Resgate Histórico do MCC do Brasil

MOVIMENTO

DE

CURSILHOS DE CRISTANDADE

DO

BRASIL

.

ACHEGAS HISTÓRICAS

por Pe José Gilberto Beraldo 

Pe José Geraldo Beraldo

Pe José Gilberto Beraldo

Introdução: 

Solicitado pelo Grupo Executivo Nacional, compilei algumas achegas históricas sobre o MCC do Brasil. São estas resultantes menos de dados escritos ou de Atas exaradas em reuniões ou de outros documentos, do que de meus esforços pessoais de memória. De fato, minha participação comprometida no Movimento teve início em setembro de 1967 quando, ainda como Cura da Catedral de Botucatu e Vigário Geral da Arquidiocese, instado pelo meu Arcebispo que tivera notícia dos “Cursilhos” através de um colega de Campinas, fiz o Cursilho no. 54 da Arquidiocese de São Paulo. Eram ainda os tempos dos “Cursilhos de Cristandade” e não do Movimento de Cursilhos de Cristandade, assim definido somente em 1966, em Bogotá (Colômbia). A partir de então, passei a compreender melhor a vocação e missão do leigo na Igreja e no mundo. Entretanto, por algum tempo bastante longo, eu ainda via e tratava  o leigo mais comprometido tanto com a paróquia quanto com os serviços paroquiais. Era muito gratificante receber aqueles leigos e leigas que, depois do Cursilho, voltavam para a paróquia “convertidos”, isto é dispostos a fazer as leituras durante as celebrações, frequentar a comunhão, ajudar nas várias pastorais, etc.. Mas, pouco a pouco, através do estudo dos Documentos do Concílio Vaticano II, recém-terminado, fui dando-me conta de que tudo isto era importante na vida do leigos, mas que a sua verdadeira vocação e missão estava no coração do mundo.

Vamos, então a algumas achegas históricas fundamentadas – como já disse – mais sobre informações e tradições orais do que por atas e dados escritos. Por isso, as datas abaixo citadas são, algumas delas,  apenas aproximadas. Portanto, tudo o que lhes vou dizer soa muito mais como um testemunho ocular do que como o rigor de datas e eventos. E quaisquer dados porventura inexatos, debitem-se às limitações de minha memória.

Além disso, recebi substanciosa colaboração de uma pessoa muito importante para a história do MCC no Brasil: eficientíssima e competente secretária do Secretariado Nacional e, depois do GEN durante muitos anos, também foi responsável pela revista Alavanca; Secretária bilíngue de todos os Encontros Internacionais dos quais participou, foi eleita por unanimidade pelos países do Grupo Latinoamericano do MCC como sua representante no OMCC para revisão de IFMCC ainda em curso. Refiro-me a Maria Elisa Zanelatto a quem fico profundamente agradecido. Iguais agradecimentos  devo aos sempre lembrados ex-coordenadores nacionais Ecidyr Laguna, Francisco Alberto Coutinho e Antônio Carlos Salomão, o Tony, pela ajuda e testemunhos vivenciais na compilação destes dados. Ainda que lamentando profundamente a  ausência deles neste importante evento jubilar, nem por isso deixo de lhes prestar minha calorosa homenagem pessoal por tudo o que fizeram pelo MCC do Brasil durante quase vinte anos de sua presença.

 

1. “Importação” – Introdução – “Assimilação” (1962-1965)

 Tudo começou por iniciativa de alguns sacerdotes que, vindos da Espanha, trabalhavam na Missão Católica Espanhola, em São Paulo. Cito os que tive a alegria e a graça de conhecer pessoalmente: Pe. Paulo Cañelles, Pe. Xavier Ibarra, Pe. Ramón Pulido, Pe.Antonio Sala, Pe. Celso, Pe.Caetano, Pe. José Luiz Palácios (este foi o Diretor Espiritual do meu Cursilho). Também foram aqui iniciadores do MCC alguns leigos que haviam participado de Cursilhos na Espanha.

O primeiro Cursilho no Brasil acontece durante a Semana Santa do ano de 1962, na Chácara São Joaquim, na cidade de Valinhos (SP), mas como sendo da Arquidiocese de São Paulo e, por isto mesmo, aprovado pelo então Arcebispo, Cardeal D.Agnelo Rossi. Chamo este primeiro momento de “importação”, pois foi dado em espanhol quase que só com a participação de candidatos espanhóis. Tudo como em Mallorca.

 O segundo Cursilho aconteceu em Mogi das Cruzes, também em São Paulo, agora com a participação de alguns candidatos brasileiros. Muitas historinhas saborosas contam-se destes primeiros Cursilhos, como, por exemplo, a inexperiência do pessoal da cozinha que, na primeira noite, em vez da que seriam as famosas e, depois, tradicionais canjas de galinha ou a sopa de lentilhas, confundiu os ingredientes e preparou uma sopa de… pipoca!

No que se refere aos sacerdotes, permitam-me introduzir aqui uma palavra de imorredoura gratidão ao meu querido amigo e irmão, modelo de sacerdote, amigo e irmão, Pe. Paulo Cañelles. Tão entranhado amor nutria este sacerdote espanhol pelo Brasil e pelo MCC que, para estar mais identificado com sua missão por aqui, quis naturalizar-se brasileiro. Outro dado interessante: vários eram os sacerdotes espanhóis que com ele trabalhavam no MCC. Entretanto, para sucedê-lo na missão, sonhava que fora um sacerdote brasileiro. Assim, devido à minha participação constante e próxima, houve por bem chamar-me para que, sempre que possível, o acompanhasse. Infelizmente, chamado que fora para exerceu sua missão junto a um casal de Belo Horizonte (MG), em julho de 1973, surpreendeu-o, na volta, um terrível acidente rodoviário. Como para todos, esta tragédia foi impactante, mas, para mim, teve uma impacto pessoal indescritível, pois para pode viajar a Belo Horizonte, ele me pedira que o substituísse num Cursilho de Cursilhos em Vitória (ES). Ademais, trago outras tantas preciosas recordações deste querido irmão e amigo. Pelo seu testemunho de vida e de amo pelo MCC, devo minha ter podido perseverar no MCC até hoje.

2. Os primeiros passos para a “inculturação”

Como já acenei acima, foi o espírito apostólico de alguns sacerdotes e leigos da Missão Católica Espanhola, na época em franca atividade, que fez com que acontecesse, na Semana Santa de 1962, em Valinhos, estado de São Paulo, o primeiro Cursilho de Cristandade do Brasil.

