, para celebrar os 40 anos desta fase do processo cristão rumo à unidade, o Centro Televisivo Vaticano (CTV) produziu o documentário “Ut Unum Sint” (“Para que todos sejam um”), preparado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Além de pedir que você reze todos os dias pela nossa unidade fraterna em Cristo, nós o convidamos a assistir ao documentário clicando no vídeo abaixo.

fonte: http://www.aleteia.org/pt/religiao/video/qual-e-a-diferenca-entre-ecumenismo-sincretismo-e-dialogo-inter-religioso-5842828584288256

Cristianismo não é teoria nem ideologia é mensagem da salvação

Cristianismo não é teoria nem ideologia é mensagem da salvação,

afirma Papa Francisco

O Papa Francisco presidiu na manhã de hoje, no Terceiro Domingo de Páscoa, a oração do Regina Coeli e comentou o Evangelho do dia, no qual Jesus ressuscitado se encontra com os apóstolos e lhes mostra as feridas dos pés e as mãos.

Papa Francisco

“Cada batizado está chamado a testemunhar, com as palavras e com a vida, que Jesus ressuscitou, que está vivo e presente em meio de nós”

Nas leituras da liturgia do dia ressoa duas vezes a palavra ‘testemunho”, indicou o Pontífice, destacando que “os apóstolos, que viram com seus próprios olhos o Cristo ressuscitado, não podiam silenciar sua extraordinária experiência”.

Continuando, o Papa recordou que a missão da Igreja consiste em que “cada batizado está chamado a testemunhar, com as palavras e com a vida, que Jesus ressuscitou, que está vivo e presente em meio de nós”.

Quem é testemunha?”, indagou o Papa: “A testemunha é alguém que viu, que recorda e conta. Ver, recordar e contar, são os três verbos que nos descrevem a identidade e a missão”.

Explicando cada um deles, disse também que “a testemunha é alguém que viu, mas não com olhos indiferentes; viu e se deixou envolver pelo acontecimento. Por isso recorda, não só porque sabe reconstruir com precisão os fatos ocorridos, mas sim porque estes fatos lhe falaram e ela captou o sentido profundo”.

A testemunha não conta “de maneira fria e individual, mas como alguém que se deixou questionar e desde aquele dia sua vida mudou”.

O conteúdo do testemunho cristão não é uma teoria, uma ideologia ou um complexo sistema de preceitos e normas, mas uma mensagem de salvação, um fato concreto, acima de tudo uma pessoa: é Cristo ressuscitado, que vive e é o único Salvador de todos”.

Assim, assinalou, “pode ser testemunhado por todos aqueles que tiveram uma experiência pessoal Dele, em sua Igreja, através de um caminho que tem seu fundamento no Batismo, nutre-se da eucaristia, tem seu selo na Confirmação e sua contínua conversão na Penitência”.

E para o cristão, “seu testemunho será mais acreditável quanto mais brilhe sua forma de viver o Evangelho, de maneira alegre, corajosa, leve, pacífica, misericordiosa”.

O Papa também advertiu que se “o cristão se deixa aprisionar pela comunidade, pela vaidade, converte-se em surdo e cego em relação à pergunta da ‘ressurreição’ de tantos irmãos. Como poderá comunicar a Jesus vivo, sua potência libertadora e sua ternura infinita?”.

Francisco pediu que a Virgem “nos sustente com sua intercessão para que possamos nos converter, com nossos limites, mas com a graça da fé, em testemunhos do Senhor ressuscitado, levando às pessoas com as quais nos encontremos os dons pascais da alegria e da paz”.

Por último o Santo Padre afirmou que hoje, na cidade italiana de Turim, começa a exposição do Santo Sudário e assinalou que no próximo 21 de junho também ele irá venerá-la. “Desejo que este ato de veneração ajude a todos a encontrar em Jesus Cristo o rosto misericordioso de Deus, e a reconhecê-lo nos rostos dos irmãos, especialmente dos que sofrem”.

Por Por Alvaro de Juana, ACI Digital

fonte: http://c3press.com/cristianismo-nao-e-teoria-nem-ideologia-e-mensagem-da-salvacao-afirma-papa-francisco.html

Dificuldade em acreditar

Lucas 24, 35-48

“E eles lhes contaram o que lhes acontecera no caminho, e como deles fora conhecido no partir do pão. E falando eles destas coisas, o mesmo Jesus se apresentou no meio deles, e disse-lhes: Paz seja convosco. E eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito. E ele lhes disse: Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos aos vossos corações? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. E, dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés. E, não o crendo eles ainda por causa da alegria, e estando maravilhados, disse-lhes: Tendes aqui alguma coisa que comer? Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; O que ele tomou, e comeu diante deles. E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos. Então abriu-lhes o entendimento para compreenderem as Escrituras. E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém. E destas coisas sois vós testemunhas.”

Dificuldade em acreditar

Jesus ressuscitado continua aparecendo aos apóstolos e discípulos nesse final do evangelho de Lucas. Aos discípulos ainda medrosos e com dúvidas no coração, o Ressuscitado lhes mostra os sinais da crucificação e come com eles para tirá-los de sua incredibilidade.

Ao aparecer inesperadamente à comunidade reunida, Jesus lhe deseja a paz: “paz para vocês!” – desejo de plenitude de vida. Assustam-se e pensam ver um espírito. A resposta : “Um espírito não tem carne nem ossos como estão vendo“. As comunidades lucanas entenderam muito bem que o nosso Deus não é apenas um espírito – ou então um fantasma. O Ressuscitado tem carne e ossos e tem fome – é o Crucificado que permanece entre nós com as marcas dos cravos – não é um Deus descarnado, alguém que não tem nada a ver conosco.

As primeiras comunidades iniciaram sua caminhada na fé e no testemunho do Ressuscitado em meio a dúvidas e incertezas. Mas, aos poucos, foram crescendo na fé e no compromisso com Jesus. Aos poucos, ele foi lhes abrindo a mente para compreenderem tudo o que estava acontecendo e assim se tornarem testemunhas. Crer no Ressuscitado não é algo que acontece de forma mágica, de um dia para o outro. É um processo que nos amadurece aos poucos.