O clima pastoral de toda a Igreja era de renovação e de grandes esperanças: em Roma, o Concílio Vaticano II se encaminhava para a sua segunda sessão. No Brasil, começava a ser implementado, com entusiasmo, o Plano de Pastoral de Emergência, sugerido pelo Papa João XXIII ao episcopado brasileiro. Era, pois, propício o terreno para a introdução de movimentos de renovação eclesial, o que explica a notável expansão que de pronto caracterizou o MCC no Brasil.

Chegado com suas características de origem, o MCC, embora suscitasse adesão e entusiasmo de alguns setores da hierarquia e de muitos leigos, demorou mais de uma década para iniciar com a Igreja local um diálogo profundo que marcasse sua identidade de Movimento e suas funções no contexto pastoral nacional. A despeito disso, os benefícios operados pelo MCC nas pessoas e, por via de consequência, na atividade eclesial de muitas Igrejas particulares foram, desde o princípio, inegáveis.

Assim, esse Movimento que deitou raízes neste país, incentivado e amparado por uma extraordinária figura de sacerdote e apóstolo – Pe. Paulo Cañelles –, não apenas possibilitou o surgimento de lideranças respeitadas no mundo dos cursilhos, mas evoluiu e adaptou-se a ponto de tornar-se um dos movimentos que mais de perto acompanhou e, felizmente, continua acompanhando a caminhada da Igreja no Brasil.

3. Tempo de “inculturação”

3.1. A expansão do MCC neste país-continente[1] determinou, em 1966, a criação do Secretariado Nacional. Constituído a princípio por um grupo de dirigentes empenhado em levar aos mais distantes recantos do Brasil o entusiasmo e a esperança que os Cursilhos suscitavam, o Secretariado Nacional cedo percebeu a necessidade de estender seus braços e estar presente em caráter permanente em todo o país. Assim é que surgiram, primeiramente, no início da década de 70, as Comissões Setoriais e, num segundo momento, quando a maturidade permitiu, os Grupos Executivos Regionais que, ao lado do Grupo Executivo Nacional, refletem, decidem e executam as deliberações que orientam os rumos do MCC no Brasil, para que o mesmo seja, simultaneamente, fiel a seu carisma próprio e à Igreja a que tem o dever de servir.

 A propósito de maturidade, é bom lembrar que o novo nome do Secretariado Nacional e das Comissões Setoriais – respectivamente Grupo Executivo Nacional e Grupos Executivos Regionais – não representam uma “mudança de etiqueta”, mas indicam, menos no aspecto jurídico e mais na dimensão pastoral e evangelizadora, um aprofundamento na co-responsabilidade e na participação”.

4. Tempo de maturação: as Assembleias e os Encontros Nacionais.

Dar ao MCC uma “identidade nacional” que não desfigurasse sua fisionomia própria e preparar dirigentes para levar adiante esse projeto; tornar o MCC um instrumento eficaz através do qual os leigos pudessem descobrir sua missão, inteirar-se de sua função própria, atuar como Igreja e posicionar o MCC como instância que possibilitasse a um número sempre maior de cristãos entender o Plano de Deus e realizá-lo, construindo o Reino anunciado por Jesus, foram essas as razões que determinaram a necessidade de se rever, periodicamente, através dos Encontros Nacionais, os rumos do MCC para, à luz dos documentos do próprio Movimento em seus diversos níveis, bem como das diretrizes da Igreja, adequá-los às realidades para manter sua eficácia.

4.1. Encontros Nacionais

4.1.2. I Encontro Nacional

Embora programado ainda antes do I Encontro Latino-Americano de Bogotá, em 1968, o I Encontro Nacional do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil foi realizado alguns meses depois daquele, em Aparecida do Norte, Estado de São Paulo, e procurou permear com seu espírito os temas apresentados. De alguma maneira o MCC na época já estava presente em cerca de 50 dioceses brasileiras e contava com 30 secretariados diocesanos.

Ainda que  limitando-se e a estudar o pré e o pós-cursilho, o Encontro de Aparecida foi uma oportunidade excelente para se constatar que o MCC se constituía num poderoso instrumento de Evangelização. Como era natural, nesse primeiro encontro os secretariados diocesanos trataram de expor suas dificuldades na implantação e no desenvolvimento inicial do MCC em suas dioceses. Simples, mas práticas, as Resoluções do I Encontro Nacional enfatizaram alguns pontos-chaves que pretendiam dar consistência e clareza aos alicerces desse Movimento que começava a se afirmar nas diferentes regiões do país.

As repercussões desse Encontro não se fizeram esperar. Houve tanto empenho em construir um “pós-cursilho de Igreja” que o Brasil podia oferecer muito quando foi encarregado, dois anos depois, de apresentar um trabalho sobre pós-cursilho no II Encontro Latino-Americano, em Tlaxcala, no México. De tal maneira esse trabalho marcou a presença do Brasil no Encontro que sua influência se estendeu ao II Encontro Mundial conforme atestam as Conclusões deste último.

4.1.3. A mulher e os cursilhos

Grande foi a contribuição do Brasil no Encontro de Tlaxcala ao apresentar um tema livre sobre a mulher. Apesar de, no começo, os cursilhos femininos terem sido concebidos segundo a visão de que a mulher vivia apenas para o lar, a evolução do papel que a mulher exercia no mundo e que extrapolava os limites de suas funções de esposa e mãe, pedia que os cursilhos femininos refletissem essa realidade. O tema apresentado pelo Brasil na pessoa da querida Ida Rosatelli que acaba de lhes falar, Reconhecimento da mulher em sua função insubstituível na sociedade, procurou mostrar precisamente isso.

Embora naquele momento o mundo já reconhecesse “em tese” a igualdade entre o homem e a mulher e o direito desta de participar ativamente de todas as esferas da vida pública, a distância entre a teoria e a práxis era grande! Não foram poucos, por isso, os movimentos feministas que, na sua ânsia de lutar para que essa igualdade se concretizasse, esqueceram o fundamental: que o fato de serem iguais em direitos e deveres não anulava as diferenças e peculiaridades com que Deus agraciara homem e mulher para que, juntos, eles realizassem seu Plano.

De fato, muito mais produtivas teriam sido as incursões das mulheres nos vários terrenos antes reservados exclusivamente aos homens, se ao invés de querer ocupar o lugar deles como eles, elas tivessem buscado ocupar seu espaço levando o feminino, atuando com a sensibilidade, a ternura, a generosidade, a intuição e a compreensão que muitas vezes faltam aos homens “de espírito prático”…

Ao apresentar o tema da mulher era precisamente isso que o Brasil enfatizava: a igualdade de direitos, de oportunidades, de dignidade, sem que isso suprimisse a riqueza da diversidade. Isso significava que não se justificavam mais “cursilhos femininos para noivas ou esposas de cursilhistas”, cuja finalidade era levá-las a compreender os homens transformados em apóstolos como resposta ao apelo para a conversão. Não! O que se queria eram cursilhos para mulheres que também viessem a se tornar apóstolas no lar, no ambiente de trabalho, na sociedade, como resultado de sua resposta ao mesmo apelo que, desde sempre, Deus dirigiu a suas criaturas prediletas – homem e mulher – no sentido de tornarem realidade seu Projeto de amor.

4.1.4. II Encontro Nacional

Assim como o I Encontro Nacional quis assimilar o conteúdo do I Encontro Latino-Americano, o II Encontro Nacional aconteceu como consequência do espírito plantado no II Encontro Latino-Americano. Foi realizado em novembro de 1970, em Itaici, Estado de São Paulo, e reuniu mais de 300 dirigentes responsáveis e maduros: leigos, sacerdotes e bispos. Os temas apresentados serviram como motivação para as reflexões em grupo e as conclusões trazidas ao plenário a todos enriqueceram, mostrando com clareza os rumos para os quais os responsáveis pelo Secretariado Nacional deveriam orientar os seus esforços para que, traduzindo na prática o que fora recomendado em Tlaxcala, pudesse o MCC do Brasil ser resposta às necessidades pastorais da Igreja local. Foi, pois, com dois objetivos fundamentais que o II Encontro Nacional se realizou:

– avivar ainda mais o espírito dos dirigentes nos diversos secretariados diocesanos para a finalidade do MCC que é servir a Igreja criando ou ajudando a criar comunidades;

– despertar o interesse desses mesmos dirigentes pelos documentos dos Encontros do México que mostravam de maneira cabal a maturidade e a riqueza dos Cursilhos.

Assim, sem deixar de lado o valor dos cursilhos como instrumento de adesão pessoal a Cristo, insistiu o II Encontro Nacional no seu valor como instrumento da Igreja para resposta concreta aos apelos da hierarquia latino-americana em Medellín.

Muito mais completo e abrangente, embora realizado apenas dois anos depois do primeiro, este segundo encontro tratou em profundidade das três fases do Movimento em seus diferentes aspectos, enfatizando a importância das recomendações de pré-cursilho, o valor inestimável do conteúdo do cursilho e a seriedade com que se deveriam desenvolver os instrumentos do pós-cursilho, para que o MCC atingisse suas finalidades.

E porque amplo foi o seu espectro, duradouras foram suas conclusões, as quais, semeadas frutificaram nas orientações que guiaram por vários anos o MCC no Brasil.

4.1.5. III Encontro Nacional

Oito anos depois, em novembro de 1978, quando já havia mais de 400.000 cursilhistas no Brasil, reuniram-se em Itaici (SP), perto de 500 dirigentes, representando 120 dos 176 secretariados diocesanos então existentes no país, para o III Encontro Nacional.

Queriam os seus responsáveis que aquele fosse um encontro profético e que profetas se tornassem seus participantes para, com coragem, anunciar o Reino e construí-lo com a ajuda desse providencial instrumento que era o Movimento de Cursilhos de Cristandade, e denunciar, como cristãos responsáveis e maduros, tudo aquilo que na realidade dos ambientes a evangelizar, atuasse contra a construção desse Reino.

Os temas apresentados constituíram um desafio para que os leigos assumissem os compromissos resultantes da irrecusável encarnação do seu batismo.

E as conclusões foram ricas e corajosas. Enfatizavam que o leigo não pode alienar-se das realidades que tecem seu dia-a-dia para refugiar-se gostosamente em atividades intra-eclesiais – por mais meritórias e necessárias que estas sejam –, mas deve ser presença libertadora no mundo, a fim de que, como fermento e em comunidade, possa de fato transformar as estruturas injustas da sociedade.

Foi bem marcante, pois, nesse III Encontro Nacional em que, com 16 anos de idade no Brasil, o Movimento de Cursilhos de Cristandade já estava bem maduro, a constatação de que ele era o meio; o definitivo era a Igreja em função do Reino a ser construído. Por isso, o III Encontro Nacional, mesmo sem ter estudado temas específicos do Movimento, logrou chegar a conclusões que levaram os cursilhos no Brasil a serem cada vez mais um eficiente instrumento a serviço da ação pastoral da Igreja.

De novo a repercussão dessas Conclusões influenciou por bastante tempo a caminhada do Movimento de Cursilhos de Cristandade no Brasil.

 4.1.6. IV Encontro Nacional

 O IV Encontro Nacional realizou-se em Brasília, Distrito Federal, quase dez anos depois do terceiro, em novembro de 1987, justamente quando o Movimento de Cursilhos de Cristandade celebrava seu jubileu de prata no Brasil. As grandes dimensões do país e as sucessivas crises econômicas que vitimam o povo brasileiro determinaram não apenas o lapso de tempo entre os dois Encontros, mas impediram a participação de inúmeros secretariados, embora a maioria dos 170 secretariados diocesanos então atuantes estivesse representada nas pessoas de cerca de 450 participantes.

Na celebração eucarística de abertura, D. Carlo Furno, Núncio Apostólico, lembrou que o III Encontro Nacional estava sendo marcado pela realização do Sínodo sobre a Vocação e Missão dos Leigos que estava justamente terminando.

Organizado de maneira muito dinâmica, o III Encontro Nacional ofereceu a seus participantes a possibilidade de escolher entre oito cursos oferecidos: Eclesiologia, Moral, Cristologia, Mariologia, Dimensão Política da Fé, Ciências Sociais e sua Influência na Ação Pastoral, Conjuntura Social e Entraves à Ação do Leigo no Mundo, Meios de Comunicação Social e sua Importância na Evangelização. Isso possibilitou uma grande abertura e respondeu à necessidade de formação que o leigo, segundo Puebla, tem o direito de receber em seus próprios Movimentos.