Lucas nos apresenta um método de evangelização muito caro no seu evangelho: a mesa da partilha, a comensalidade. Na partilha do pão, Jesus é reconhecido. O Ressuscitado marca uma presença na comunidade reunida que celebra, partilha a palavra e o pão; na família unida em torno da mesa farta; nos grupos organizados em defesa da vida; nas políticas públicas em prol da superação da fome e da miséria. A nona humanidade inaugurada com a Páscoa do Ressuscitado e que acredita na ressurreição é humanidade comprometida com a transformação , que busca superar a fome, a miséria, o ódio e os preconceitos.

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (19/04/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Fé para a missão

João 20,19-31

Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: “Paz seja convosco”. 

E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. 

De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: “Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”. 

E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo. aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos”. 

Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: “Vimos o Senhor”.

Mas ele disse-lhes: “Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o meu dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei”. 

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: “Paz seja convosco”. Depois disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente”. 

E Tomé respondeu, e disse-lhe: “Senhor meu, e Deus meu!”.

Disse-lhe Jesus: “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram”.

Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Fé para a missão

Aos discípulos que estavam trancados por medo, Jesus aparece e mostrando mãos e lado com as marcas da crucifixão, identifica-se como o Filho ressuscitado: aquele que realizara a missão confiada pelo Pai, aquele que se entregara pelos outros até a morte de cruz, aquele que agora estava vivo na comunidade.

Os episódios em que Jesus aparece após a ressurreição são sempre narrativas de missão. Vivo na comunidade, Jesus é o centro, e envia os discípulos em missão enchendo-os de alegria. Ao aparecer, deseja a paz: a plenitude da vida e dos bens que permitem às pessoas viver na dignidade filhas de Deus. E, ao desejar a paz, envia o Espírito Santo soprando sobre os discípulos, repetindo gesto de Deus ao criar o ser humano, em Gênesis.

O envio do Espirito renova a criação, pois dá a cada um de nós a vida renovada segundo a ressurreição de Jesus. É o Espirito Santo, enviado por Jesus que permite recordar hoje o que ele fez e disse e nos impulsiona na fé a continuar sua missão.

É tempo de acreditar, sem exigir provas. Fé que precisa de provas não é fé. É feliz quem tem fé, quem não exige provas para entregar-se confiante ao mistério de Deus, que é tudo em todos. Acreditar em Jesus é assumir a missão que ele nos confia. Missão de construir a paz, de construir comunidades onde se vença o medo, se viva o perdão e as pessoas sejam acolhidas e atuem como sujeitos de transformação.

Quem tem fé, de fato, não vive no medo e no fechamento. Fé é coragem e abertura, é alegria e missão. O Espírito do Ressuscitado, vencedor do sofrimento e da morte, abre portas e janelas, abre mentalidades e consciências e impulsiona à vivência comunitária da fé. Porque a fé não se vive sozinho, mas em comunidade. Em comunidade, vamos nos transformando e transformando o mundo, de acordo coma nova criação inaugurada por Jesus, de modo que ele continue sendo o centro de nossas comunidades e de nossa vida.

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (12/04/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Feliz Páscoa

Feliz Páscoa

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Trata-se de um lugar longínquo… Mas dizem que vale a pena ir até lá para conhecer o Enviado. O caminho é áspero – cheio de promessas e tropeços. Parece que o Criador havia planejado uma vida boa para sua criatura predileta, mas por causa de sua rebeldia, quase a elimina de todo da face da terra, através da grande inundação. Por ter um coração cheio de amor, propôs-lhe uma aliança representada por um arco que indicava o fim da tempestade. Cheio de esperança num homem, pediu-lhe que sacrificasse o próprio filho, mas ao final poupou-o para que desse início a uma humanidade capaz de construir a paz. Capaz, também, de desobediência. Permitiu que a maldade resultasse em escravidão e que a libertação custasse longos quarenta anos de peregrinação no deserto.

Por fim, assumiu forma humana e veio morar entre nós. Passou fazendo o bem para que aprendêssemos de uma vez. Prometeu que a lei viria escrita em nossos corações para que pudéssemos edificar seu Reino. Entretanto, procuramos ocupar-nos de outras tarefas: construímos máquinas de guerra e varremos da face da terra os que nos desagradavam; planejamos a distribuição da riqueza de tal modo que acabamos determinando quantas crianças podem nascer e quando os velhos devem morrer; destruímos o verde que enchia de beleza nossos olhos e sujamos a água que nos deu vida.

Por isso esse cansaço e esse desalento diante do longo caminho a percorrer. De todo modo, não temos escolha: ou é a morte ou a esperança de vida. Demoraremos a chegar e não teremos chance de conhecê-lo: os que O encontraram antes de nós, temerosos de perder suas conquistas espúrias, decidiram silenciá-lo. Provavelmente chegaremos tarde e encontraremos o seu túmulo vazio. Mas haverá, com certeza, rostos alegres e cheios de certeza, segredando-nos que aquilo não é o fim: já não está morto, mas vive! E, como prometeu, estará conosco até o fim dos nossos dias, para que tenhamos, ano após ano, uma Feliz Páscoa da Ressurreição!

Maria Elisa Zanelatto

Não existe outro caminho senão o de Jesus

Não existe outro caminho senão o de Jesus

Papa na homilia do Domingo de Ramos

O sol brilhava esta manhã sobre a Praça de São Pedro, repleta de fieis de várias partes da Itália e do mundo que assistiram à festiva celebração do Domingo de Ramos, que é também Dia Mundial da Juventude a nível das Dioceses. Daí a presença de um grande números de jovens na celebração, às quais, o Papa dirigiu uma saudação particular no final da Missa.

ramos

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A cerimônia iniciou com a procissão e a bênção dos ramos, a celebração litúrgica, em que foi narrada o percurso da Semana Santa que nos conduz à Páscoa…

Na sua homilia, o Papa Francisco sublinhou que no centro de celebração festiva deste domingo está a palavra ouvida precedentemente no hino da Carta aos Filipenses:

A humilhação de si mesmo, a humilhação de Jesus”.

Uma humilhação que revela – disse o Papa – o estilo de Deus e que deve ser também o estilo do cristão: a humildade. Um estilo que nunca acaba de nos surpreender, pois nunca nos habituamos à ideia de um Deus humilde.

“Deus se humilha para caminhar com o seu povo, para suportar as suas infidelidades”.

O Senhor ouve pacientemente os murmúrio, as lamentações contra Moisés, que no fundo eram contra Ele, contra o Pai que os tinha tirado da condição de escravatura e os conduzia através do deserto para a terra da liberdade.