Temas como o Carisma, o Método e a Estrutura do Movimento – além do trabalho que viria a ser apresentado no ano seguinte pelo Brasil no IV Encontro Mundial -, foram explanados e discutidos em grupos de trabalho.

As Conclusões do IV Encontro Nacional reafirmaram a importância da fidelidade ao Carisma do Movimento, do respeito ao seu método, da necessidade da unidade e comunhão, e da importância – dada a extensão territorial do país – do acatamento de sua estrutura nos níveis nacional, regional e diocesano.

 4.1.7. V Encontro Nacional

 O V Encontro Nacional realizou-se em Jundiaí, estado de São Paulo, de 8 a 12 de outubro de 1993. Nesse encontro, cujo tema foi O Movimento de Cursilhos de Cristandade no Brasil e as Conclusões de Santo Domingo, participaram 130 GEDs ( Grupo Executivo Diocesano, o novo nome do Secretariado Diocesano, em consonância com os níveis regionais e nacional), estimada em cerca de 500 pessoas.

4.1.8. VI Encontro Nacional

O sexto Encontro Nacional aconteceu em Guarapari (ES) de 19 a 22 de novembro de 1998. Compareceram cerca de 1.000 pessoas de todos os GERs e de 75 GEDs.

Neste Encontro elaborou-se uma Carta chamada

CARTA DE GUARAPARI

Reuniram-se em Guarapari, ES, de 19 a 22 de novembro de 1998, para o seu VI ENCONTRO NACIONAL, os responsáveis do Movimento de Cursilhos de Cristandade do Brasil, em número de aproximadamente1000, representando o Grupo Executivo Nacional, os Grupos Executivos Regionais e cerca de 75 Grupos Executivos Diocesanos. Em clima de oração e partilha, tendo refletido sobre O LEIGO E A LEIGA CRISTÃOS E SEU PROTAGONISMO NA CONSTRUÇÃO DE UMA SOCIEDADE JUSTA, FRATERNA E SOLIDÁRIA, sobre A ANÁLISE DA CONJUNTURA DA SOCIEDADE BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA, e sobre o próprio MOVIMENTO DE CURSILHOS COM A IGREJA RUMO AO NOVO MILÊNIO, e

Considerando

  • Que o protagonismo do leigo e da leiga cristãos na construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária é uma conseqüência inevitável do Batismo, um desejo da Igreja e um clamor da realidade;
  • Que a conjuntura da sociedade brasileira contemporânea – que, como conseqüência da globalização, tem-se caracterizado pela marginalização de um enorme contingente de brasileiros, vítimas da miséria, do desemprego e do desconhecimento dos próprios direitos – exige dos cristãos atitudes enérgicas e corajosas;
  • Que o carisma do MCC – a evangelização dos ambientes – exige que se respeite sua identidade, a qual se concretiza na vivência da Graça, na prática dos valores do Reino e no seguimento de Jesus de Nazaré, através da formação de pequenas comunidades que vão permeando de Evangelho os ambientes,

Declaram

  • Seu compromisso de exercer o protagonismo dos leigos com coragem e clareza de consciência, visto ser esse um imperativo para que o MCC revele sua identidade de movimento de cristãos leigos que transformam seus ambientes a modo de fermento.
  • Seu compromisso de, face à conjuntura da sociedade brasileira contemporânea, colocar-se na perspectiva dessa realidade desafiadora com real visão de sua força, porém numa abertura para os horizontes de esperança que a presença evangelizadora da Igreja e do MCC podem alcançar.
  • Seu compromisso de fazer do MCC, no limiar do Terceiro Milênio, um movimento: místico, querigmático, hospitaleiro e de esperança, vivendo a autêntica espiritualidade cristã, de modo a ajudar a distinguir os Sinais na vida pessoal e familiar, no trabalho e na história e leve a uma íntima união com Cristo, pautada por uma autêntica caridade apostólica, em atitude missionária, perseverante, corajosa e aberta ao novo.

E para que não lhes falte alento na consecução desses compromissos, declaram-se confiantes na misericórdia do Pai, na presença do Filho, na ação do Espírito Santo e entregam-se às mãos de Maria, Mãe da Esperança.

Guarapari, 22 de novembro de 1998

4.1.9. VII Encontro Nacional

O sétimo Encontro Nacional celebrou-se novamente em Guarapari ( ES)  – Nov/ 2002-  com participação de 1064 cursilhistas brasileiros, representante do Grupo Ásia Pacífico (com imagem de Na.Sra.), OMCC (Francis, Pe.Bialas, Pe.Ulrich Bonin e Mônica Polanco), OLCC (pré GLCC) com Luiz Villareal e Mari, Bernardo e Idália, Mons.Camacho, Malena, Prieta, Colômbia (Lucia S.Toro), Paraguai (Vicente Bobadilla), Argentina (Hector Pfeiffer, Odonel)

Também neste Encontro foi elaborada uma Carta de orientação para o MCC do Brasil, como segue:

Carta dos 40 anos do MCC no Brasil

Para comemorar os 40 anos do MCC no Brasil, reuniram-se em Guarapari, ES, no VII Encontro Nacional, cerca de 1.200 cursilhistas, vindos de todos os quadrantes do país, motivados pelo mesmo lema que, na gênese dos cursilhos, incentivava os jovens peregrinos a seguir adiante no caminho de Santiago: “Peregrinar com fé é abrir caminhos”. Em clima de oração e celebração, fraternidade e partilha, seriedade e alegria, puderam discernir a voz do Espírito que quer, através desse Movimento sempre atual, falar ao homem e à mulher do Terceiro Milênio, sufocados pelas incertezas de um mundo caracterizado por injustiças e exclusões, e ansiosos por encontrar ou reencontrar um sentido para as suas vidas.

Por isso querem fazer conhecidas as principais considerações que os temas estudados nesses dias neles suscitaram, e tornar públicos os compromissos delas decorrentes.

Considerações:

  1. O MCC, que entrou no país quase acidentalmente, para evangelizar imigrantes espanhóis, espalhou-se rapidamente por todo o país, estruturou-se, alinhou-se com o esforço da Igreja no Brasil, em comunhão com a CNBB, e tornou-se instrumento de colaboração para a ação pastoral e evangelizadora da Igreja, através do testemunho de seus leigos envolvidos na construção da sociedade.
  2. O MCC preocupa-se com uma reflexão permanente sobre a vocação batismal do leigo, na qual está a raiz do seu compromisso evangelizador, nestes tempos em que inadiável reconhecer a realidade do protagonismo dos leigos.
  3. O MCC é parte dessa Igreja que, no Brasil, pelo projeto Ser Igreja no Novo Milênio, quer responder com caridade e sabedoria, aos desafios da globalização como instrumento de exclusão, buscando manter viva a espiritualidade e a esperança dos pobres. Por isso, entende que deve-se posicionar diante dos desafios urgentes e profundos representados pela nova religiosidade e pela nova cultura; pela revolução comportamental e pelo avanço tecnológico, que exigem discernimento e respeito à diversidade, com vistas à unidade.
  4. O MCC é parte da realidade que muda rapidamente e reconhece que, para enfrentá-la, seus integrantes precisam não apenas de convicção (para saberem o que é bom), mas de conversão (para se doarem e entregarem na consecução dos objetivos do MCC). Devem, pois, estar atentos aos critérios de avaliação próprios da pós-modernidade, que atingem as ações pessoais, profissionais e pastorais, quais sejam: o comprometimento, a atenção aos detalhes, a capacidade de se terminar aquilo que se começa.
  5. O MCC reconhece que, assim como na vida cotidiana, em todas as atividades evangelizadoras é preciso ter em conta que o limite do homem é a vontade e que o entusiasmo de quem se sabe “arrebatado por Deus”, é essencial para que seu objetivo de transformar o ambiente através dos critérios cristãos seja atingido.
  6. O MCC tem uma espiritualidade que se caracteriza por ser peregrinante, pelo seguimento de Jesus de Nazaré, pela conversão como projeto de vida, pela atenção constante aos sinais dos tempos, pela ação de sal, fermento e luz.
  7. O MCC quer impregnar com critérios cristãos os ambientes, por meio da atuação concreta de seus membros que, abrindo-se ao diferente, descobrem caminhos novos para levar à prática uma evangelização inculturada.

Compromissos:

  1. O MCC quer, sempre mais, caminhar com a Igreja no Brasil, que se preocupa com todos os seus filhos, mas reserva seu carinho para os fracos, oprimidos e marginalizados.
  2. O MCC quer que seus membros, conscientes de seu batismo, assumam o seu protagonismo na tarefa evangelizadora da Igreja, seguindo seu carisma específico que é a evangelização ambiental.
  3. O MCC quer, em sintonia com o projeto Ser Igreja no Novo Milênio, ser sinal de unidade na diversidade, sendo instrumento evangelizador da realidade marcada pelos desafios da pós-modernidade.
  4. O MCC quer  –  no pré-cursilho, no cursilho e no pós-cursilho  –  que seus membros tenham convicção acerca de suas possibilidades como instrumento de evangelização, e a traduzam através de uma conversão comprometida com o correto uso desse mesmo instrumento.
  5. O MCC quer que seus integrantes sejam peregrinos entusiasmados e construtores de uma história que se faz pela transformação dos ambientes naturais em que cada um está inserido, segundo os critérios de Jesus.
  6. O MCC quer que todos os que passaram pelo cursilho, principalmente os responsáveis pelo MCC, cultivem uma espiritualidade encarnada, cujos frutos se deixem ver através do Reino que se constrói aqui, reconhecendo embora que “não têm aqui cidade permanente, mas estão à procura da que está para vir” (Hb 13, 14).
  7. O MCC quer renovar-se permanentemente através da atuação efetiva dos jovens  –  presença majoritária nas estatísticas de nosso país e futuro da Igreja e da sociedade.

Oferecendo a Deus Pai Criador, a Deus Filho Salvador e a Deus Espírito Santo Consolador esses 40 anos de caminhada, os cursilhistas presentes a este VII Encontro Nacional, entregam à Trindade estes compromissos, pelas mãos maternas de Maria, e pedem a proteção e inspiração de seu patrono, São Paulo, para levá-los à prática em sua vida cristã.

Guarapari, 8 de setembro de 2002

4.1.10. Encontro Assessores Eclesiásticos e outros Sacerdotes

Foram realizados cinco Encontros Nacionais de Assessores dos GERs e GEDs e de sacerdotes que trabalham ou que  se interessam pelo MCC. Estes Encontros mostraram-se altamente positivos. Teólogos e pastoralistas – como, p.explo D.Cláudio Hummes, então Cardeal Arcebispo de São Paulo; Pe.João Batista Libânio e outros – deram sua preciosa contribuição para o discernimento dos Assessores e demais Sacerdotes presentes. Lembramos os três últimos Encontros:

– III Encontro Nacional de Assessores Eclesiásticos do MCC – 2003 (Casa São Paulo – Embu das Artes (SP)

– IV Encontro Nacional de Assessores Eclesiásticos do MCC – 2006 (Casa São Paulo  – Embu das Artes (SP)

– V Encontro Nacional de Assessores Eclesiásticos do MCC – 2009 (Casa São Paulo – Embu das Artes. Segue a Carta dos participantes aos Cursilhistas do Brasil:

CARTA DOS ASSESSORES ECLESIÁSTICOS DO MCC

A TODOS OS CURSILHISTAS DO BRASIL

Caríssimos irmãos e irmãs, companheiros de jornada na busca do Reino de Deus através do Movimento de Cursilhos:

Desejamos que no coração e na vida de todos perdurem as alegrias e as esperanças da Páscoa, anunciando ao mundo a vitória de Cristo ressuscitado sobre o pecado e a morte!

Nós, os 47 Assessores Eclesiásticos do MCC, vindos das mais diferentes regiões do Brasil, estivemos reunidos na Casa São Paulo, em Embu das Artes (SP), nos dias 20 a 23 de abril, para o V Encontro Nacional de Assessores do Movimento de Cursilhos. Conosco estiveram, também, alguns irmãos e irmãs, leigos e leigas, Coordenadores e Coordenadoras de Grupos Executivos Regionais.

Terminado o Encontro, desejamos compartilhar com vocês, queridos irmãos e irmãs de caminhada, um pouco da extraordinária experiência de estudo, reflexão, partilha, vivência e convivência fraternas que tivemos nesses dias que, acima de tudo, foram dias de graça abundante.

Mergulhamos no espírito de renovação e de relançamento do MCC que, aos poucos, vai tomando conta de todo o nosso Movimento e, ao mesmo tempo, permitimos que nossos corações se abrasassem de ardor missionário a partir do Documento de Aparecida, inspirado, sem dúvida, pelo Divino Espírito Santo.