“Nesta Semana Santa, que nos leva à Páscoa, iremos por este caminho da humilhação de Jesus. E só assim será “Santa” também para nós”

O Papa frisou que indo por esse caminho viveremos todos os momentos que caracterizam o percurso de Jesus durante a Semana Santa até à sua morte na cruz.

Este é o caminho de Deus”, o caminho da humildade.

É o caminho de Jesus, não há outro. E não existe humildade sem humilhação.

Percorrendo todo esse caminho, Deus fez-se servo – sublinhou o Papa recordando que humildade significa também serviço, significa esvaziar-se de nós mesmos para deixarmos espaço a Deus na nossa pessoa. Este esvaziar-se como diz a Sagrada Escritura – recordou o Papa Bergoglio – é a maior humilhação.

Mas há um caminho contrário ao de Cristo – fez notar o Papa: “o da mundanidade que nos leva pelas vias da vaidade, do orgulho, da procura do sucesso” …O maligno propôs esta via também a Jesus, durante os quarenta dias no deserto. “Mas Jesus recusou-a sem hesitação. E com Ele, somente com a sua graça, a sua ajuda, também nós podemos vencer esta tentação da vaidade, da mundanidade, não só nas grande ocasiões, mas nas circunstâncias ordinárias da vida.”

O Papa não deixou de evocar os exemplos de humildade, silêncio de tantos homens e mulheres que sem procurar dar nas vistas procuram servir os outros: parentes doentes, anciãos sós, inválidos, sem-abrigo…

Convidou também a elevar o pensamento a quantos pela sua fidelidade ao Evangelho são discriminados, pagando com própria vida, como os cristãos perseguidos, os mártires do nosso tempo. “São tantos! Não renegam Jesus e suportam com dignidade insultos e ultrajes. Seguem-No pelo seu caminho. Podemos falar de uma “nuvem de testemunhas.”

O Papa terminou a sua homilia, convidando todos a embocarem nesta Semana Santa, este caminho “com tanto amor por Ele, o nosso Senhor e Salvador. Será o amor a guiar-nos e a dar-nos força. E, onde Ele estiver, estaremos também nós. Amém.

Durante a Missa rezou-se em várias línguas para diversas intenções de modo particular para os jovens. Eis a oração e língua da Indonésia:

A paixão de Jesus, vivida em obediência à vontade do Pai, torne os seus corações puros, indivisos e generosos

E foi precisamente aos jovens que no final da celebração, depois de saudar a todos, o Papa dirigiu uma palavra especial:

“Caros jovens exorto-vos a continuar o vosso caminho seja nas dioceses, seja na peregrinação através dos continentes, que vos levará no próximo ano a Cracóvia, pátria de são João Paulo II, iniciador das Jornadas Mundiais da Juventude. O tema daquele grande encontro “Beatos os misericordiosos, pois que encontrarão misericórdia” entoa-se muito bem com o Santo da Misericórdia. Deixai-vos encher pela ternura do Pai para depois a difundir à vossa volta!”.

Seguiu-se a oração mariana do Angelus que o Papa convidou a dirigir a Nossa Senhora fim de que nos ajude a ser fiéis a Cristo nesta Semana Santa, Ela que estava presente quando Jesus entrou triunfante em Jerusalém, mas que como Ele estava pronta ao sacrifício.

O Papa confiou a Nossa Senhora as vítimas do desastre aéreo da companhia alemã, recordando de modo particular o grupos de jovens estudantes que nele perdeu a vida.

E concluiu desejando a todos “uma Semana Santa em contemplação do Mistério de Jesus Cristo”.

fonte: NEWS.VA – http://www.news.va/pt/news/nao-existe-outro-caminho-senao-o-de-jesus-papa-na

Dia Internacional da Mulher

mulherAmigos e amigas,

Neste Dia Internacional da Mulher – exatos 30 anos depois do Ano Internacional da Mulher, declarado pela ONU para homenagear a mulher e suas lutas – façamos duas coisas: um minuto de silêncio e uma breve oração…

Pelas mulheres que adentraram a fresta de liberdade que encontraram e ampliaram a própria voz exigindo voto, melhores condições de trabalho, respeito à sua gestação e à sua maternidade, creches para seus filhos, garantia de um futuro melhor para suas ‘sucessoras’, mesmo às custas de suas próprias vidas… E pelas mulheres que, ainda hoje, são sufocadas pelos preconceitos culturais, econômicos, religiosos e mal conseguem respirar pela fresta que lhes possibilitam as burcas, as leis discriminatórias dos países ditos civilizados, a opressão decorrente da falsa interpretação religiosa dos homens, o desrespeito dos que não reconhecem seu valor, o medo estúpido da concorrência nos postos de trabalho.

Pelas mulheres que, ao longo da história, tornaram-se prova de que não se pode chamar de ‘sexo frágil’ o daquelas que, enquanto trabalham duramente, criam seus filhos, educam-se com dificuldade, fundam movimentos sociais de qualidade, engajam-se na política para a ela levar o feminino, a sensibilidade, a solidariedade, o respeito. E pelas mulheres que habitam os grotões dos países em que convivem categorias sociais profundamente distintas, pelas que fogem em desespero da perseguição de terroristas cegos por ideais espúrios, pelas que nunca conheceram nem conhecerão um livro, embora sonhem uma vida diferente para suas filhas.

Pelas mulheres que dedicaram e dedicam suas vidas ao próximo, seja na sua profissão, seja na sua opção de renúncia, e assim constroem, no anonimato, um mundo melhor no meio das agruras de hoje, semente de um mundo mais humano amanhã. E pelas que, ao tentar fazê-lo, são covardemente assassinadas pelos poderosos de plantão que temem o poder da verdade e do amor.

Mas que nosso silêncio dure, sim, apenas um minuto: no minuto seguinte, arregacemos as mangas e façamos de seu exemplo nossa escolha. E que, ao contrário, nossa oração dure para sempre, para que suas dores e batalhas não tenham sido em vão. Amém.

Maria Elisa Zanelatto

O reino de Deus chegou

Marcos 1, 14-20

“Depois que João Batista foi preso, Jesus foi para a Galiléia, pregando o Evangelho de Deus e dizendo: ‘O tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e crede no Evangelho!’ E, passando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus lhes disse: ‘Segui-me e eu farei de vós pescadores de homens’. E eles, deixando imediatamente as redes, seguiram a Jesus. Caminhando mais um pouco, viu também Tiago e João, filhos de Zebedeu. Estavam na barca, consertando as redes; e logo os chamou. Eles deixaram seu pai Zebedeu na barca com os empregados, e partiram, seguindo Jesus.”