Olhamos para os grandes desafios do mundo urbanizado de hoje e para os desafios de nossa Igreja e, movidos pelo impulso missionário de Aparecida, nos sentimos provocados a repensar profundamente e relançar com fidelidade e audácia a missão do MCC nas novas circunstâncias do mundo de hoje, como afirma o mesmo Documento de Aparecida em seu nº. 11.

Concluímos que não só precisamos dar um novo rosto, uma nova fisionomia ao nosso Movimento, mas também retomar com coragem e alegria o seu carisma original, isto é, o de ser instrumento de formação de líderes capazes de impregnar de Evangelho os ambientes, constituindo-se em núcleos, ou em pequenas comunidades de fé (Doc. 62 CNBB, 121).

Queremos, pois, expressar toda a nossa confiança na potencialidade e na missão de nossos leigos de se tornarem verdadeiramente protagonistas de um novo espírito missionário pelo seu testemunho e pela sua corajosa palavra, apesar dos grandes desafios da modernidade.

Repetimos, com Aparecida, que um mundo melhor só será possível a partir de homens e mulheres que encarnem a novidade do Evangelho em suas realidades (DA 11).

Aos nossos queridos leigos e leigas nosso apoio, e como os discípulos de Emaús, queremos que nosso coração arda de entusiasmo enquanto caminhamos juntos rumo ao cinqüentenário de nosso Movimento no ano de 2012. Expressamos nosso desejo e nossa renovada esperança de ver, novamente, nosso Movimento impregnado de ardor missionário como o foi em suas origens, sobretudo aqui, em nossa pátria.

Renovamos a consciência de que somos um Movimento eclesial e, por isso, precisamos caminhar juntos, pois dependemos da ajuda mútua para levar adiante essa árdua, mas gratificante missão de relançar nosso Movimento no contexto atual, dando-lhe um rosto jovem e missionário. Que o MCC volte a resplandecer com mais vigor ainda na luminosa constelação dos movimentos e comunidades eclesiais na Igreja no Brasil e no seio da realidade brasileira, impregnado-a com o fermento e a luz do Evangelho de Jesus Cristo!

E, para nos fortalecer ainda mais na caminhada, contamos com a intercessão materna de nossa querida Mãe, Nossa Senhora Aparecida.

Um forte e carinhoso abraço de seus irmãos presbíteros a serviço da Igreja, da Evangelização e do Reino de Deus. Continuem contando com Cristo e conosco, servidores de todos vocês através do MCC do Brasil!

São Paulo, 23 de abril de 2009.

5. Encontro Latino-americano – Em agosto de 2001, em Monterrey (México)  aconteceu o Encontro durante o qual deu-se o lançamento da candidatura e eleição do MCC do Brasil para sediar o Organismo Mundial do MCC. Deu-se a posse no início de janeiro de 2002 com exercício até início de 2006, quando o OMCC passou para o MCC dos Estados Unidos.

6. Encontro Mundial MCC no Brasil – Como sede do OMCC, o MCC do Brasil acolheu o VI Encontro Mundial, no ano de 2005, realizado na Mariápolis Ginetta, em Cotia (SP). Encontro memorável este e marcante para a história do MCC do Brasil. Extremamente bem organizado nos seus mínimos detalhes e presidido com competência, diria, quase profissional pelos então Coordenador, Vice-coordenador e Secretária  do Organismo Mundial do MCC, respectivamente, Francisco Alberto Coutinho, Antônio Carlos Salomão (Tony)  e Maria Elisa Zanelatto, este Encontro deixou profundas marcas positivas nos seus participantes e no MCC de todo o mundo.

7. Assembleias Nacionais

Uma das grandes e positivas características do MCC é ser ele adaptável e poder adquirir fisionomia própria, adequada a cada lugar onde se desenvolve, sem que para isso tenha que abandonar sua identidade original.

Essa característica permitiu que o MCC do Brasil – país onde a extensão geográfica e as dificuldades econômicas têm um peso considerável em todas as decisões – criasse uma alternativa saudável para manter a unidade nacional, respeitadas as diversidades regionais, e para ter um rosto que revelasse as nuances dessa terra tão vasta e que tem tantas características regionais diferentes.

Nos começos, o então Secretariado Nacional procurava fazer isso através dos cursilhos-de-cursilhos ou de dirigentes, durante os quais buscava a um só tempo inteirar os dirigentes acerca dos temas básicos do MCC em ordem à fidelidade, e adequá-lo às necessidades locais. Posteriormente, começou a concretizar isso através das Assembleias Nacionais que, além de fazer o que os cursilhos-de-cursilhos já faziam, possibilitaram a participação das bases nas decisões do MCC relativas às orientações a serem seguidas em nível nacional. A primeira Assembleia Nacional realizou-se em 1973. A XXI realizou-se  juntamente com o IV Encontro Nacional e comemorou, de certa forma, o trigésimo aniversário do MCC no Brasil.

Olhar para o conteúdo e para as conclusões das Assembleias Nacionais é ter um nítido painel de como o MCC do Brasil tem conseguido manter-se um instrumento eficaz e atual de Evangelização, graças à flexibilidade que lhe dá condições de caminhar no mesmo passo que a Igreja a que pertencemos e que precisa lugar para construir o Reino, anunciando Jesus Cristo neste tempo de contestação de valores, neste espaço de terra onde proliferam as injustiças e a este povo que precisa de libertação.

8. As sedes físicas do MCC no Brasil:

Porque lembrar uma “sede física”? Que importância tem para o MCC uma “sede física”? Penso que uma sede física ou conhecida de todos é um ponto referencial para qualquer empresa e, também, para movimentos e instituições eclesiais. Assim como uma catedral é referência para uma diocese, uma matriz é referência para uma paróquia, assim – agora lembrando o MCC – uma sede física, cuja localização seja conhecida por todos tanto participantes do Movimento de outros que por ele se interessam -, é um referencial importante. É ali o coração não só administrativo, mas, sobretudo, uma fonte segura e confiável de informação: correspondência, internet, relacionamentos, etc.. É ali que se reúne periodicamente a Coordenação Nacional para concretizar a orientação nacional, analisar aspectos pastorais do MCC bem como seus aspectos administrativos, econômico-financeiros, atividades de escritório etc. Esta é a razão porque menciono os locais, todos em São Paulo onde se localizaram as diversas sedes do MCC no Brasil durante estes cinquenta anos.

Infelizmente, um aspecto negativo dessas mudanças foi a perda ou extravio de muito material precioso para a história do Movimento. Documentos, atas, anotações, circulares, Cartas, etc. são irrecuperáveis.

a) Rua Tamandaré (Aclimação)  – (Sede da Missão Católica Espanhola)

b) Rua Leôncio de Carvalho – Vila Mariana

c) Av. Conselheiro Rodrigues Alves – Vila Mariana (em dois endereços sucessivos)

d) R. João Adolfo, 62, 4º.and. – Centro

e) Av. Nove de Julho, 254, 5º.and.- Centro (mesmo endereço, sucessivamente, em dois andares do mesmo prédio)

f) Casa de Cursilhos da Rua Marcondésia (provisório)

g) Rua Domingos de Morais, 3339, conj.07 – Vila Mariana – que é a sede definitiva adquirida na gestão de Francisco Alberto Coutinho.

9. Diretores Espirituais/Assessores Eclesiásticos Nacionais

a) D.Aniger Mellilo de Souza – Bispo de Piracicaba. Porque um Bispo, poderia alguém perguntar? Segundo ouvi do próprio Pe. Paulo, depois de ouvida a opinião do Cardeal Arcebispo de São Paulo, D.Agnelo Rossi que já aprovara o MCC, este mesmo sugeriu o nome de um Bispo para o primeiro Diretor Espiritual, para que, iniciando-se a presença de um novo movimento na Igreja no Brasil, houvesse o respaldo de uma autoridade eclesiástica. Isto daria – como, de fato, deu – uma garantia maior de credibilidade ao MCC. Lembro, ainda, que outro Bispo que marcou presença no MCC  oi o Arcebispo de Belém do Pará, tanto assim que a primeiro Cursilho realizado fora do estado de São Paulo foi, precisamente, na Arquidiocese de Belém do Pará.

b) Pe. Paulo Cañelles

c) Pe. John Drexel – Julho/ 1973 a 1 de fevereiro de 1975 (há poucos meses, celebrou o Jubileu de Ouro de Ordenação Sacerdotal)

d) Pe.José Gilberto Beraldo – 01 de fevereiro/1975

e) Pe. José Ribolla, CSR

f) Novamente Pe.José Gilberto Beraldo

g) Pe.Francisco Luís Bianchin (Pe.Xico) – 01 de maio/2009 até hoje…

10. Presidentes do Secretariado Nacional/Coordenadores do Grupo Executivo Nacional

Antes da vigência do Estatuto do MCC do Brasil, os Presidentes do Secretariado Nacional eram nomeados pelo Diretor Espiritual Nacional. O último a ser assim designado foi Antonio Costa. Depois começaram a ser eleitos pela Assembleia Nacional. Seguem os nomes de todos os Presidentes/Coordenadores Nacionais:

 1. Luis Leite – Médico, de São Paulo, foi o primeiro Presidente do Secretariado Nacional

2. Bachir Aidar Jorge – Médico psiquiatra, de São Paulo

3. Carlos Maria Montero – Uruguaio, residente em São Paulo

4. Ida Rosatelli – Exerceu as funções de Presidente do SN durante um mandato-tampão

5. Luís de Almeida Marins – Professor, de Sorocaba (SP)

6. Antonio Costa – Representante Comercial, de São Paulo

8. Fauzi Trad – Comerciante, de Ribeirão Preto (dois períodos)

9. Ecidyr Laguna – Dentista, de São Paulo

10. Francisco Alberto Coutinho – Engenheiro, de São José dos Campos. Francisco deve ocupar um lugar muito especial na memória do MCC do Brasil e na de todos nós, pois, além de exercer as funções de Coordenador Nacional em dois períodos, foi Coordenador do Organismo Mundial do MCC por quatro anos. Durante este período, sou testemunha de como suscitou o respeito e admiração no MCC de todo o mundo, por sua presença e testemunho de vida.

11. Antônio Carlos Salomão (Tony) – Empresário, de Sorocaba, exerceu as funções por dois períodos e foi Vic-Coordenador do Organismo Mundial do MCC

12. Marum Mellen Jacob Neto – Professor, de São José dos Campos, está encerrando o segundo período de sua gestão.

11. Estruturas operacionais

São estruturas que ajudaram e ajudam o Movimento a alcançar seus objetivos. Fundamentalmente são duas: a Escola de Formação integral e os Grupos Executivos (antes, Secretariados em seus diversos níveis).

Ao iniciar-se no Brasil, a primeira estrutura operacional do MCC foi o Secretariado Arquidiocesano de São Paulo. Mais tarde, este se transformou no

1.Secretariado Nacional MCC do Brasil

2. Secretariados Diocesanos

Nota: anteriormente ao Estatuto de 1988 o Brasil estava organizado em Comissões Setoriais. Depois do Estatuto:

3. Grupo Executivo Nacional

4. Grupos Executivos Regionais

5. Grupos Executivos Diocesanos

6. Setores dos GEDs. 

12. Estatuto Canônico aprovado pela CNBB

Como já citado acima, passaram-se alguns anos até que fosse redigido um Estatuto e que fosse aprovado pela Igreja no Brasil. Finalmente, a primeira aprovação – seguidamente repetida conforme aconteciam revisões – deu-se no dia 12 de setembro de 1988, festa de Nossa Senhora de Guadalupe, subscrita por D. Luciano Mendes de Almeida, então Presidente da CNBB e pelo Secretário Geral, D. Antônio Celso de Queiroz. Porque se diz do Estatuto aprovado pela autoridade eclesiástica, ser “canônico”? Simples assim: por ser esta uma exigência do Código de Direito Canônico para existência de qualquer instituição, comunidade, associação ou movimento nascidos no interior da Igreja.

13. Formação de Dirigentes/Responsáveis em nível nacional

Durante estes cincoenta anos, a Coordenação Nacional trabalhou intensamente para a Formação de seus dirigentes e responsáveis. Formação esta que não se restringiu ao MCC, mas que alargou seus horizontes para aquela formação integral da qual trata o Beato João Paulo II na “Christifideles Laici, n.59-60.