O reino de Deus chegou

João é preso e assim termina sua jornada. Jesus entra em cena, dirige-se à Galileia e proclama a boa-nova da chegada do reino. Conclui-se uma etapa e inicia-se nova era. Há grande tarefa a ser cumprida, e para isso Jesus chama colaboradores. Começa convocando duas duplas de irmãos, que abandonam a profissão de pescadores e partem imediatamente para a nova missão: pescadores de gente.

Jesus não inicia sua atividade em Jerusalém, centro político, religiosos e cultural, mas na Galileia, região pouco valorizada, habitada por gente simples e pobre e próxima ao mundo pagão. Os pobres são os primeiros destinatários do reino de Deus.

O papa Francisco insiste na necessidade de a Igreja se voltar para os pobres e ir as periferias geográficas e sociais das grandes cidades. Acontece que é mais fácil e mais confortável se instalar nos centros ricos e desenvolvidos e se esquecer das enormes e pobres periferias.

Citando um documento da CNBB, o papa diz: “Desejamos assumir a cada dia, as alegrias e esperanças, as angústias e tristezas do povo brasileiro, especialmente das populações das periferias urbanas e das zonas rurais – sem terra, sem teto, sem pão, sem saúde – lesadas em seus direitos. Vendo a sua miséria, ouvindo os seus clamores e conhecendo o seu sofrimento, escandaliza-nos saber que existe alimento suficiente para todos e que a fome se deve à má repartição dos bens e da renda” (EG191)

Ao episcopado latino-americano (Celam), por ocasião da Jornada Mundial da Juventude no Brasil, assim se expressa o papa Francisco: “A posição do discípulo-missionário não é uma posição de centro, mas de periferias: vive em tensão para as periferias… No anuncio evangélico, falar de ‘periferias existenciais’ descentraliza, e, habitualmente, temos medo de sair do centro. O discípulo-missionário é um descentrado: o centro é Jesus Cristo, que convoca e envia. O discípulo é enviado para as periferias existenciais”. Está aí o apelo do papa, convocando a Igreja a ir às periferias para levar o reino de Deus que chegou com Jesus   

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (25/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

O que estamos procurando?

João 1, 35-42

“No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos; E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus. E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras? Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima. Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido. Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo). E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)”.

O que estamos procurando?

A vocação é o chamado que Deus faz a cada um de nós para realizar uma missão. E realizar a própria missão, responder ao chamado de Deus, e dar sentido à própria vida.

Deus nos chama a cada instante, servindo-se de pessoas e situações. Quantos Batistas e quantos Andrés, com a própria vida, já nos apontaram Jesus e os valores do reino… Mas, ainda que a resposta ao chamado de Deus passe pelos irmãos, pela comunidade de fé, é a experiência pessoal com Jesus que nos revela a nós mesmos, como filhos amados e vocacionados a amar.

O evangelho nos mostra que, para realizar-se verdadeiramente, para abrir-se ao chamado de Deus, o caminho é “ir” e “ver” onde Jesus mora e então “permanecer” com ele.

Permanecer com Jesus é conhecê-lo melhor a cada dia , é morar onde ele mora. Jesus era mestre itinerante, sem moradia fixa. E como seu ser e seu agir são uma só coisa, ele pode ser encontrado hoje em vários gestos. Ele é pão, e está nas ações que alimentam a vida. Ele é a luz, e está nos caminhos que se iluminam. Ele é a porta, e está na liberdade das relações fraternas. Ele é o bom pastor que conduz, é a videira à qual estamos ligados como ramos. Ele é o verdadeiro caminho para vida, o Filho de Deus, Mestre e Senhor, nossa ressurreição e nossa vida….

Não é tão difícil saber onde Jesus mora hoje. Desafio maior é permanecer com ele, sabendo o que de fato buscamos nesta vida. Quem permanece com Jesus é instrumento para que outros também cheguem ao Mestre, o conheçam e permaneçam come ele.

Nossa vida, nossas ações, têm testemunhado aos outros a alegria do encontro com Jesus?

Temos ajudado outras pessoas a encontrar aquele que chama e dá sentido à vida? 

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (18/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Jesus é o filho de Deus

Marcos 1, 7-11

Naquele tempo: 7 João Batista pregava, dizendo: ‘Depois de mim virá alguém mais forte do que eu. Eu nem sou digno de me abaixar para desamarrar suas sandálias. 8 Eu vos batizei com água, mas ele vos batizará com o Espírito Santo.’ 9 Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. 10 E logo, ao sair da água, viu o céu se abrindo, e o Espírito, como pomba, descer sobre ele. 11 E do céu veio uma voz: ‘Tu és o meu Filho amado, em ti ponho meu bem-querer.’

Jesus é o filho de Deus

O Evangelho de Marcos inicia-se com João Batista pregando um batismo de conversão e profetizando a chegada de alguém mais forte que ele, o Messias, salvador e filho de Deus. João não é nem digno de se abaixar aos pés do anunciado ao mundo. Deus escolheu revelar-se ao nosso coração. Ele batiza com água, mas o que virá batizará com o Espirito Santo.

Nisso aparece Jesus para ser batizado: os céus se abrem, ele vê o Espirito Santo se fazer presente em sua vida e ouve a voz do Pai, que o proclama seu Filho amado. João Batista sai de cena e entra Jesus, anunciando seu projeto.

Os céus “estavam fechados”, parecendo estar obstruída a comunicação entre o céu e a terra, entre o divino e o humano. Havia necessidade de romper essa barreira invisível e estabelecer a comunicação com o transcendente. Havia a sensação de que Deus estava isolado e longe da humanidade.

Com a vinda do Espirito Santo sobre Jesus, os céus “são rasgados” e volta a se estabelecer a comunicação do divino com o humano. Finalmente é possível o encontro e a convivência com Deus. Um homem cheio do Espírito perambula pelas terras da Palestina, anunciando o reino de Deus.

Movido pelo Espírito Santo, Jesus cura, liberta, transforma e renova as pessoas e todas as coisas. À semelhança do caos do inicio da criação que se transforma em cosmos com o sopro divino, a nova humanidade nasce com a chegada do filho de Deus, iluminado e guiado pelo Espírito.