Tanto em Encontros Nacionais como nos antigos Cursilhos de Dirigentes ou nas atuais Assembleias Regionais, nunca o MCC do Brasil deixou de promover o estudo e a reflexão dos Documentos do Magistério. Vale a pena lembrar aqueles que dizem mais de perto à América Latina (claro, sem esquecer os do Magistério Pontifício): desde Medellin, Puebla, Santo Domingo e, bem o de nossos dias, o Documento de Aparecida. Note-se que, visando a abrir horizontes mais amplos para o MCC, sempre foram convidados para nos assessorar não só pessoas, digamos “de dentro do MCC”, mas teólogos, pastoralistas, bispos, arcebispos, etc..

Não podemos deixar de lembrar o “Primeiro Encontro Nacional de Formadores” celebrado no Rio de Janeiro, Casa de Retiro dos Padres Agostinianos, em novembro de 2005, durante uma Assembleia Nacional com lançamento dos Módulos para Escola Vivencial.

Deve-se notar, ainda, que foi publicado abundante material de formação e de orientação tanto para os responsáveis leigos como a sacerdotes: manuais, folders, folhetos, etc. sem falar na Revista Alavanca, cuja história tem início logo no começo do MCC no Brasil.

Para completar o presente relato e por amor à verdade e à transparência não podemos deixar de constatar que, apesar de todos os esforços do GEN no sentido e preservar a pureza, a fidelidade ao carisma e ao método do MCC bem como à autenticidade de sua missão, inúmeros desvirtuamentos e equivocadas interpretações foram sendo introduzidos por muitos GEDs.

14. Comunhão com a Igreja no Brasil: estudo dos Documentos do Magistério – Adaptação do MCC.

Penso já ter citado e enfatizado suficientemente esta preocupação do MCC no Brasil: caminhar em íntima e concreta comunhão com a Igreja no Brasil. Isto, mesmo à custas de ácidas críticas vindas do Movimento do exterior, incluídas ai as de alguns iniciadores. Sempre foi convicção da direção nacional que mais importante que o MCC é a Igreja de Jesus Cristo. O MCC é mero instrumento de evangelização de um setor da sociedade, isto é, dos ambientes que a formam e conformam.

Um dos pontos mais altos no itinerário do MCC do Brasil para fortalecer estes laços de comunhão com a nossa Igreja é o estudo e aplicação das sucessivas edições das “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”. Ainda no ano que está por findar, a proposta para as Assembleias Regionais foram as Diretrizes para 2011-2025. E assim foi feito. Por outro lado e sem pensar em qualquer polêmica, lembro-me bem quando, ao referir-me a esta comunhão eclesial, um dois iniciadores interpelou-me com esta frase: “Então, a cada novo documento da Igreja no MCC deve ser adaptado ou revisado”?

15) Esquemas para o CUR 

Inicialmente, os esquemas repetiam “ipsis litteris” e “ipsis verbis” os de Mallorca. Até as piadas, para não citar o folclore, eram repetidos tais e quais. Aliás, até hoje ouço a tal comparação da construção das mensagens do CUR com uma “ceifadeira” – o que isto, meu Deus? E outras que tais! Buscando adaptar-se à nossa mentalidade e à orientação pastoral de nossa Igreja no Brasil, fez-se uma primeira tradução mimeografada (caderno azul): “Esquemas de Rollos e Meditações” que seguiu durante alguns anos. Em seguida, várias edições de “A Mensagem do MCC do Brasil”, começando pelo conhecido “livro vermelho” sempre com as adaptações aos Documentos significativos mais recentes do Magistério.  A última revisão já na sua terceira edição (2010) intitula-se “O Cursilho por dentro” e traz na sua contra capa um folheto contendo “uma revisão à luz do Documento de Aparecida”.

16) O MCC no Brasil e os Jovens

Desde o ano de 1972, os Jovens já se encontravam presentes no MCC do Brasil, assistidos pelo Pe.Ramón Pulido. Mais tarde, os GEDs de Recife e do Rio de Janeiro implementaram esta presença e, numa Assembleia Nacional realizada em Belo Horizonte, receberam a acolhida formal no MCC. Há cerca de três anos, outra Assembleia Nacional decidiu conceder voz e voto aos representantes das cinco macro regiões do Brasil. 

 17) Encontros Latino-americanos (três primeiros e Interamericanos) e Mundiais: presença do MCC do Brasil

Sem necessidade de citar ou repetir uma longa lista de todos os Encontros volto a enfatizar a marcante presença do MCC do Brasil sempre chamados que fomos para apresentar temas importantes e, portanto, de interesse para o MCC em todo o mundo. Permitam-me citar dois deles.

O primeiro foi no III Encontro Mundial que se celebrou em Mallorca, de 01 a o7 de novembro de 1972  no qual reafirmamos na necessidade de uma adaptação do Manual de Dirigentes e onde se conseguiu aprovar um plano para preparar o que, de imediato, se chamou IDÉIAS FUNDAMENTAIS DO MCC. Nesta mesma oportunidade, foram eleitos dez países, entre eles, o Brasil, para esta tarefa determinando que de cada um destes países participassem dois dirigentes: um sacerdote e um leigo. Então, em 1974, reuniram-se os delegados novamente em Mallorca e ali nasceu a primeira redação de IFMCC. O MCC do Brasil esteve presente com o então Presidente do Secretariado Nacional, Bachir Haidar Jorge e este que lhes fala.

O segundo, marcante e inesquecível, foi no IX Encontro Interamericano em São José (Costa Rica), em 1984, onde o MCC do Brasil apresentou um tema bastante ousado, intitulado “Caminhos novos para atualização do MCC”. Foi quando levamos um grupo bastante significativo e ali, insistimos – quase que como uma grande novidade, diga-se de passagem – sobre a concretização da definição do MCC já dada em 1968, na Colômbia. A saber, insistindo na “criação de núcleos de cristãos que fermentem de evangelho seus ambientes”! Núcleos que no MCC  do Brasil adequamos para “Pequenas Comunidades de Fé nos ambientes”, seguindo as orientações pastorais da Igreja no Brasil (cf.Doc.62 CNBB, n.121), bem como de outros documentos eclesiais, sobretudo e principalmente, do Documento de Aparecida (cf. DAp 517 f).

São Paulo, novembro de 2012

Ano do Jubileu de Ouro do MCC no Brasil

pe beraldo

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Pe. José Gilberto Beraldo

Jberaldo79@gmail.com

Uma resposta em “Resgate Histórico do MCC do Brasil

  1. Agradeço a todos que ao longo do caminho do MCC no Brasil depositaram sementes que hoje colhemos bons frutos de amor à Cristo e sua Igreja.

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