Graças ao Espírito Santo que recebemos no batismo, também nos tornamos novas criaturas. Somos integrados a uma comunidade, a Igreja. Sem esse Espírito de Deus, nossa vida é morna, sem compromisso e sem verve, a alegria esmorece, a esperança morre, os medos tornam-se fantasmas a nos atormentar. Se não nos deixamos animar e recriar por esse Espírito, não temos como contribuir para a nossa comunidade nem apontar novo rumo para a sociedade, tão necessitada de valores que dignifiquem e defendam a vida da humanidade.

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (11/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

O importante é o quanto amamos!

O importante é o quanto amamos!

corintios 13

“Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais acaba; mas, havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito, então, o que é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino.

Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face.

Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor.”

Deus se revela

Deus Se Revela

Com o nascimento de Jesus, nasce também uma estrela, a indicar com seu brilho o caminho rumo a Deus. Os magos do Oriente sentem grande alegria ao segui-la. Herodes e o centro do poder, Jerusalém, ficam perturbados. os sumos sacerdotes e mestres da lei, entendidos de religião, limitam-se a repetir a Escritura sagrada. São três atitudes diante do Deus que deseja manifestar-se e chegar a todos.

Os entendidos de religião conhecem a Escritura e sabem que de Belém sairá um pastor para Israel. Transformam a palavra de Deus numa doutrina que já não toca a realidade. Não se movem, estão acomodados, não conseguem reconhecer no brilho da estrela o caminho para o recém-nascido pastor de Israel.

Herodes e Jerusalém ficam perturbados, ao pressupor que o Filho de Deus lhes tomaria o poder. Querem impedir que Deus se manifeste ao mundo, eliminando o Filho recém-nascido. Mal sabem que este menino vem para servir e mostrar que o poder de Deus está no amor que se entrega e gera vida, não no ódio que divide e mata.

Os magos, por sua vez, põem-se à procura. Vencem a escuridão seguindo o brilho da estrela guia. Eles representam todos os povos que buscam construir, juntos, a única comunidade dos filhos de Deus. E como é imensa a alegria de encontrar pessoalmente Jesus Cristo e poder entregar-lhe a própria vida, com o que tem de melhor!

E aqui está a chave: Deus se revela a nós à medida que lhe entregamos o melhor de nós. Os presentes dos magos indicam quem é o menino recém-nascido. Oferecem ouro porque ele é rei, incenso porque é Deus e mirra porque dará a vida na cruz. É fundamental a atitude de buscar a Deus na sinceridade de coração, para podermos reconhecê-lo tal como ele realmente é. E a alegria de encontrá-lo certamente nos levará a reconhecê-lo no rosto de nossos irmãos, sobretudo dos irmãos menores e indefesos. Porque, para revelar-se ao mundo, Deus escolheu revelar-se ao nosso coração.

Pe Paulo Bazaglia, ssp

fonte: folheto O Domingo (04/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Maria medita sobre os fatos

Maria medita sobre os fatos

Em 1º de Janeiro a Igreja católica celebra, em todo o mundo, a MÃE DE DEUS. esse título foi atribuído a Maria no Concílio de Éfeso, em 431. Por meio de Maria, graças ao seu sim, Deus nasceu entre nós.

Proclamada Mãe de Deus, Maria é também invocada como Mãe da Igreja evangelizadora. Sem ela, diz o Papa Francisco, “não podemos compreender cabalmente o espírito da nova evangelização”.

Sendo mãe de Jesus, todos podemos nos pôr sob a sua proteção materna. Ela sempre esteve presente na vida dos povos latino-americanos. Perfeita discípula e pedagoga da evangelização, ensina-nos a ser filhos e filhas em seu Filho e a realizar a vontade do Pai. Em nome de Maria, mãe de Deus e nossa, e sob a sua proteção iniciamos novo ano civil, desejando que ela nos acompanhe ao longo dos próximos 365 dias.

Maria contempla com admiração os mistérios que nela se realizam, é mulher atenta aos fatos – sinais dos tempos, no dizer do Vaticano II. Ela nos ensina a também abrir os olhos e contemplar a realidade na qual estamos imersos. Em meio a essa realidade, deixemos que o espírito profético nos conduza.

Neste dia da Mãe de Deus, rezemos a bela oração que o papa Francisco nos oferece na exortação apostólica A Alegria do Evangelho:

“Virgem e mãe Maria, vós que, movida pelo espírito, acolhestes o Verbo da vida na profundidade da vossa fé humilde, totalmente entregue ao eterno, ajudai-nos a dizer o nosso sim perante a urgência, mais imperiosa do que nunca, de fazer ressoar a boa-nova de Jesus.

Vós, cheia da presença de Cristo, levastes a alegria a João, o Batista, fazendo-o exultar no seio de sua mãe. Vós, que estremecendo de alegria, cantastes as maravilhas do Senhor. Vós, que permanecestes firme diante da cruz com uma fé inabalável e recebestes a jubilosa consolação da ressurreição, reunistes os discípulos à espera do Espírito para que nasce-se a Igreja evangelizadora.

Mãe do evangelho vivente, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amém”

Pe Nilo Luza, ssp

fonte: folheto O Domingo (01/01/2015) – Editora Paulus Editora-Paulus

Papa: “Cristo e sua Mãe, Cristo e a Igreja são inseparáveis” – 01/01/2015

Papa: “Cristo e sua Mãe, Cristo e a Igreja são inseparáveis”

Cidade do Vaticano (RV) – Neste 1º dia de 2015, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro a Missa por ocasião da Solenidade da Mãe de Deus. Em sua homilia, o Papa recordou que “nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar”. O Papa reiterou que “assim como Cristo e sua Mãe são inseparáveis”, “igualmente são inseparáveis Cristo e a Igreja”.

papa francisco dia primeiro de 2015

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Francisco observou que entre Cristo e sua Mãe existe uma relação estreitíssima, como entre cada filho e sua mãe: “ A carne de Cristo, disse ele, foi tecida no ventre de Maria”. Maria, escolhida para ser a Mãe do Redentor, compartilhou intimamente toda a sua missão, até o calvário:

“Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projetos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe”.

Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja – disse o Papa – observando que  não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja:

“Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI. Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja». Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos”.

A ação e missão da Igreja, observou o Santo Padre, exprimem a sua maternidade:

“De fato, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores”.

Maria, disse o Papa, é “aquela que abre a estrada da maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos”.

Ao concluir, o Pontífice recordou o Dia Mundial da Paz, celebrado no 1º dia do ano, pedindo que “o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações”.  Ao recordar que o tema deste ano «Já não escravos, mas irmãos», Francisco disse:

“Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo”. (JE)

Eis a homilia do Papa Francisco na íntegra:

“Hoje voltam à mente as palavras com que Isabel pronunciou a sua bênção sobre a Virgem Santa: «Bendita és Tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?» (Lc 1, 42-43).

Esta bênção está em continuidade com a bênção sacerdotal que Deus sugerira a Moisés para que a transmitisse a Aarão e a todo o povo: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e te favoreça. O Senhor volte para ti a sua face e te dê a paz» (Nm 6, 24-26). Ao celebrar a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a Igreja recorda-nos que Maria é a primeira destinatária desta bênção. N’Ela tem a sua realização perfeita: na verdade, mais nenhuma criatura viu brilhar sobre si a face de Deus como Maria, que deu uma face humana ao Verbo eterno, para que todos nós O pudéssemos contemplar.

E, para além de contemplar a face de Deus, podemos também louvá-Lo e glorificá-Lo como os pastores, que regressaram de Belém com um cântico de agradecimento depois de ter visto o Menino e a sua jovem mãe (cf. Lc 2, 16). Estavam juntos, como juntos estiveram no Calvário, porque Cristo e sua Mãe são inseparáveis: há entre ambos uma relação estreitíssima, como aliás entre cada filho e sua mãe. A carne de Cristo – que é charneira da nossa salvação (Tertuliano) – foi tecida no ventre de Maria (cf. Sal 139/138, 13). Tal inseparabilidade é significada também pelo facto de Maria, escolhida para ser Mãe do Redentor, ter compartilhado intimamente toda a sua missão, permanecendo junto do Filho até ao fim no calvário.

Maria está assim tão unida a Jesus, porque recebeu d’Ele o conhecimento do coração, o conhecimento da fé, alimentada pela experiência materna e pela união íntima com o seu Filho. A Virgem Santa é a mulher de fé, que deu lugar a Deus no seu coração, nos seus projectos; é a crente capaz de individuar no dom do Filho a chegada daquela «plenitude do tempo» (Gl 4, 4) na qual Deus, escolhendo o caminho humilde da existência humana, entrou pessoalmente no sulco da história da salvação. Por isso, não se pode compreender Jesus sem a sua Mãe.

Igualmente inseparáveis são Cristo e a Igreja, e não se pode compreender a salvação realizada por Jesus sem considerar a maternidade da Igreja. Separar Jesus da Igreja seria querer introduzir uma «dicotomia absurda», como escreveu o Beato Paulo VI (cf. Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 16). Não é possível «amar a Cristo, mas sem amar a Igreja, ouvir Cristo mas não a Igreja, ser de Cristo mas fora da Igreja» (Ibid., 16). Na verdade, é precisamente a Igreja, a grande família de Deus, que nos traz Cristo. A nossa fé não é uma doutrina abstracta nem uma filosofia, mas a relação vital e plena com uma pessoa: Jesus Cristo, o Filho unigénito de Deus que Se fez homem, morreu e ressuscitou para nos salvar e que está vivo no meio de nós. Onde podemos encontrá-Lo? Encontramo-Lo na Igreja. É a Igreja que diz hoje: «Eis o Cordeiro de Deus»; é a Igreja que O anuncia; é na Igreja que Jesus continua a realizar os seus gestos de graça que são os sacramentos.

Esta acção e missão da Igreja exprimem a sua maternidade. Na verdade, ela é como uma mãe que guarda Jesus com ternura, e O dá a todos com alegria e generosidade. Nenhuma manifestação de Cristo, nem sequer a mais mística, pode jamais ser separada da carne e do sangue da Igreja, da realidade histórica concreta do Corpo de Cristo. Sem a Igreja, Jesus Cristo acaba por ficar reduzido a uma ideia, a uma moral, a um sentimento. Sem a Igreja, a nossa relação com Cristo ficaria à mercê da nossa imaginação, das nossas interpretações, dos nossos humores.

Amados irmãos e irmãs! Jesus Cristo é a bênção para cada homem e para a humanidade inteira. Ao dar-nos Jesus, a Igreja oferece-nos a plenitude da bênção do Senhor. Esta é precisamente a missão do povo de Deus: irradiar sobre todos os povos a bênção de Deus encarnada em Jesus Cristo. E Maria, a primeira e perfeita discípula de Jesus, modelo da Igreja em caminho, é Aquela que abre esta estrada de maternidade da Igreja e sempre sustenta a sua missão materna destinada a todos os homens. O seu testemunho discreto e materno caminha com a Igreja desde as origens. Ela, Mãe de Deus, é também Mãe da Igreja e, por intermédio dela, é Mãe de todos os homens e de todos os povos.

Que esta Mãe doce e carinhosa nos obtenha a bênção do Senhor para a família humana inteira! Hoje, Dia Mundial da Paz, invoquemos de modo especial a sua intercessão para que o Senhor dê paz a estes nossos dias: paz nos corações, paz nas famílias, paz entre as nações. Este ano, a mensagem especial para o Dia Mundial da Paz reza: «Já não escravos, mas irmãos». Todos somos chamados a ser livres, todos chamados a ser filhos; e cada um chamado, segundo as próprias responsabilidades, a lutar contra as formas modernas de escravidão. Nós todos, de cada nação, cultura e religião, unamos as nossas forças. Que nos guie e sustente Aquele que, para nos tornar irmãos a todos, Se fez nosso servo!”

fonte:
NEWS.VA – http://www.news.va/pt/news/papa-cristo-e-sua-mae-sao-inseparaveis

Papa à Cúria: Catálogo de possíveis doenças – 22/12/2014

Papa à Cúria: Catálogo de possíveis doenças

Cidade do Vaticano (RV) – “A Cúria é chamada a melhorar-se sempre e a crescer em comunhão, santidade e sabedoria para realizar plenamente a sua missão”: Foi o que disse na manhã desta segunda-feira (22), o Papa Francisco no discurso à Cúria Romana por ocasião dos tradicionais votos de Feliz Natal. “Também ela, como todo corpo, está exposta às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade”.

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O Papa quis então mencionar algumas dessas prováveis doenças: são doenças habituais na nossa vida de Cúria, disse, acrescentando: “são doenças e tentações que enfraquecem o nosso serviço ao Senhor. Ajudar-nos-á o catálogo das doenças – seguindo o caminho dos Padres do deserto, que faziam esses catálogos – do qual falamos hoje, a nos preparar para o Sacramento da reconciliação, que será um bonito passo de todos nós para nos prepararmos para o Natal”.

Depois de agradecer a Deus pelo ano que está terminando, pelos eventos vividos e por todo o bem que Ele quis generosamente realizar através do serviço da Santa Sé, o Papa Francisco pediu perdão a Deus pelas faltas cometidas “em pensamentos, palavras, obras e omissões”. O Pontífice fez então um elenco das doenças iniciando pela doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável”, descuidando dos necessários e habituais controles.

Uma Cúria que não faz “autocrítica”, que não se atualiza – disse o Papa – que não procura se melhorar é um corpo doente. Uma visita aos cemitérios nos poderia ajudar a ver os nomes de tantas pessoas, que talvez pensassem serem imortais, imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava viver eternamente, e também daqueles que se transformam em padrões e se sentem superiores a todos e não ao serviço de todos. Disso deriva a patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”.

Em seguida o Papa falou de outra doença, a doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva laboriosidade: ou seja daqueles que se afundam no trabalho, descuidando, inevitavelmente, “a parte melhor”: sentar-se aos pés de Cristo. O tempo de repouso, para quem terminou a sua missão, – aconselhou o Papa – é necessário, devido e deve ser vivido seriamente.

Há também a doença da “petrificação” mental e espiritual: ou seja daqueles que possuem um coração de pedra e uma “pescoço duro”; daqueles que, ao longo da estrada perdem a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e se escondem nos papéis tornando-se “maquinas de documentos” e não “homens de Deus”. É a doença daqueles que perdem “os sentimentos de Jesus”, porque os seus corações, com o passar do tempo, se endurecem se tornam incapaz de amar de modo incondicional o Pai e o próximo.

Tem também a doença do excessivo planejamento e do funcionalismo. Quando o apóstolo planeja tudo minunciosamente e acredita que está fazendo um perfeito planejamento das coisas, de fato progridem, tornando-se assim um contabilista ou contador. Preparar bem é necessário mas sem cair na tentação de querer fechar e pilotar a liberdade do Espírito Santo que é sempre maior e mais generosa de qualquer humano planejamento. Cai-se nesta doença porque “é sempre mais fácil e cômodo apoiar-se nas próprias posições estáticas e imutáveis”.

Outra doença – destacou o Papa Francisco – é a doença da má coordenação: quando os membros perdem a comunhão entre eles e o corpo perde a sua harmoniosa funcionalidade e temperança, tornando-se uma orquestra que produz rumor porque os seus membros não colaboram e não vivem o espírito de comunhão e de grupo. Quando os pés dizem ao braço “não tenho necessidade de você”, ou a mão à cabeça “eu comando”, causando assim problemas e escândalo.

Há também a doença do Alzheimer espiritual: ou seja, esquecer a “história da Salvação”, da história pessoal com o Senhor, do “primeiro amor”. Trata-se de um declínio progressivo das faculdades espirituais que em certo intervalo de tempo causa graves deficiências à pessoa tornando-a incapaz de realizar atividades autônomas, vivendo em um estado de absoluta dependência de seus horizontes frequentemente imaginários.

A doença da rivalidade e da vanglória: quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra tornam-se o principal objetivo de vida, esquecendo-se das palavras de São Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada um também para o que é dos outros. É a doença que nos leva a sermos homens e mulheres falsos e viver um falso “misticismo” e um falso “quietismo”.

A doença da esquizofrenia existencial: é a doença de quem vive uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que láureas ou títulos acadêmicos não podem preencher. Uma doença, que atinge frequentemente aqueles que, abandonando o serviço pastoral, limitam-se aos afazeres  burocráticos, perdendo assim o contato com a realidade, com as pessoas reais. Criam assim um mundo paralelo, onde colocam de lado tudo o que ensinam de modo severo aos outros e iniciam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é urgente e indispensável para esta doença muito grave.

A doença das fofocas, das conversas fiadas e mexericos: desta doença já falei muitas vezes, mas nunca o suficiente: é uma doença grave que começa simplesmente, talvez por causa de uma conversa fiada e toma conta da pessoa tornando-a “semeadora de discórdia” (como Satanás), e em muitos casos “assassino a sangue frio” da fama dos próprios colegas e coirmãos. É a doença de pessoas covardes que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. São Paulo nos adverte: “Fazei todas as coisas sem murmurações, para serem irrepreensíveis e puros”. Irmãos, vamos tomar cuidado do terrorismo das fofocas!

A doença de divinizar os chefes: é a doença dos que estão cortejando os Superiores, na esperança de obter a sua benevolência. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honram as pessoas e não Deus (cfr Mt 23: 8-12.). São pessoas que vivem o serviço pensando apenas no que elas desejam obter e não o que elas devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas somente pelo próprio fatal egoísmo. Esta doença também pode afetar os Superiores quando cortejando alguns de seus funcionários para obter a sua submissão, lealdade e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.

A doença da indiferença para com os outros: quando cada um pensa só em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas. Quando o mais experiente não coloca o seu conhecimento ao serviço dos colegas menos experientes. Quando se toma conhecimento de algo e você mantém só para si, em vez de compartilhá-lo com outras pessoas de forma positiva. Quando, por ciúmes ou dolo, sente alegria em ver o outro cair em vez de levantá-lo e incentivá-lo.

A doença de rosto de funeral: ou seja, das pessoas rudes e carrancudas, que consideram que para ser sérias é necessário pintar o rosto de melancolia, de severidade e tratar os outros – especialmente aquelas consideradas inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e insegurança sobre si mesmo. O apóstolo deve se esforçar para ser uma pessoa educada, serena, entusiasmada e alegre, que transmite alegria onde quer que esteja. Um coração cheio de Deus é um coração feliz que irradia alegria e contagia todos os que estão ao seu redor. Portanto, não vamos perder esse espírito alegre, cheio de humor, e até mesmo auto-irônico, que nos torna pessoas amáveis, mesmo em situações difíceis.

A doença do acumular: quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial em seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas apenas para se sentir seguro. Na verdade, nada de material poderemos levar conosco, porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos tesouros terrenos – mesmo se são presentes – nunca vão preencher esse vazio. Para essas pessoas, o Senhor repete: “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um infeliz, e miserável, e pobre, e cego, e nu; sê pois zeloso, e arrepende-te”. O acúmulo somente pesa e atrasa o caminho inexorável!

A doença dos círculos fechados: onde pertencer a um pequeno grupo torna-se mais forte do que pertencer ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre com boas intenções, mas com o passar do tempo escraviza os membros tornando-se “um câncer” que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos – especialmente aos nossos irmãos menores. A auto-destruição ou “fogo amigo” de soldados companheiros é o perigo mais insidioso. É o mal que atinge a partir de dentro e, como disse Cristo: “Todo o reino, dividido contra si mesmo, será assolado”.

E a última: a doença do lucro mundano, dos exibicionismos: quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder, e o seu poder em uma mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poderes. É a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e para este fim são capazes de caluniar, de difamar e desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e revistas. Naturalmente, para se exibir e se demonstrar mais capaz do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao Corpo, porque leva as pessoas a justificarem o uso de todos os meios para alcançar tal objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência!

Irmãos, – concluiu no Papa – tais doenças e tais tentações são, naturalmente, um perigo para cada cristão e para cada cúria, comunidade, congregação, paróquia, movimento eclesial… etc. e podem afetar seja o indivíduo seja a comunidade.

É preciso esclarecer que somente o Espírito Santo – a alma do Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno Constantinopolitano: “Creio … no Espírito Santo, Senhor que dá a vida” – pode curar todas as doenças. É o Espírito Santo que sustenta todos os esforços sinceros de purificação e toda boa vontade de conversão. É Ele que nos fazer entender que cada membro participa da santificação do corpo e do seu enfraquecimento. Ele é o promotor da harmonia.

A cura é também o resultado da consciência da doença e da decisão pessoal e comunitária de curar-se, sobretudo com paciência e perseverança. (SP)

fonte:
NEWS.VA – http://www.news.va/pt/news/papa-a-curia-catalogo-de-possiveis-doencas

Feliz Natal

Amigos e amigas,

O caminho para Belém é longo e árduo.

deserto

O homem generoso que cuida com carinho da esposa e a mulher grávida que busca um mínimo de conforto no lombo do jumentinho perguntam-se o que teria sido feito das profecias que urgiam a humanidade a ‘preparar no deserto o caminho do Senhor, aplainando a estrada de Deus, nivelando os vales, rebaixando os montes e colinas; endireitando o que é torto e alisando as asperezas’…

O deserto, claro, continua lá, embora mais estranho que nunca: é cheio de luzes, de lojas, de ruídos, de gente apressada carregando sacolas e ignorando o semelhante que vai ao lado… mas não há nenhuma indicação do caminho do Senhor.

A estrada também está no mesmo lugar, mas não foi aplainada: não há lugar para jumentinhos, apenas para máquinas que se deslocam velozmente e roubam das pessoas a possibilidade de caminhar.

Os vales podem ser vistos ainda, mas não estão nivelados: estão cheios de choupanas, choças, choro de criança, lamentos de adultos embriagados de vinho barato, impropérios dos inconformados e nenhuma alegria.

Os montes e colinas permanecem impávidos, ninguém os rebaixou: tornaram-se reduto dos que têm posses para fugir dos vales e estão cheios de música e risadas, mas nenhuma esperança.

O que era torto e áspero segue na mesma irregularidade e na aspereza de sempre: não há mais tempo para endireitar ou alisar; todo o tempo é usado no isolamento dos inventos que a tecnologia produziu para aproximar as pessoas e, paradoxalmente, as distancia cada vez mais, até o ponto de elas se encontrarem lado a lado e não trocarem nem um olhar, nem uma palavra.

Mas o homem generoso e a mulher grávida não perdem a esperança. Seguem adiante em sua viagem secular; estão certos de que Belém está ali, um pouco adiante. Precisam chegar a tempo para que o Menino venha a esse mundo tão necessitado d’Ele!

De olhos bem abertos na Noite Santa deste ano que termina, procuremos divisar a estrela que indica o canto escuro que Ele escolheu para vir ao mundo… Esqueçamos por um momento o descumprimento das recomendações dos profetas e sigamos nos caminhos tortos e ásperos: a surpresa de conhecer o Rei dos Reis valerá a pena.

Maria Elisa Zanelatto
dezembro/2014

Las Cuatro Velas – As Quatro Velas

quatro velas

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Cuatro Velas se estaban consumiendo lentamente.
El ambiente estaba tan silencioso que se podía oír el diálogo entre ellas.

La primera dijo:
-¡Yo Soy la Paz! A pesar de mi Luz, las personas no consiguen mantenerme encendida.
Y disminuyendo su llama, se apagó totalmente.

La segunda dijo:
-¡Yo me llamo Fe! Infelizmente soy superflua para las personas, porque ellas no quieren saber de Dios, por eso no tiene sentido continuar quemándome.
Al terminar sus palabras, un viento se abatió sobre ella, y esta se apagó.

En voz baja y triste la tercera vela se manifestó:
¡Yo Soy el Amor! No tengo mas fuerzas que quemar. Las personas me dejan de lado porque solo consiguen manifestarme para ellas mismas; se olvidan hasta de aquéllos que están a su alrededor y también se apagó.

De repente entró una niña y vio las tres velas apagadas.
-¿Qué es esto? Ustedes deben estar encendidas y consumirse hasta el final.

Entonces la cuarta vela, habló:
-No tengas miedo, niña, en cuanto yo esté encendida, podemos encender las otras velas.
Entonces la niña tomó la vela de la Esperanza y encendió nuevamente las que estaban apagadas.

¡Que la vela de la Esperanza nunca se apague dentro de nosotros!
Por siempre….¡¡

DE COLORESSSS !!!!

A espiritualidade do Advento

A espiritualidade do Advento

A espiritualidade do Advento é marcada por algumas atitudes básicas: a preparação para receber o Cristo; a oração e a vivência da esperança cristã.

papa confessando

Clique sobre a imagem.

A preparação para receber o Senhor se dá na vivência da conversão e da ascese.

Precisamos ter um olhar atento sobre nós e a realidade que nos cerca e nos empenharmos para correspondermos com a ação do Espírito de Deus que quer restaurar todas as coisas.

O nosso relacionamento com o nosso corpo e os nossos afetos, com nossos familiares e pessoas íntimas, nossa participação na vida eclesial e social devem estar no foco de nossa atenção.

A preparação para celebrar o Natal demanda uma confissão sacramental bem feita e um propósito firme de renovação interior.

Muito além do tempo de Advento, sigamos o exemplo do Bispo de Roma Francisco e pratiquemos o preceito da confissão durante todo o ano.